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ECONOMIA BRASILEIRA
Arte e tradição em desmoralizar pessimistas profissinais
A economia brasileira é especialista em desmoralizar pessimistas profissionais. É quase uma piada ler as previsões macroeconômicas do início de 2005. Se voltarmos ao final de 2002 o riso é maior. O fato é que o Brasil comemora 10 anos sem sobressaltos, planos miraculosos, heterodoxias acadêmicas. A mesma política econômica com governos diferentes, um ganho social nada desprezível. Fiquemos apenas no comércio exterior: US$ 118 bilhões de exportação em 2005, saldo comercial de US$ 44,7 bilhões, previsão de US$ 132 de exportação em 2006. Os pessimistas devem estar de queixo caído, com saudades dos idos de 1995 a 2000 que acumulou saldos negativos acima de US$ 23 bilhões. O Brasil está apenas se beneficiando da corrente de comércio mundial, dizem alguns babando de inveja. Pior seria se não estivesse, contraponho, mas é só olhar o crescimento de ambos – Brasil e mundo – para ver que a exportação brasileira cresce a taxas mais expressivas. Esses críticos conhecem o esforço extraordinário e bem sucedido do MDIC e da APEX-Brasil de vender o produto brasileiro onde há quem o quer e pode pagar. O pragmatismo comercial do ministro Furlan e de Juan Quirós certamente não é desconhecido. Se conhecem, por que criticam? Deve haver razões camufladas. Curioso é ver segmentos empresariais descarregarem fracassos no câmbio. Se só precisam de câmbio, por que razão participam dos programas de promoção comercial da APEX-Brasil? Outras razões há, certamente, e precisam ser investigadas, pois, se o problema é só o câmbio, não há sentido em se gastar dinheiro público em segmentos que não acreditam no que fazem. Há uma nova realidade mundial. O fator China não pode ser desconsiderado, assim como também não se pode desconhecer que boa parte do avanço no comércio exterior da indústria calçadista, a partir da década de 80, se deu em bases falsas, assim entendidas a inexistência de marcas e a adaptação das unidades produtores aos pedidos que determinam o preço a ser pago. A exportação cresceu concentrada no mercado americano de grande quantidade e baixo preço. A realidade atual é outra. A China está lá, tomando esse mercado, inclusive com o nosso couro, nossos técnicos, nossas empresas que lá estão se instalando. Seria só câmbio? O ano de 2005 fecha com exportação de calçados (mais parte de calçados) em recorde de valor – US$ 1,97 bilhão - acima de 2004, apesar do câmbio e da menor quantidade vendida. Isso é ganho ou perda para a indústria nacional? O ganho em exportação de maior valor agregado certamente é resultado da agressiva política de promoção comercial da APEX-Brasil e de algumas empresas, sucedendo experiências anteriores como o programa Shoes From Brazil. Daí não se entender as razões de lideranças empresariais e executivos de entidades inverterem o sinal, travestindo de perda o ganho. Esses analistas certamente fazem parte da turma que só pensa no câmbio, no ganho fácil dos pedidos sob encomenda e que se contentaram ao longo dos anos em serem colonos de um mercado de grande quantidade e baixo preço. O Brasil merece coisa melhor. No mercado interno, os lojistas informam que venderam 10% a mais em 2005. Alguns “analistas” dizem que o mercado foi fraco. A COUROMODA 2006 vai mostrar, como sempre fez, que a indústria calçadista é melhor que a média de seus analistas. A exemplo da economia, a feira de 2006 vai desmoralizar os pessimistas de sempre.
Roberto Nogueira Ferreira
roberto@rnconsultores.com.br
Brasília, 06 de janeiro de 2006

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