{ REVISTA COUROBUSINESS }
{ REVISTA COUROBUSINESS }
A REVISTA   |   ASSINATURAS   |   FALE CONOSCO   |    EDIÇÕES ANTERIORES

AGRONEGÓCIO:
 37,4% DO TOTAL EXPORTADO
 PELO PAÍS DE JANEIRO A JULHO DE 2005

 Apesar da relação ser menor que a registrada nos sete primeiros meses de 2004, os números alcançados tanto no agronegócio quanto na balança comercial são considerados recordes para o período.

O Brasil exportou nos sete primeiros meses de 2005 US$ 64,7 bilhões, 23,9% acima do resultado de jan-jul de 2004, quando o Brasil exportou US$ 52,2 bilhões. Já o saldo de 2005, no período, foi de US$ 24,6 bilhões, 32,9% maior que o saldo registrado de janeiro a julho de 2004, de US$ 18,5 bilhões. Ambos os valores foram considerados recordes para o período, segundo análise do ministro Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Com este bom desempenho, o ministro prevê um superávit de US$ 35 bilhões ao final do ano, 4,17% maior que os US$ 33,6 bilhões do ano passado. Particularmente, os resultados recordes de julho contribuíram para o crescimento dos números nos primeiros sete meses. Para este ano, a meta é atingir exportações totais de US$ 112 bilhões, e no próximo ano, US$ 120 bilhões.

Os recordes também se repetiram no agronegócio, que teve como valor total exportado, de janeiro a julho deste ano, US$ 24,2 bilhões, 9% acima do mesmo período em 2004. O saldo gerado no período alcançou US$ 21,3 bilhões, 9,8% a mais que o resultado de jan/jul de 2004. Nesse período, o país vendeu US$ 22,2 bilhões, com saldo de US$ 19,4 bilhões.

Com esses números já é possível fazer algumas análises interessantes. O agronegócio continua sendo um expressivo setor na formação da balança comercial brasileira. Do valor total exportado de janeiro a julho, 37,4% foram de produtos do agronegócio.  Quando a comparação se dá no saldo comercial, os números apontam o agronegócio como responsável, quase que sozinho, pelo valor de saldo comercial do Brasil. Ele representa 86% dos US$ 24,6 bilhões do saldo total das exportações no período. Porém, os números são inferiores ao que se tinha de janeiro a julho de 2004, quando se faz a análise Agronegócio X Balança Comercial. De jan/jul de 2004, o agronegócio tinha exportado US$ 22,2 bilhões, dentro dos US$ 52,2 auferidos pela balança comercial. Em outras palavras, o agronegócio representou 42,5% do total exportado pelo país no período de jan-jul de 2004. Como se vê, uma queda de cinco pontos percentuais na comparação desse item entre 2005/2004. O agronegócio chega ao sétimo mês de 2005 representando 37,4% do total exportado pelo país no período. Uma das razões, segundo o ministério a Agricultura, é que o ano passado foi excepcionalmente positivo. Esta é a razão também para que o Ministério do Desenvolvimento espere um crescimento mais modesto no segundo semestre deste ano. Na agricultura também deve haver retração no mercado interno, como divulgou pesquisa da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil, em meados de agosto. O Produto Interno Bruto do setor deverá ter uma queda de R$ 14,3 bilhões este ano, frente a 2004. A CNA e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP realizaram pesquisa, com dados coletados até maio de 2005, que mostrou , o PIB agropecuário em R$ 146,42 bilhões ao final do ano, o que representa uma redução de 8,9% em relação ao ano passado. A principal razão seria a queda da renda do agricultor brasileiro.

Voltando ao mercado externo, numa série mais abrangente, tomando como início a década de 80, pode-se avaliar a evolução da composição da balança comercial por fator agregado. Ao longo desses anos, a exportação de produtos básicos vem paulatinamente diminuindo sua participação na balança. Em 1980, chegou a representar 42,1% do que se exportava no Brasil. Num movimento descendente, chegou ao pior resultado em 2000, quando representou apenas 22,8%. Em 2004, houve uma ligeira recuperação, com 29,6% de produtos básicos dentre as exportações brasileiras.

Já com os manufaturados o movimento é outro, ascendente. Em 1980, representavam 44,8% das exportações brasileiras. O maior percentual, 60,7%, foi registrado em 2003 (quando os básicos representaram, por sua vez, uma das participações mais baixas, 24,2%).

De lá pra cá, houve uma certa diminuição, mas sempre superior aos 54%, valor aliás, registrado em 2004 (54,9%). Por enquanto, 2005 apresenta um certo aumento na participação dos manufaturados na balança comercial. No primeiro semestre, 55,9% da pauta foram produtos dessa categoria (principalmente automóveis e celulares), 30% a mais do que no primeiro semestre de 2004.

Dentre os produtos do próprio agronegócio, carnes, açúcar, madeiras e café se destacaram como os de maior aumento no primeiro semestre de 2005, se comparados ao primeiro semestre do ano passado. O carro chefe é disparado o complexo de soja, quando se avalia a composição dentro do agronegócio, apesar de o setor de soja estar vivendo períodos de baixa nos preços. Os produtos do segmento couros, peles e calçados representam 7% das exportações do agronegócio. Comparando os sete primeiros meses de 2005 com os de 2004, o setor apresenta crescimento de 6,2% nas exportações, e de 6,6% no saldo comercial.

BALANÇA COMERCIAL DO AGRONEGÓCIO

Evolução mensal das exportações, importações e saldos: 2005 e 2004 (em US$ mil)

 

Mês

EXPORTAÇÃO

IMPORTAÇÃO

SALDO

2004 (a)

2005 (b)

% a

% b

2004 (a)

2005 (b)

% a

% b

2004

2005

Jan

2.324.114

2.582.208

11,11

11,11

384.855

383.710

-0,30

-0,30

1.939.259

2.198.498

Fev

2.254.245

2.781.992

23,41

17,16

335.760

384.475

14,51

6,60

1.918.485

2.397.517

Mar

3.260.565

3.424.335

5,02

12,11

495.335

454.422

-8,26

0,55

2.765.230

2.969.913

Abr

2.846.806

3.455.835

21,39

14,59

369.373

403.960

9,36

2,60

2.477.433

3.051.875

Mai

3.406.160

3.749.921

10,09

13,50

383.624

422.977

10,26

4,09

3.022.536

3.326.944

Jun

4.404.249

4.206.487

-4,49

9,22

442.479

431.718

-2,43

2,90

3.961.770

3.774.769

Jul

3.748.187

4.072.436

8,65

9,12

391.543

408.726

4,39

3,10

3.356.644

3.366.710

Jan/Jul

22.244.326

24.273.214

9,12

-

2.802.969

2.889.988

3,10

-

19.441.357

21.383.226

                                Fonte: SECEX/MDIC: Análise das Informações de Comércio Exterior – ALICE
                              
a – Variação percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.
                              
b – Variação percentual acumulada em relação ao mesmo período do ano anterior. 
 

 

[ CRÉDITOS ]