{ REVISTA COUROBUSINESS }
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É PRECISO RECUPERAR O PREÇO MÉDIO DO COURO E DO CALÇADO EXPORTADO

A exportação de couro até 31 de julho de 2002 cresceu, em número de couros exportados, 2,1%, considerando-se todo o capítulo 41 da NCM, e 5,8%, considerando-se apenas os quatro principais tipos de couro. É um crescimento modesto, mas ainda assim significativo, especialmente, levando-se em conta a instabilidade da economia mundial e questão cambial interna. Também cresceu a quantidade exportada de calçados no mesmo período, mas apenas 0,2%. A exportação de calçados, em número de pares, na realidade, é praticamente a mesma de janeiro a julho de 2001: 101,7 milhões nos sete primeiros meses de 2002 e 101,4 milhões de pares no mesmo período de 2001.

Mas se a quantidade exportada, tanto de couro quanto de calçados, reflete a capacidade vendedora dessas duas indústrias, que com muito esforço, e frente a tantas adversidades em variáveis fora do alcance do empresário, vêm conseguindo pôr o produto em mercados de todo o mundo, o que preocupa, em breve análise do comportamento das exportações, são os valores.

Na indústria do couro, o valor total exportado do capítulo 41, nos sete primeiros meses de 2002, é praticamente igual ao do mesmo período de 2001: US$ 498,8 em 2002 e US$ 498,2 em 2001, ou seja, crescimento de 0,1%. Nos quatro principais tipos de couro, o crescimento é de 0,8%. O destaque é o crescimento da exportação de couro Acabado, tanto em quantidade, quanto em valor, 64,2% e 58,9%, respectivamente. A exportação de Wet blue cresceu 23,5% em quantidade e caiu 8,9% em valor. Em ambos os casos, o que preocupa é o valor médio do couro brasileiro exportado. O valor médio do Wet blue caiu 26,3% (está em US$ 31,38), o do couro Acabado também caiu, 3,3% (está em US$ 93,27). O valor médio do couro Crust, em 2002, está em US$ 75,18, mas a comparação com 2001 está prejudicada em função das exportações irregulares de Crust nos quatro primeiros meses de 2001.

Na indústria de calçados, a exportação em valor em 2002 é 10% menor do que em 2001. Nos sete primeiros meses de 2002, o total é de US$ 867,5 milhões, contra US$ 968,4 em 2001. Como a quantidade vendida nos dois períodos é praticamente a mesma, a razão da queda em valor está na deterioração do preço médio do calçado exportado, que variou em 2002 de um mínimo de US$ 7,27 para um máximo de US$ 8,53/par. Em 2001, o mínimo foi US$ 8,54 e o máximo US$ 9,55, no mesmo período.

Vários fatores contribuem para a redução do preço médio exportado, de couro e de calçados (câmbio, instabilidade econômica, crise econômica em países como a Argentina e EUA...), e a maioria deles está fora do controle do exportador. Mas é preciso que as entidades representativas das indústrias desses dois setores, e as autoridades e técnicos governamentais, se debrucem na análise do comportamento dos preços dos produtos brasileiros e busquem alternativas para trazê-los de volta a patamares históricos mais expressivos.

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