SERÁ QUE O CRUST É CRUST?
Nos primeiros dois meses deste ano, a exportação do cap. 41 – couros e peles – somou US$ 199 milhões, cerca de 14% a mais que janeiro e fevereiro de 2004, que somou US$ 174 milhões. É um bom começo de ano, também refletido na exportação das “obras de couro”, por onde estariam saindo os couros cortados e costurados, que já soma US$ 16,4 milhões contra US$ 12,6 milhões de 2004, crescimento de 31%.
Em relação aos couros bovinos, nos dois primeiros meses de 2005 já foram exportados 3.836.866 couros. Esta quantidade é 6% menor que a exportação dos dois primeiros meses de 2004. Em valor, ao contrário, observa-se um crescimento de 10,5%, reflexo do aumento de 17,6% do valor médio exportado dos quatro tipos de couro.
O dado mais intrigante para o analista é aquele que dá conta da participação de cada couro no total exportado em quantidade. Em janeiro e fevereiro de 2005 foram exportados 32% em couro Acabado, 13% em couro Crust e 54% em couro Wet Blue. Nos dois primeiros meses de 2004 a participação de Wet Blue no total foi de 65%. Resta saber, se a queda na participação do Wet Blue no total exportado é uma tendência que se verificará ao longo do ano, ou apenas o reflexo de uma situação episódica.
Chama a atenção o fato da exportação quantitativa de Wet Blue ter caído 22,5% em relação a janeiro e fevereiro de 2004, enquanto a de Crust, em igual período, ter aumentado 59,2%! Se os números são reais, eles devem ser comemorados. Mas não custa lembrar que fenômeno igual ocorreu nos primeiros meses após a entrada em vigência da taxação do Wet Blue. Como a projeção de redução da taxa de 7% para 4% em 2005 não ocorreu (a taxa se manteve em 7%) a dúvida faz sentido: será que o Crust exportado é Crust mesmo?
