{ REVISTA COUROBUSINESS }
{ REVISTA COUROBUSINESS }
A REVISTA   |   ASSINATURAS   |   FALE CONOSCO   |    EDIÇÕES ANTERIORES

Balança do “Boi ao Calçado” contribui com 15,5% do saldo comercial brasileiro em 2006

A exportação total: US$ 8,75 bilhões 19,8% a mais que em 2005 Saldo comercial de US$ 7,127 bilhões!

Em 2006, a cadeia coureiro-calçadista enfrentou uma série de problemas no mercado externo, principalmente por causa da questão cambial e da expansão comercial chinesa. A importação aumentou em todos os segmentos da Balança, com exceção ao de Carne e Bovino em Natura. Mas o segmento que se sente mais prejudicado, com justa razão, pois os números negativos comprovam, é o de Calçados - e os demais ligados a ele.

Já em 2005, os números do setor de calçados apontavam para um saldo decrescente em termos relativos, apenas 1,6% em relação a 2004, pois a importação de calçados em 2005 teve um aumento expressivo de 69,4% sobre 2004 (vide Courobusiness, edição 44).

Ainda em relação a calçados, as exportações de 2005 aumentaram apenas 4,2%. Também um resultado distante do ano de 2004, que cresceu 17% a mais do que o ano anterior. Em 2006, apesar do crescimento em quantidade exportada, que não é objeto desta análise, a exportação de calçados, em valor, caiu pouco mais de 1% em relação a 2005. A importação, por outro lado, cresceu 22% em valor no mesmo período.

Apesar do comportamento do segmento de calçados, no geral a exportação total da “Balança do Boi ao Calçado” teve bom comportamento e alcançou US$ 8,756 bilhões, contra importações de US$ 1,627 bilhão, registrando, portanto, o expressivo saldo comercial de US$ 7,129 bilhões. Esse saldo positivo corresponde a 15,5% do saldo da Balança Comercial Brasileira, que fechou o ano em US$ 46 bilhões de dólares.

Em comparação ao ano de 2005, percebe-se um avanço, posto que a Balança Comercial do “Boi ao Calçado” de 2005 teve saldo positivo de US$ 6,3 bilhões, que correspondeu a 14,3% do saldo da Balança Comercial Brasileira, cujo saldo foi US$ 44,7 bilhões.

Em síntese, a cadeia do “Boi a Calçado” continua dando contribuição positiva para a Balança Comercial Brasileira.

 

A análise dos itens sob a ótica do saldo comercial

A respeito dos itens mais representativos e que mais contribuíram para o saldo de US$ 7,129 bilhões da balança do “Boi ao Calçado”, assim como nas últimas análises apresentadas por COUROBUSINESS, três mereceram destaque em 2006. São eles: carne, calçados e couro, que somam 92% do saldo total da Balança do “Boi ao Calçado”. Juntos, geraram um saldo comercial de US$ 5,05 bilhões.

O primeiro deles, “Carne de bovino in natura” (NCM 0201100 a 0202300), compreende 43% do saldo total e teve um crescimento bastante expressivo de 31,1% em relação a 2005.

O segundo é o que abrange o segmento de “Calçados e suas partes” (Cap. 64 da NCM). Em 2006, o saldo de calçados representou 25,4% do saldo total da balança, participação decrescente em função do aumento da importação em 22,1% em 2006. A elevação da importação de calçados vem acontecendo gradualmente. Em 2005, por exemplo, a importação cresceu 69,4% sobre 2004.

O terceiro setor, o de “Couro” (Cap. 41 da NCM), representou em 2006 24,3% do saldo total e teve crescimento de 36,3% em relação ao ano de 2005, graças a um significativo crescimento das exportações. Sua representatividade na Balança do Boi ao Calçado praticamente se iguala ao setor de calçados.

 

Os valores totais da exportação segundo os itens

Em relação à exportação do ano de 2006, o quadro I mostra o valor total de US$ 8,75 bilhões, que corresponde a um crescimento de 19,8% em comparação a 2005, quando a exportação foi da ordem de US$ 7,3 bilhões (vide quadros I e II).

Os três itens mais representativos – carne, calçados e couro - somam R$ 6,7 bilhões, portanto, 79,6% do total da exportação.

Analisando o crescimento de exportação no ano de 2006 em torno destes três itens, percebe-se que “Carne de bovino in natura” teve aumento de 29,55%. De 2004 para 2005, o aumento foi de 26,3%. Houve um pequeno aumento no crescimento relativo da exportação nos últimos dois anos, mas muito significativo, visto que de 2004 para 2005 a queda nas exportações foi grande. Certamente ainda sob efeitos decorrentes da febre aftosa, que fez com que países da Europa suspendessem a compra, além de algumas restrições comerciais que alcançaram o período em análise. Observa-se, portanto, que hoje os países importadores já estão mais confiantes em relação à qualidade da carne bovina brasileira.

Já o segmento “Calçados e suas partes” apresenta uma queda de 1,2% no valor total das exportações em 2006. Mais uma vez uma das causas é a expansão chinesa no mercado internacional, com oferta de produtos com valores bem mais baixos, levando a uma competição desigual no mercado internacional, absorvendo compradores tradicionais e potenciais do Brasil, especialmente nos Estados Unidos. A desvalorização do dólar frente ao real é outro fator importante.

O segmento de “Couro”, como nas demais análises ao longo do ano, foi o que mais cresceu. Em 2006, exportou 34% a mais que no ano anterior. De 2004 para 2005, o crescimento foi de 8,5%.

Em meio a todas essas análises, o item que teve o maior crescimento relativo na exportação em 2006, mais uma vez, é um dos que tem a menor representatividade na Balança, o de “Bovinos vivos” (NCM 0102). O aumento foi de 233%. Ele vem a cada ano ocupando mais espaço na Balança do “Boi ao Calçado”. Na análise dos resultados de 2004 para 2005, já se percebeu um significativo aumento na exportação deste segmento, de 430%, mas sua representatividade no conjunto é inexpressiva, menos de 1%.

 

As importações da balança do “Boi ao Calçado”

A cadeia do “Boi ao Calçado”, evidentemente, é essencialmente exportadora. Mas é interessante analisar, também, o que os números dizem sobre importação, para entender melhor os fatos.

Em 2005, a importação total representou 14,1% da exportação. Em 2006, esse número foi para 18,5%. Outro dado: em 2005, para cada US$ 1,00 importado, exportou-se US$ 7,00. Em 2006, para cada US$ 1,00 importado, exportou-se US$ 5,37. A queda nessa relação evidencia a necessidade de análises comportamentais mais profundas da parte dos formuladores de políticas públicas. O que fazer para manter a relação nos mesmos patamares de anos anteriores?

As importações são importantes para alavancar produção e exportação, e trazer novas tecnologias.

Os itens que mais foram importados em 2006, em valores absolutos, dentro da cadeia do “Boi ao Calçado” foram: “componentes para calçados” (US$ 1,122 bilhão), “calçados e suas partes” (US$ 149 milhões) e “couro” (US$ 144 milhões). À exceção de “Componentes para calçados”, as importações podem ser consideradas inexpressivas e dentro do contexto da relação de trocas entre países e das necessidades setoriais. A importação de “Calçados” em 2006, por exemplo, teve um aumento relativo importante, da ordem de 22,1% em relação ao ano anterior, decorrente da expansão chinesa. Mas tanto a importação de calçados, quanto a de couro, em valor, permanecem em percentuais aceitáveis quando comparada com a exportação. A relação importação versus exportação, de ambos, situou-se, em 2006, na casa de 7,6%.

Já o setor de “Componentes para calçados” foi o único, entre os três citados, que fechou o período com saldo negativo de US$ 225 milhões.

“Máquinas e equipamentos”, especialmente para a indústria de calçados, tem pequeno volume de negócios no mercado externo, pois a indústria calçadista se abastece na indústria nacional. Já “máquinas para a indústria do couro”, manteve a tradição de importação. E, em 2006, importou US$ 9,5 milhões. A indústria do couro se abastece de máquinas essencialmente no mercado internacional e tem mais necessidade de atualização tecnológica do que a indústria de calçados. Investe, por ano, na compra de novos equipamentos, entre US$ 8 e US$ 10 milhões de dólares.

 

Conclusão das análises e expectativa para 2007

A cadeia do “Boi ao Calçado” continua contribuindo positivamente para a balança comercial brasileira. Em 2006, a contribuição superou US$ 7 bilhões. Analistas entendem que não só é possível exportar mais, bem como é necessário qualificar as exportações, enfatizando a busca de mercados de maior valor agregado.

O segmento que merece maior atenção é o de calçados, e nas duas pontas. As exportações não têm evoluído satisfatoriamente, e as importações crescem ano a ano. No geral, como ficou patente no Congresso Brasileiro de Calçados, realizado durante a Couromoda, a indústria nacional aparenta ainda não ter encontrado a melhor forma de enfrentar o fenômeno China no mercado internacional e contenta-se em lamuriar a questão cambial. Há exceções, claro. Mas a posição oficial da entidade que representa a indústria de calçados bate sempre na tecla cambial, como se o setor dependesse única e exclusivamente de ações governamentais. Muitas empresas estão provando que não, que é necessário e possível adotar estratégias comerciais dentro do contexto macroeconômico.

A indústria do couro tem dado contribuição magnífica às estatísticas comerciais brasileiras, embora persista a significa exportação de couros de baixo valor agregado. O governo federal elevou a taxação incidente sobre a exportação do Wet Blue para 9% sobre o valor FOB. Só o tempo dirá se os efeitos pretendidos – reduzir exportação de Wet Blue e aumentar de Acabado – serão alcançados.

Em síntese, a Revista Courobusiness acredita que o governo federal deveria dar atenção especial à Balança do Boi ao Calçado, sobretudo em relação aos segmentos Calçados, Couro e Carne “in natura”, que têm enorme potencial a ser explorado.

 

BALANÇA COMERCIAL DO “BOI AO CALÇADO”

Janeiro a Dezembro de 2006

Valores em US$

 

CLASSIFICAÇÃO NCM

EXPORTAÇÃO

IMPORTAÇÃO

SALDO

CAP. 41 – Couro

1.878.351.847

144.203.312

1.734.148.535

CAP. 42 – Artefatos de couros (seleiro, malas, vestuário)

130.535.566

132.866.609

-2.331.043

CAP. 43 – Peleteria e suas obras

27.601.071

496.544

27.104.527

CAP. 64 – Calçados e suas partes

1.957.276.332

149.166.721

1.808.109.611

NCM 84531010 a 84531090

1.177.009

9.589.768

-8.412.759

NCM 84532000

3.762.660

2.671.460

1.091.200

NCM 0102 – Bovinos vivos

73.406.610

803.172

72.603.438

NCM 16025 – Carnes e Miudezas da espécie bovina (industrializada)

654.166.619

36.716

654.129.903

NCM 02011000 a 02023000 – Carne de bovino “in natura”

3.134.435.810

65.784.430

3.068.651.380

Componentes para Calçados

896.278.368

1.122.122.456

-225.844.088

TOTAL

8.756.991.892

1.627.741.188

7.129.250.704

 

 

BALANÇA COMERCIAL DO “BOI AO CALÇADO”

Janeiro a Dezembro de 2005

Valores em US$  

CLASSIFICAÇÃO NCM

EXPORTAÇÃO

IMPORTAÇÃO

SALDO

CAP. 41 – Couro

1.401.128.993

128.719.765

1.272.409.228

CAP. 42 – Artefatos de couros (seleiro, malas, vestuário)

138.942.099

87.747.172

51.194.927

CAP. 43 – Peleteria e suas obras

18.013.649

804.703

17.208.946

CAP. 64 – Calçados e suas partes

1.979.366.773

122.384.874

1.856.981.899

NCM 84531010 a 84531090

2.435.537

8.252.890

-5.817.353

NCM 84532000

2.869.180

1.838.689

1.030.491

NCM 0102 – Bovinos vivos

31.467.667

561.362

30.906.305

NCM 16025 – Carnes e Miudezas da espécie bovina (industrializada)

524.703.617

516.321

524.187.296

NCM 02011000 a 02023000 – Carne de bovino “in natura”

2.419.103.224

79.665.002

2.339.438.222

Componentes para Calçados

791.199.569 

601.164.244

190.035.325

TOTAL

7.309.230.308

1.031.655.022

6.277.575.286

Revista Courobusiness – Edição nº 50 – jan/fev 2007

 

 

[ CRÉDITOS ]