Em busca da recuperação nas exportações

José Roberto Scarabel
Presidente do CICB e do Sindicouro
Na aceleração globalizada do mundo moderno, cada vez mais as fronteiras se estreitam compelindo os mercados às trocas, especulações e transferências recíprocas de know how, praticamente imprescindíveis à sobrevivência e manutenção das empresas nesse cenário. Esse escambo sofisticado e de alto nível tecnológico, sustentado por um emaranhado de redes de telecomunicações, nervoso e especulativo, vem sendo o pano de fundo das atividades econômicas internacionais.
O avanço dessa globalização tem provocado um notável crescimento dos fluxos econômicos entre os países. Apesar de seu alto custo social, o processo tem apresentado benefícios importantes, conforme destacam estudos realizados pela ONU, pela Organização Mundial do Comércio OMC, pelo Banco Mundial e pelo Departamento de Economia do BNDES. Dentre eles podem ser destacados:
1) Redução gradativa de custos e preços finais, devido à intensificação da concorrência em praticamente todos os segmentos de mercado;
2) Redução do cicio de vida dos produtos pela sofisticação tecnológica de processos e produtos;
3) Troca de experiências, através da utilização da técnica do benchmarking;
4) Ampliação dos bases de mercado, com maior acesso dos populações de baixa rendo aos produtos finais
5) Preservação ambientar com redução dos índices de degradação.
O que é lamentável é que esses benefícios, infelizmente, não são iguais para todos os países. Os emergentes como o Brasil sofrem sérias restrições em conseqüência de uma política protecionista visível e até ostensivo, manipulado pelos países mais industrializados, apesar dos discursos liberalizantes que promovem via de regra. Mesmo assim, lutando contra todos essas adversidades, o esforço exportador brasileiro tem apresentado resultados, alternando situações de alta e de baixa em nossa balança comercial: quase sempre, pequenos superávits são engolidos por déficits inesperados. Neste jogo de gangorra provocado pelas turbulências do comércio internacional, o desafio do Brasil de exportar mais, alavancando vendas externas com capacidade de gerar um saldo comercial que alivie nossas contos externas, vai ficando cada vez mais difícil. A meto de exportarmos US$ 1 00 bilhões até 2002 parece um marco distante demais para ser alcançado.
Se não restam dúvidas quanto ao fato de que as práticas protecionistos e as concessões de subsídios abrem um abismo que distancia cada Vez mais os países emergentes dos países de maior peso no economia global, é bem verdade também que no espaço doméstico há muito que ser corrigido: excesso de tributação sobre o produto nacional, crédito difícil, juros altos, impostos gravosos, demora nos aprovações das reformas, morosidade dos portos, altos custos do logística de distribuição, etc., etc.
Neste cenário desalentador, onde os resultados obtidos ficam abaixo do possível à custa dos esforços acima do necessário, há de se reconhecer o papel que o Ministro Alcides Tápias e o Secretário da Comex, Roberto Gionnetti da Fonseca, vêm desenvolvendo para promover uma mudança nessas adversidades. A tarefa de criar uma nova estrutura para impulsionar empresas e produtos brasileiros no exterior, conforme divulgado no Encontro Nacional de Comércio Exterior - ENAEX, realizado no último dia 17, foi muito bem recebida pela maioria das empresas exportadoras presentes ao evento. Não tenho dúvidas de que as principais medidas divulgadas nesse encontro ainda são insuficientes para reverter, de imediato, o atual quadro exportador, porém, é visível e estimulante a preocupação do governo com a rearticulação do comércio exterior, como medida fundamental para a obtenção de um bom superávit no balança comercial em 2001, o que, lamentavelmente, não ocorre desde 1994.
Como presidente do CICB - Centro das Indústrias de Curtimento do Brasil, é gratificante constatar a maneira digna e o empenho com que a Camex vem sendo conduzia pelo Secretário Roberto Giannetti da Fonseca, principalmente, pela postura de sensibilidade que este profissional vem demonstrando, sobretudo com relação à indústria do couro, diante do posicionamento adotado na problemática do Wet Blue. As mudanças acontecem, os paradigmas se rompem. Alterações no estado de espírito de empresários empreendedores exigem a construção de um ambiente de confiança e de continuidade em torno da política de exportação. E essa confiança o Sr. Roberto Giannetti está conseguindo transmitir.

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