PARA QUE SERVEM AS ANÁLISES ESTATÍSTICAS
Analistas de todas as correntes não foram suficientemente isentos na análise do comportamento da exportação de couro no estágio CRUST (Semiacabado) nos três primeiros meses de 2001. Apenas para lembrar, de fevereiro a abril de 2001 as exportações de Crust incharam espetacularmente. O que poderia ser interpretado como uma reação do mercado à taxação da exportação de Wet Bue, em dezembro de 2000, nada mais foi que o exercício de uma fraude logo desmascarada. Para fugir da incidência de 9% de Imposto de Exportação sobre o Wet-Blue, algumas empresas passaram a exportar Crust como se Wet Blue fosse. A Revista e Site Courobusiness foi o único veículo conhecido a denunciar a fraude e a analisar os resultados da exportação subtraindo-se da exportação de Crust o que chamou de "exportação fraudulenta". Courobusiness passou a publicar dois quadros de exportação: um com os dados fornecidos pela Secex (que incorporam as fraudes) e outro produzido pela própria Revista, expurgando-se a fraude. O objetivo era um só, isto é, fazer uma análise imparcial da exportação brasileira de couro. Alguns analistas não deram ouvidos e nem tiveram olhos para a fraude, pois lhes interessava, e a seus patrões, dizer que a exportação de Crust estava crescendo e esse crescimento era decorrente da taxação do Wet Blue, para justifica-la. O que se viu, durante boa parte de 2001, foi um extraordinário engodo analítico. Como tudo na vida tem volta, a exportação de 2002, já sem a fraude, colocou esses mesmos analistas contra a parede. A comparação passou a incorporar o avesso do resultado de 2001, isto é, naquele ano a fraude permitia aos analistas dizer que a exportação de Crust estava crescendo muito, e neste ano de 2002 ela obriga aos analistas a dizer que a exportação de Crust caiu, nos dois primeiros meses, 58%. É óbvio que esta queda não é real e a análise com a fraude expurgada mostra, ao contrário, que a exportação de Crust nos dois primeiros meses de 2002 cresceu em torno de 20%. Para não passar recibo os analistas não estão falando em Crust. Preferem enfatizar o extraordinário crescimento da exportação de couro Acabado, que supera 70% nos dois primeiros meses de 2002. É um entusiasmo justificado, mas não custava nada se redimirem e corrigirem as análises sobre a exportação de Crust. Mesmo porque existem muitas outras justificativas para se taxar a exportação de Wet Blue.
