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Exportação até setembro surpreende
US$ 1,344 bilhão; 26,4 milhões de unidades
41% de alto valor agregado; 59% de baixo valor agregado

A exportação de couro continua surpreendendo em 2006. Dados finais da exportação de janeiro a setembro de 2006, de todo o capítulo 41 da NCM, mostram crescimento de 29% em valor e 24% em quantidade, quando comparados com o mesmo período de 2005, conforme tabela 5. Quando a análise se restringe à exportação de couros bovinos – vide tabela 1 – o crescimento em valor é de 30% e 27% em quantidade. Faltando apenas a exportação do quarto trimestre de 2006, a expectativa é de que a exportação em valor, ao final de 2006, se aproxime de US$ 1,8 bilhões, recorde histórico.

Até o final de setembro, saíram do país cerca de 26.400.000 couros bovinos. Deste total, pode-se dizer que 41% em forma de couros de alto valor agregado e 59% de baixo valor agregado, basicamente no estágio Wet Blue. A proporção entre a exportação com e sem valor agregado incomoda os analistas. A relação atual – para cada couro de valor agregado exportado, exporta-se 1,43 couros sem valor agregado – é vista como um desperdício por uns e como uma ameaça por outros.

O desperdício pode ser medido em valor. Se a relação fosse inversa, só nos primeiros nove meses de 2006 o país teria contabilizado mais US$ 250 milhões a seu favor, ou seja, a ausência de mecanismos e instrumentos pró-exportação majoritária de couro de maior valor agregado resulta em perda financeira considerável.

A ameaça ultrapassaria o segmento couro e adentraria nas relações dos diversos elos da cadeia produtiva – especialmente calçado - sobretudo em se tratando da atividade comercial como o mercado internacional.

 

 


Tabela 1 – Exportação de Couros Por Nº de Couros

Janeiro a Setembro – 2006 x 2005

Table 1 – Leather Exporation / By Nº of Hides

January to September – 2006 x 2005

 

Tipo de Couro

Kind of leather

 

Jan/Set 2006

 

 

Jan/Set 2005

 

2006/2005 (%)

Salgado / Salted

166.147

172.766

-3,83%

Wet-Blue

15.411.824

11.738.705

31,29%

Crust

2.601.750

2.589.396

0,48%

Acabado / Finished

8.220.389

6.242.710

31,68%

Sub-Total

26.400.110

20.743.577

27,27%

Solas / Soles

136.245

94.135

44,73%

Ovinos / Sheep

443.741

340.045

30,49%

Caprinos / Goats

240.597

637.377

-62,25%

Total Geral

27.220.693

21.815.134

24,78%

 

Fonte/ Source: SECEX

Organização/ Organization: Courobusiness

As tabelas 1 a 4, mostram um crescimento considerável da exportação de couro – com destaque para os de origem bovina – 27% em quantidade e 30,7% em valor – que se contrasta com a realidade nem sempre positiva de preponderância na exportação de um produto que vale US$ 29 em detrimento de outro que vale US$ 80 a unidade. A exportação se dá, no caso, sem restrições, ao livre jogo das forças do mercado. A única restrição presente – a taxação de 7% em 2006 e 4% em 2007, incidente sobre o couro Wet Blue -, não resulta, teoricamente, em efeito direto na exportação de valor agregado, embora há quem entenda que o início da taxação (9% em 2001) resultou no surgimento de novas plantas de couro Acabado, o que teria levado sua participação, no total, chegar a quase um terço.

 


Tabela 2 – Exportação de Couros/ Por Valor - US$ 1,00

Janeiro a Setembro – 2006 x 2005

Table 2 – Leather Exportation/ By Value – US$ 1.00

January to September – 2006 x 2005

Tipo de Couro

Kind of leather

Jan/Set 2006

Jan/Set 2005

2006/2005 (%)

Salgado / Salted

1.680.131

3.635.179

-53,78%

Wet-Blue

447.496.097

317.853.046

40,79%

Crust

175.423.804

173.237.726

1,26%

Acabado / Finished

658.679.939

486.651.773

35,35%

Sub-Total

1.283.279.425

981.377.724

30,76%

Solas /Soles

10.949.836

7.184.566

52,41%

Ovinos / Sheep

6.645.176

5.308.727

25,17%

Caprinos / Goats

2.183.726

2.506.445

-12,88%

Total Geral

1.303.058.163

996.377.462

30,78%

Fonte/ Source: SECEX

Organização/ Organization: Courobusiness

 


Tabela 3 - Exportação de Couros / Valor médio exportado

Janeiro a Setembro – 2006 x 2005

Table 3 - Leather Exportation / Average exporting value

January to September – 2006 x 2005

Tipo de Couro

Kind of leather

Jan/Set 2006

Jan/Set 2005

2006/2005 (%)

Salgado / Salted

10,11

21,04

-51,94%

Wet-Blue

29,04

27,08

7,23%

Crust

67,43

66,90

0,78%

Acabado / Finished

80,13

77,96

2,79%

Sub-Total

48,61

47,31

2,75%

Solas / Soles

80,37

76,32

5,30%

Ovinos / Sheep

14,98

15,61

-4,08%

Caprinos / Goats

9,08

3,93

130,81%

Total Geral

47,87

45,67

4,81%

Fonte/ Source: SECEX

Organização/ Organization: Courobusiness

 

 

 

 

Tabela 4 - Participação % na quantidade exportada

Janeiro a Setembro (2006 e 2005)

Table 4 - % participation in quantity exported

January to September (2006 and 2005)

Tipo de couro

Kind of leather

Jan/Set 2006

Jan/Set 2005

Salgado / Salted

0,63%

0,83%

Wet Blue

58,38%

56,59%

Crust

9,86%

12,48%

Acabado / Finished

31,14%

30,09%

Total Geral

100,00%

100,00%

Fonte/ Source: SECEX

Organização/ Organization: Courobusiness

Quando se constata a realidade da preponderância do couro Wet Blue, de baixíssimo valor agregado, e ela é confrontada com o destino que ele tem, a análise se desvia para o lado da ameaça estrutural da cadeia couro-calçados. A tabela VI nos impõe a realidade da preponderância do destino China mais Hong Kong. Para lá vão 44,5% do couro brasileiro, basicamente no estágio Wet Blue. O Brasil estaria se transformando em refém do mercado chinês, com duplo efeito perverso, ou seja, eles nos compram matéria-prima de baixo valor e a transformam em calçados igualmente de baixo valor que são exportados para os Estados Unidos, tomando progressivamente o mercado brasileiro no solo americano. Estima-se perda em 2006 de mais de 40 milhões de pares vendidos para os EUA. O que vai para a Itália também concorre na ponta da cadeia produtiva, com o diferencial da disputa se dar com calçado de maior valor, onde o Brasil ainda não tem tradição. Perder o mercado de baixo valor é uma ameaça que já nem é futura, pois já está ocorrendo.

Outro fenômeno que vem sem produzido em razão do fator China, é que para lá não vão só couro, mas também técnicos que, em situação normal, aqui trabalhariam. Vão também empresas inteiras. E essas empresas inteiras no futuro estarão trazendo novas ameaças, pois desejarão colocar também aqui no Brasil a produção feita na China e para isso vão lutar pela redução de tarifas de importação. Alimentando a indústria chinesa (de propriedade chinesa ou brasileira) de couro barato, o Brasil se inscreve como um potencial suicida quando o assunto é a cadeia couro-calçados. Essa afirmação nada tem a ver com mercado livre, ou seja, o que está por trás dela é a inércia governamental, a aceitação passiva de que nada se pode fazer para enfrentar os chineses no setor de calçados (bem como em têxteis) e que devemos nos conformar em assumir um papel secundário na relação de forças. Mesmo respeitando o livre mercado, sem impor-lhe restrições, o Brasil deveria, sim, adotar procedimentos que estimulem a reversão desse quadro, pois não há empresário que não gostaria de deixar de vender a US$ 29 aquilo que pode vender a US$ 80. Se o governo central não quer adotar política voltada para estimular a exportação de couro de valor agregado, então não deveria fazer nenhum tipo de restrição – como a taxação, por exemplo – que só tem servido para sugar algo em torno de US$ 35 milhões anuais do setor privado sem nenhuma contrapartida qualitativa.

Os debates dentro da indústria curtidora, como se vê em outra matéria desta edição, mostram que há duas correntes. Uma defende não só a taxação da saída do Wet Blue, mas que ela se dê em nível realmente inibidor, bem acima dos atuais 7%, mais que o dobro disso. A outra corrente não aceita a taxação, entendendo-a apenas como uma desnecessária transferência de recursos do setor privado para o público. Criticam ainda, e com razão, a ausência de programas e projetos governamentais voltados para a transformação do exportador de Wet Blue em exportador de couro de maior valor agregado. Essa corrente acredita que boa parte dos atuais exportadores de couro Acabado começou exportando couro Wet Blue, o qual, nesse sentido, teria cumprido o papel de “cartão de visita” do couro brasileiro, rompendo preconceitos e inibições naturais dos que não exportavam antes.

O balanço final dá conta de que a exportação de couro vem crescente progressivamente, gerando a expectativa de chegar a US$ 2 bilhões ao final de 2007, valor inimaginável há alguns anos. A indústria curtidora nacional abastece adequadamente o mercado interno e não há outra saída senão a exportação do excedente, mas, tanto o governo quanto as entidades empresariais, deveriam fazer um esforço adicional para qualificar a exportação brasileira. Não é o que vem ocorrendo até o momento. A contribuição da exportação de couro na balança comercial brasileira vem crescendo de importância, progressivamente, resta apenas dar o salto de qualidade que a indústria já mostrou ser capaz. Para isso, o estímulo governamental é fundamental, pois sua ausência no debate só favorece a exportação descompromissada, aquela que, apesar de legítima, carrega uma visão imediatista que pode dar bons resultados no presente, mas, certamente, pode gerar efeitos perversos no futuro e caracterizar o país de modo definitivo como mero fornecedor de matéria-prima de baixo valor agregado.

Não era essa a visão do CICB e dos empresários do setor há uma década, mas a ausência do debate e a acomodação empresarial estão levando a isso. Ganhos de curto prazo se acumulam, mas o futuro é incerto.

Tabela 5 - EXPORTAÇÃO BRASILEIRA DE COUROS E PELES (CAP. 41) – Jan/Set de 2006/05

Table 5 - BRAZILIAN EXPORTS OF HIDES AND SKINS (CHAP 41) – Jan/Sep 2006/05

SIT. MONETÁRIOS (US$)

VALUE (US$)

CRESC. (%)

GROWTH (%)

SIT. FÍSICA (Kg)

QUANTITY (KG)

CRESC. (%)

GROWTH (%)

MÊS

MONTH

ANO 2006

ANO 2005

VAR06

MÊS

ACUM.

ANO 2006

ANO 2005

VAR06

MÊS

MONTH

ACUM.

Jan

112.481.705

97.449.804

-15%

15%

15%

30.483.749

22.644.786

-6%

35%

35%

Fev
Feb

128.958.715

101.471.017

15%

27%

21%

31.997.736

23.377.850

5%

37%

36%

Mar

161.725.650

122.187.437

25%

32%

26%

39.680.467

29.800.210

24%

33%

35%

Abr
Apr

140.157.676

113.099.501

-13%

24%

25%

33.111.749

26.087.296

-17%

27%

33%

Mai
May

160.020.644

120.655.231

14%

33%

27%

36.391.707

29.390.983

10%

24%

31%

Jun

159.964.493

120.653.255

0%

33%

28%

36.831.446

28.988.239

1%

27%

30%

Jul

150.025.144

106.650.291

-6%

41%

30%

29.189.122

24.891.944

-21%

17%

28%

Ago
Aug

173.272.600

135.312.293

15%

28%

29%

37.063.201

32.577.877

27%

14%

26%

Set
Sep

158.289.472

121.855.923

-9%

30%

29%

32.873.411

29.604.619

-11%

11%

24%

Out
Oct

 

110.926.696

 

 

 

 

27.746.306

 

 

 

Nov

 

118.918.700

 

 

 

 

29.488.381

 

 

 

Dez
Dec

 

131.948.845

 

 

 

 

32.259.912

 

 

 

Total

1.344.896.099

1.401.128.993

 

 

 

307.622.588

336.858.403

 

 

 

Fonte/ Source: AICSUL

 

Tabela 6 - DESTINO DAS EXPORTAÇÕES DE COUROS E PELES POR PAÍSES (CAP.41)

2005/06 - BRASIL

Table 6 - DESTINATION OF HIDES AND SKINS EXPORTS BY COUNTRIES (CHAP 41)

PAÍSES

COUNTRIES

SIT.MONET. (US$)

VALUE

PERCENTUAL

PERCENTAGE

SIT.FÍSICA (Kg)

QUANTITY

PERCENTUAL

PERCENTAGE

 

Jan/Set 06

 

 

Jan/Set 05

 

PART06

CR.05/06

GROWTH

Jan/Set 06

Jan/Set 05

PART06

CR.05/06

GROWTH

Itália / Italy

351.659.070

244.133.207

26,15%

44%

96.791.277

68.142.881

31,46%

42%

Hong Kong

258.560.336

185.499.463

19,23%

39%

86.348.958

74.070.467

28,07%

17%

China

208.827.030

169.670.269

15,53%

23%

50.651.676

43.017.304

16,47%

18%

Estados Unidos / USA

154.877.612

116.483.619

11,52%

33%

10.716.813

8.513.057

3,48%

26%

Taiwan

32.582.123

28.851.050

2,42%

13%

5.572.734

6.755.941

1,81%

-18%

Portugal

29.972.343

4.933.047

2,23%

508%

2.433.913

465.325

0,79%

423%

Canadá

24.944.919

24.128.276

1,85%

3%

8.490.446

9.228.749

2,76%

-8%

Malásia / Malaysia

24.246.225

24.744.371

1,80%

-2%

5.204.191

4.877.662

1,69%

7%

África do Sul / South Africa

23.605.792

23.366.727

1,76%

1%

2.138.495

2.007.617

0,70%

7%

Japão / Japan

23.410.408

7.445.329

1,74%

214%

5.734.656

1.081.435

1,86%

430%

SUB-TOTAL

1.132.685.858

829.255.358

84,22%

37%

274.083.159

218.160.438

89,10%

26%

Demais Países

Other countries

212.210.241

210.079.394

15,78%

1%

33.539.429

29.203.366

10,90%

15%

TOTAL

1.344.896.099

1.039.334.752

100%

29%

307.622.588

247.363.804

100%

24%

Fonte/ Source: AICSUL

 


Tabela 7 - EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE COUROS POR CLASSIFICAÇÃO DAS NCMs

Jan / Set 2006

Table 7 - BRAZILIAN LEATHER EXPORTATION BY NCM CLASSIFICATION

January to September 2006

CLASSIFICAÇÃO DAS NCMs

NCM CLASSIFICATION

PESO LIQ. (KG)

WEIGHT

PART

(%)

US$ FOB

PART

(%)

Nº DE

COUROS

Nº OF HIDES

PREÇO MÉDIO

AVERAGE PRICE

P/ COURO

BY LEATHER

P/ KG

BY KILO

1. Peles salgadas/piqueladas de Bovinos até 14Kg (med.14Kg)

Salted/Pickled bovine skins up to 14 kg (ave. 14 kg)

1.137.198

0,37%

773.745

0,06%

81.228

9,53

0,68

2. Peles em Bruto de Bovinos salgadas acima 14Kg (med.25Kg)

Salted Bovine hides above 14 kg (ave. 25 kg)

2.122.957

0,69%

906.386

0,07%

84.918

10,67

0,43

3. Couros de Bovinos Wet Blue até 2,6m (med.9Kg)

Bovine Wet Blue hides up to 2.6m (ave. 9 kg)

35.984.116

11,70%

79.349.699

5,90%

3.998.235

19,85

2,21

4. Couros Bovinos Wet Blue, inclusive Raspas (med. 16Kg)

Bovine Wet Blue hides, incl. Scrappings (ave. 16 kg)

182.617.422

59,36%

368.146.398

27,37%

11.413.589

32,26

2,02

5. Couros Bovinos Sola (med. 18Kg)

Bovine hide soles (ave. 18 kg)

2.452.405

0,80%

10.949.836

0,81%

136.245

80,37

4,46

6. Couros Bovinos s/ Acabamento, inclusive vegetais (med.6Kg)

Bovine hides,without finishing, incl. Vegetable (ave. 6 kg)

14.793.029

4,81%

164.473.968

12,23%

2.465.505

66,71

11,12

7. Couros Bovinos com Acabamento (med. 6Kg)

Bovine hides with finishing (ave. 6 kg)

49.322.333

16,03%

658.679.939

48,98%

8.220.389

80,13

13,35

Sub-Total - Couros Bovino s

Subtotal - Bovine Hides

288.429.460

93,76%

1.283.279.971

95,42%

26.400.109

48,61

4,45

Demais Couros / Other hides

 

 

 

 

 

 

 

Peles de Eqüídeos / Horse hides

12.694.008

4,13%

46.639.814

3,47%

 

 

 

Peles de Ovinos / Sheep hides

443.741

0,14%

6.645.176

0,49%

 

 

 

Peles de Caprinos / Goat hides

240.597

0,08%

2.183.726

0,16%

 

 

 

Peles de Suínos / Pig hides

14.066

0,00%

119.987

0,01%

 

 

 

Peles de Répteis / Reptile hides

3.950

0,00%

95.011

0,01%

 

 

 

Peles de outros animais / Other animal skins

28.830

0,01%

1.610.695

0,12%

 

 

 

Aparas e couro reconstituído / Chippings and reconstructed leather

5.767.936

1,88%

4.321.719

0,32%

 

 

 

Sub-Total - Demais Couros

Subtotal – Other Hides

19.193.128

6,24%

61.616.128

4,58%

 

 

 

TOTAL DO CAP. 41 – COUROS

TOTAL OF CHAP 41 - HIDES

307.622.588

100,00%

1.344.896.099

100,00%

 

 

 

Fonte/ Source: AICSUL

Revista Courobusiness – Ed. 48 – Set/Out 2006

 

[ CRΙDITOS ]