Saldo comercial do “Boi ao Calçado” é 15% do saldo brasileiro Até setembro a exportação total é de US$ 6,38 bilhões, 14,8% a mais que no mesmo período de 2005
De janeiro a setembro de 2006, a exportação total da “Balança do Boi ao Calçado” alcançou US$ 6,380 bilhões, e as importações somaram US$ 1,181 bilhão. Registrando, portanto, um saldo comercial de US$ 5,199 bilhões.
Esse saldo positivo corresponde a 15,4% do saldo da Balança Comercial Brasileira, que, no mesmo período, foi de US$ 33,7 bilhões de dólares. Dúvidas não restam, é uma expressiva contribuição da “Balança do Boi ao Calçado”. No mesmo período de 2005, por exemplo, o saldo dessa balança foi de US$ 4,68 bilhões e representou cerca de 14,3% do saldo comercial brasileiro. Como se observa, a contribuição dos segmentos analisados pela COUROBUSINESS ao saldo comercial brasileiro situa-se na faixa de 15%.
A análise dos itens que a compõem
A respeito dos itens mais representativos e que mais contribuíram para o saldo de US$ 5,19 bilhões da balança do “Boi ao Calçado”, três continuam merecendo destaque em 2006, comparados ao mesmo período de 2005, tal como nas últimas análises apresentadas por COUROBUSINESS. São eles: carne, calçados e couro, que somam 92% do saldo total da Balança do “Boi ao Calçado” e juntos geraram um saldo comercial de US$ 5,05 bilhões.
O primeiro deles é “Carne de bovino in natura” (NCM 0201100 a 0202300), que compreende 42% do saldo total e teve um crescimento equivalente a 16,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O segundo é o que abrange o segmento de “Calçados e suas partes” (Cap. 64 da NCM), que chega a 27% do total e que, nos sete primeiros meses de 2006, teve queda de 2,61% em relação à 2005, já que a importação em 2006 teve um expressivo aumento relativo (cerca de 25,6% a mais que 2005). A elevação da importação de calçados vem acontecendo desde 2005, quando houve um aumento de 69,4% sobre 2004, mas, em valor, ainda pode ser considerada pouco expressiva.
E o terceiro setor é o de “Couro” (Cap. 41 da NCM), que em 2006 representou 24% do saldo total e crescimento de 31,5% em relação ao ano de 2005, graças a um significativo crescimento das exportações, como se pode ver na análise da seção “Comércio Exterior”.
Os valores totais da exportação segundo os itens
Em relação à exportação do ano de 2006 até setembro, o quadro I mostra o valor total de US$ 6,38 bilhões, que corresponde a um crescimento de 14,8% em comparação ao mesmo período de 2005, quando a exportação foi da ordem de US$ 5,5 bilhões (vide quadros I e II). Os três itens mais representativos – carne, calçados e couro - somam R$ 5,05 bilhões, portanto, 71% do total da exportação.
Quando a análise do crescimento de exportação em 2006 é realizada em torno destes três itens, percebe-se que “Carne de bovino in natura” teve aumento de 14,8%. De 2004 para 2005, nesse mesmo período, o aumento foi de 34%. Houve, então, uma queda no crescimento relativo da exportação nos últimos dois anos, certamente ainda sob efeito dos problemas decorrentes da febre aftosa, que fez com que países da Europa suspendessem a compra, e de algumas restrições que alcançam o período em análise.
Já o segmento “Calçados e suas partes” teve queda de 1,13% nas exportações. O “fenômeno China”, que está levando à perda de mercado brasileiro nos Estados Unidos para a China, continua sendo o principal responsável por esse resultado, somado, claro, à questão cambial.
O segmento de “Couro” foi o que mais cresceu. Exportou 29,3% a mais que o mesmo período do ano passado. De 2004 para 2005, o crescimento foi de 8,5%. Mas a exportação dos segmentos dos setores que compõem a balança precisa ser analisada em seu conjunto, pois os crescimentos individualmente mais significativos estão se dando em segmentos de menor valor agregado. Talvez seja um ajuste da cadeia coureiro-calçadista, como forma até inconsciente de se safar da crise causada pela expansão comercial chinesa.
O item que teve o maior crescimento relativo na exportação em 2006 é um dos que têm a menor representatividade na Balança, o de “Bovinos vivos” (NCM 0102), com apenas 0,8%. O aumento foi de 250%. Ele vem a cada ano ocupando mais espaço na Balança do “Boi ao Calçado”. Na análise dos resultados de 2004 para 2005, já se percebeu um significativo aumento na exportação deste segmento, cerca de 430%.
As importações da balança do “Boi ao Calçado”
Os números já apresentados evidenciam o que é de conhecimento geral, ou seja, a cadeia do “Boi ao Calçado” é essencialmente exportadora. Em 2004, a importação total representou 18,2% da exportação; em 2005, este percentual caiu para 14,1%. Mas em 2006, ele voltou a crescer e foi para 18,5%. Outro dado: em 2005, até setembro, para cada US$ 1,00 importado, exportou-se US$ 5,02. Em 2006, a relação se manteve praticamente a mesma: para cada US$ 1,00 importado, exportou-se US$ 5,40.
A análise das importações também é importante e requer cuidados, pois apesar de ter o efeito aparentemente perverso de reduzir o saldo comercial, é importante para alavancar produção e exportação.
Os itens que mais foram importados em valores absolutos dentro da cadeia do “Boi ao Calçado”, com base nos dados de 2006, foram: componentes para calçados (US$ 832,2 milhões), couro (US$ 107,3 milhões), calçados e suas partes (US$ 103,1 milhões).
À exceção de “Componentes para calçados”, as importações podem ser consideradas inexpressivas e dentro do contexto da relação de trocas entre países e das necessidades setoriais. A importação de “couro”, por exemplo, é apenas cerca de 8% do total exportado. A importação de “Calçados” nos sete primeiros meses desse ano foi de US$ 103,1 milhões de dólares, pouco maior que a do mesmo período de 2005, quando foi de US$ 82,9 milhões.
Mas o setor de “Componentes para calçados” fecha o período com saldo negativo de US$ 107,9 milhões. “Máquinas e equipamentos”, especialmente para a indústria de calçados, tem pequeno volume de negócios no mercado externo, pois a indústria calçadista se abastece na indústria nacional. Já máquinas para a indústria do couro mantêm a tradição de importação. Nos nove primeiros meses deste ano, importou US$ 5,8 milhões a mais que exportou. Em 2005, no mesmo período, o valor foi praticamente o mesmo. É que a indústria do couro se abastece essencialmente no mercado internacional de máquinas e tem mais necessidade de atualização tecnológica do que a indústria de calçados.
Conclusão das análises e expectativa para 2006
Os números totais da “Balança Comercial do Boi ao Calçado” – que podem ser vistos nos quadros I e II a seguir – revelam um conjunto de segmentos em constante crescimento e que são detentores de largo potencial de crescimento. A balança comercial do “Boi ao Calçado”, como estimado no início de 2006, deverá fechar o ano com saldo comercial equivalente a 15% do saldo comercial brasileiro, algo próximo, em valor, a US$ 7 bilhões.
QUADRO I
Balança Comercial do “Boi ao Calçado”
Janeiro a setembro de 2006 - US$ 1,00
CLASSIFICAÇÃO NCM |
EXPORTAÇÃO |
IMPORTAÇÃO |
SALDO |
CAP. 41 – Couro |
1.344.896.099 |
107.310.260 |
1.237.585.839 |
CAP. 42 – Artefatos de couros (seleiro, malas, vestuário) |
97.734.555 |
84.391.949 |
13.342.606 |
CAP. 43 – Peleteria e suas obras |
19.472.734 |
394.031 |
19.078.703 |
CAP. 64 – Calçados e suas partes |
1.488.318.458 |
103.131.116 |
1.385.187.342 |
NCM 84531010 a 84531090
Máquinas e Equipamentos para Couro |
916.098 |
6.792.442 |
-5.876.344 |
NCM 84532000
Máquinas e Equipamentos para Calçados |
2.786.120 |
2.148.151 |
637.969 |
NCM 0102 – Bovinos vivos |
55.565.079 |
599.802 |
54.965.277 |
NCM 16025 – Carnes e Miudezas da espécie bovina (industrializada) |
487.170.059 |
21.800 |
487.148.259 |
NCM 0201100 a 0202300 – Carne de bovino “in natura” |
2.219.474.334 |
44.863.089 |
2.174.611.245 |
Várias NCM's – Componentes para Calçados |
664.363.457 |
832.270.976 |
-167.907.519 |
TOTAL |
6.380.696.993 |
1.181.923.616 |
5.198.773.377 |
Fonte dos dados brutos: MDIC-SECEX
Organização: Revista COUROBUSINESS
QUADRO II
Balança Comercial do “Boi ao Calçado”
Janeiro a setembro de 2005 - US$ 1,00
CLASSIFICAÇÃO NCM |
EXPORTAÇÃO |
IMPORTAÇÃO |
SALDO |
CAP. 41 – Couro |
1.039.334.752 |
98.108.705 |
941.226.047 |
CAP. 42 – Artefatos de couros (seleiro, malas, vestuário) |
100.896.911 |
54.772.766 |
46.124.145 |
CAP. 43 – Peleteria e suas obras |
12.081.120 |
709.486 |
11.371.634 |
CAP. 64 – Calçados e suas partes |
1.505.452.899 |
82.924.262 |
1.422.528.637 |
NCM 84531010 a 84531090
Máquinas e Equipamentos para Couro |
1.480.229 |
6.517.489 |
-5.037.260 |
NCM 84532000
Máquinas e Equipamentos para Calçados |
2.126.043 |
1.494.499 |
631.544 |
NCM 0102 – Bovinos vivos |
22.138.342 |
466.065 |
21.672.277 |
NCM 16025 – Carnes e Miudezas da espécie bovina (industrializada) |
366.507.688 |
369.953 |
366.137.735 |
NCM 0201100 a 0202300 – Carne de bovino “in natura” |
1.932.389.408 |
56.915.907 |
1.875.473.501 |
Várias NCM's – Componentes para Calçados |
574.704.716 |
803.175.272 |
-228.470.556 |
TOTAL |
5.557.112.108 |
1.105.454.404 |
4.451.657.704 |
Fonte dos dados brutos: MDIC-SECEX
Organização: Revista COUROBUSINESS
Revista Courobusiness – Ed. 48 – Set/Out 2006