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Panoramas setoriais pontuais
1º de uma série: Produtor rural. Oferta de couro. Exportação de calçados de couro. Análises não usuais.
Produtor rural: abastece o mercado e paga a conta
Tabela 1 - Pecuária Bovina de corte no Brasil – Em milhões de unidades
Itens |
2002 |
2003 |
2004 |
2005 |
2006 |
2007 |
Rebanho Bovino |
179,2 |
189,1 |
197,8 |
202,7 |
204,7 |
207,2 |
Taxa de Abate |
19,82 |
19,91 |
20,94 |
21,25 |
21,67 |
21,72 |
Abate |
35,5 |
37,6 |
41,4 |
43,1 |
44,4 |
45 |
Fonte: Conselho Nacional da Pecuária de Corte
Análise
A taxa de abate de bovinos no Brasil cresce moderadamente a cada ano desde 2002, até alcançar 21,72% em 2007. Com o crescimento do rebanho bovino seguindo a mesma tendência, o número de bovinos abatidos chega ao final de 2005 com o registro de 45 milhões de cabeças. Como o objetivo do “Panorama Setorial COUROBUSINESS” é o couro como matéria-prima e produto acabado, é teoricamente a disponibilidade que atende à demanda do mercado interno e gera excedentes para a exportação, dada a impossibilidade concreta da indústria nacional – de calçados, móveis em couro, artefatos de couro, etc. - Consumir internamente todos as 45 milhões de unidades de couro. Mantidas as mesmas expectativas de crescimento, tanto do rebanho quanto do abate, o Brasil poderá ter em 2015 um rebanho bovino de 255,8 milhões de cabeças e uma disponibilidade interna de 69,5 milhões de couro. (Projeções do CICB e do CNPC) Confirmadas essas projeções, o Brasil terá dado em 25 anos um salto na produção mundial de couro, passando de 7,6% em 1990 para 22,2% em 2015 (fonte CICB), razão mais que suficiente para se ter uma política setorial consistente, desde o produto rural até o produto manufaturado. Não se pode olhar o couro apenas como matéria-prima para a indústria nacional e para exportação. O couro é, antes de tudo, um subproduto econômico relevante para a pecuária bovina vista como atividade empresarial. Qualquer política de natureza econômica ou tributária que se adote na cadeia produtiva, não pode deixar de levar em conta seus efeitos junto ao produtor rural, sob pena de transferir para ele problemas que não lhe pertence. A taxação do Wet Blue, por exemplo, é uma conta paga pelo produtor rural.
Oferta de couro: a indústria nacional é plenamente atendida
Tabela 2 - COURO – Produção, Importação, Exportação, Disponibilidade para produzir calçados e manufaturados de couro. Em milhares de unidades.
Itens |
2002 |
2003 |
2004 |
2005 |
2006 |
2007 |
Produção |
35.500,0 |
37.600,0 |
41.400,0 |
43.100,0 |
44.400,0 |
45.000,0 |
Importação |
1.770,0 |
2.030,0 |
2.440,0 |
2.190,0 |
2.000,0 |
1.850,0 |
Exportação |
18.837,7 |
21.636,9 |
26.183,7 |
27.946,9 |
34.579,2 |
32.869,5 |
Disponibilidade |
18.432,3 |
17.993,1 |
17.656,3 |
17.343,1 |
11.820,8 |
13.980,5 |
Análise
A tabela 2 aponta um resultado básico para se entender a relação entre oferta e demanda de couro pela indústria de calçados. Nos últimos dois anos, a disponibilidade de couro para a indústria nacional, após a exportação direta de couro, situa-se na média em 12,9 milhões de unidades. Teoricamente a disponibilidade em 2007, por exemplo, dá para produzir cerca de 350 milhões de pares de calçado de cabedal de couro (1 couro = 25 pares). Não há, nem nunca houve, ausência de oferta para atender as indústrias exportadores de calçados e manufaturados de couro, inclusive para atender o mercado interno.
Calçados: a queda vertiginosa da exportação de calçados de couro
Tabela 3 – CALÇADOS: Exportação total em milhões de pares; % exportado em cabedal de couro; quantidade exportada em cabedal de couro; quantidade de couro necessária para fabricar o calçado exportado; disponibilidade para atender ao mercado interno.
Itens |
2002 |
2003 |
2004 |
2005 |
2006 |
2007 |
Exportação Total |
164 |
189 |
212 |
189 |
180 |
177 |
Exportação em cabedal de couro (%) |
72 |
63 |
58 |
55 |
49 |
42 |
Idem em número de pares |
118 |
119 |
122 |
103 |
88 |
74 |
Quantidade de couro necessária para atender a exportação |
4,72 |
4,76 |
4,88 |
4,12 |
3,52 |
3,0 |
Disponibilidade de couro para indústria. |
18,4 |
17,9 |
17,6 |
17,3 |
11,8 |
13,9 |
Análise
A indústria nacional de calçados não tem problema para se abastecer da matéria-prima couro. O discurso antigo, que serviu para induzir decisões equivocadas como taxar a saída do couro Wet Blue não tem mais o menor sentido. O dado mais relevante da tabela acima é a constatação de que a exportação de calçados de couro a cada ano perde espaço para a exportação de calçados de outros materiais (injetados, plásticos, têxteis). Em 2002, calçados de couro representavam 72% do total exportado. Em 2007, eles são apenas 42%. Não há nenhum compromisso na exportação de calçados de couro, nem pela própria indústria nem pelas autoridades governamentais e agências de promoção comercial. Não há, pois, que se usar o couro para o alcance de medidas protecionistas.
Revista Courobusiness, Ed. 60 – Set/out 2008.

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