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SETOR BATE RECORDE EM VALOR EXPORTADO,

MAS VENDE MENOS EM QUANTIDADE

O faturamento de US$ 1,88 bilhão com as exportações de calçados – o maior desde 1993 – não serviu para o setor calçadista comemorar os resultados de 2005. Ao longo do ano, as empresas registraram o declínio do volume de embarques, que culminou com 11 por cento a menos em comparação a 2004. De janeiro a dezembro de 2005, deixaram de ser enviados ao exterior 23 milhões de pares de calçados e mais de 20 mil pessoas perderam seus postos de trabalho. Foram exportados 189 milhões de pares contra 212 milhões em 2004. “Este desempenho nos deixou uma espécie de gosto amargo, pois ao mesmo tempo em que aumentamos o faturamento, perdemos muitos empregos”, destacou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, Elcio Jacometti. O motivo para o incremento das divisas foi que o preço do par do calçado exportado aumentou em 17%, fruto das mudanças de processos, de tecnologia e de design que as empresas aplicaram ao longo do ano. O calçado brasileiro foi vendido a US$ 9,97, na média. Se por um lado, o setor ganhou valor agregado, por outro perdeu espaço nas exportações. Segundo Jacometti, as vendas mostram uma melhora no faturamento, mas não na lucratividae. Ele avalia que se o câmbio não tivesse prejudicado o setor ao longo do ano, o aumento das exportações teria sido de 20%. Segundo o levantamento da Abicalçados junto à Secex, as operações de 2005 geraram um incremento de apenas 4%. De US$ 1,809 bilhão de 2004, o faturamento em 2005 foi para US$ 1,88 bilhão. “Poderíamos ter atingido bem mais que US$ 2 bilhões”, lamenta Jacometti. Para 2006, a Abicalçados acredita que poderá haver uma leve reação da indústria calçadista, caso as medidas sugeridas ao governo federal, no final de dezembro, sejam efetivamente implantadas. Na ocasião, foi sugerida a criação de um grupo interministerial misto com entidades representativas dos empregadores e empregados para, em 60 dias, apresentar propostas de soluções para as reivindicações, que incluem: mudanças na política cambial; equalização dos fatores de competitividade do setor exportador (uma vez que os preços 30% acima dos ofertados pela concorrência mundial estão levando os compradores a optar por outros fornecedores), além da restituição dos créditos de PIS, Cofins e ICMS (que está defasada há mais de um ano, comprometendo o capital de giro das empresas). Os empresários também pediram forte repressão à sonegação, contrabando e pirataria de marcas, produtos e processos, numa crítica direta aos chineses. Outra barreira enfrentada pelo setor calçadista está mais próxima. O acordo firmado com a Argentina é criticado por lideranças como o diretor executivo da entidade, Heitor Klein. “Isso vai introduzir muitas travas às negociações de calçados entre os países. O sistema deveria caminhar no sentido de livre fluxo de mercadoria”, destacou. Klein classificou como arbitrária a limitação na entrada dos produtos brasileiros no país vizinho. Pelo Mecanismo de Adaptação Competitiva (MAC), proposto pela Argentina há um ano e estipulado na reunião de fevereiro, em Buenos Aires, qualquer um dos dois países está habilitado a aplicar uma salvaguarda caso o aumento das importações do outro sócio prejudique sua indústria local. Em 2005, a Argentina teve um déficit de US$ 3,676 bilhões em sua balança comercial com o Brasil, quase o dobro de 2004. No ano passado, o Brasil exportou 14 milhões de pares para a Argentina, volume que já chegou a 20,8 milhões de pares (US$ 132,8 milhões) em 2001. O país vizinho figurou como terceiro maior importador de calçados brasileiros em 2005.

EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE CALÇADOS MÊS A MÊS

                      2005 s/ 2004
  2005 2004 2005 2004 %
  US$ Pares PM US$ Pares PM Var US$ Var Prs Var US$ Var Prs Var US$ Var Prs
JAN 151.145.375 18.276.876 8,27 132.302.257 19.168.975 6,9 -14% -8% -9% 3% 14% -5%
FEV 178.247.338 21.854.883 8,16 156.206.016 24.797.714 6,3 18% 20% 18% 29% 14% -12%
MAR 160.088.463 20.029.329 7,99 164.852.265 23.785.626 6,93 -10% -8% 6% -4% -3% -16%
ABR 136.616.295 16.050.886 8,51 126.498.776 17.251.109 7,33 -15% -20% -23% -27% 8% -7%
MAI 139.809.852 13.474.057 10,38 127.393.896 14.814.433 8,6 2% -16% 1% -14% 10% -9%
JUN 155.549.953 13.334.212 11,67 135.192.909 13.251.949 10,2 11% -1% 6% -11% 15% 1%
JUL 186.541.597 14.764.413 12,63 184.110.142 15.729.604 11,7 20% 11% 36% 19% 1% -6%
AGO 182.701.486 15.538.966 11,76 170.084.528 15.560.446 10,93 -2% 5% -8% -1% 7% 0%
SET 145.055.590 12.293.994 11,8 149.286.054 15.115.636 9,88 -21% -21% -12% -3% -3% -19%
OUT 139.100.714 12.605.363 11,04 150.359.080 16.723.061 8,99 -4% 3% 1% 11% -7% -25%
NOV 140.302.072 13.634.932 10,29 137.475.312 15.972.252 8,61 1% 8% -9% -4% 2% -15%
DEZ 171.746.721 17.443.574 9,85 175.641.800 19.829.283 8,86 22% 28% 28% 24% -2% -12%
ANO 1.886.905.456 189.301.485   1.809.403.035 212.000.088              

Obs: O montante acima não inclui partes de calçados e outros produtos do capítulo 64. Fonte: SECEX / MICT     RIGOTTO LISTA

URGÊNCIAS PARA O SETOR COUREIRO-CALÇADISTA O governador Germano Rigotto aproveitou o tradicional encontro de autoridades durante os eventos da Couromoda e encaminhou uma lista de reinvidicações do setor coureiro-calçadista que, segundo ele, são providências inaditáveis e merecem uma resposa rápida do governo federal. São elas: •  Severa repressão às práticas de sonegação, contrabando e falsificação de marcas; •  Restrição à importação de calçados da China (barreiras alfandegárias, cotas); •  Adoção pelo BNDES de linhas de financiamento no pré-embarque, a juros compatíveis com os do mercado internacional; •  Isenção integral da incidência do PIS e do Cofins na compra de máquinas e equipamentos utilizdos pelo setor calçadista, para todas as empresas, independentemente do destino da produção; •  Imediata devolução dos créditos tributários gerados nas exportações ou permissão para a compensação desses créditos com os débitos fiscais; •  Permissão para as empresas importadoras e exportadoras manterem contas em moeda estrangeira no Brasil, e Elevação para 35% da tarifa externa comum (TEC) do Mercosul para calçados, conforme prevê a Organização Mundial de Comércio. (fonte: site do Governo do Rio Grande do Sul)

 

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