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OPORTUNIDADES DE NEGÓCIO NA ÁFRICA DO SUL

A África do Sul, um dos países mais importantes do continente africano, começa a despertar a atenção de investimentos de todo o mundo. Consciente disso, a Unidade de Inteligência da APEX-BRASIL preparou um estudo de oportunidades daquele mercado – disponível em seu site – do qual COUROBUSINESS retirou três pequenas partes para incitar a curiosidade e o interesse do empresário da cadeia couro e calçados. Os três itens destacados são: Investimentos, Canais de Distribuição e o resumo das Recomendações feitas pelo autor do estudo.

 

1 - INVESTIMENTOS

A África do Sul oferece investimentos nos seguintes setores:

•  Agronegócios: pesca, floricultura, plantas para processamento de sucos, sucos, processamento de carnes, produção de vinho, confeitos (chocolate), chás indígenas e fibras naturais.

•  Automotivo: interiores ( airbags , console, painéis de instrumentos), componentes e partes para motores (compressores de ar condicionado), eletrônicos, componentes para trens, parte e acessórios, componentes de alumínio.

•  Químico: químicos especiais (agroquímicos, produtos domésticos, óleo químico), químicos inorgânicos (manganês, cromo, titânio, flúor), químicos orgânicos (aromáticos, fragrâncias, plásticos), farmacêutico (drogas, pesquisa e desenvolvimento, testes clínicos).

•  Serviços de TI – centrais de atendimento, processamento de dados, serviços de rede.

•  Elétrico (fabricação de equipamentos eletrônicos para automóveis e outros)

•  Têxtil, vestuário e calçados- atividades de costura, tecimento, entre outras.

•  Aeroespacial, ferrovias e navios - máquinas, equipamentos e serviços.

•  Mineração e equipamentos para indústria de metais

•  Turismo (hotéis, resorts, eco-turismo, turismo cultural, desenvolvimento de infra-estrutura, campos de golfe)

 

2 - CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO

Há inúmeros métodos para distribuição e venda na África do Sul. A venda de produtos pode ser por meio de um agente ou distribuidor, por intermédio de atacadistas ou negociantes estabelecidos; por venda direta às cadeias de lojas de departamentos ou outros varejistas; ou estabelecimento de uma filial ou subsidiária.

Cerca de 50% das vendas totais de mercadorias passam por atacadistas e varejistas antes do consumidor final; 40% das vendas são feitas do fabricante diretamente para o varejista; 5% do atacadista diretamente ao consumidor; e 5% evitam tanto o atacadista quanto o varejista, alcançando o consumidor diretamente do produtor ou do importador.

Existem termos bastante específicos para “agentes” e distribuidores na África do Sul. Agentes trabalham em base de comissão, após terem obtido encomenda de clientes. Já os distribuidores compram as mercadorias e as revendem diretamente a clientes. Os agentes são usados principalmente na distribuição de bens de consumo e de algumas matérias-primas industriais.

A contratação de agentes é muito útil, especialmente quando os produtos são muito competitivos e precisam de um mercado amplo. Os agentes locais que representam exportadores estrangeiros, fabricantes, despachantes, ou outros indivíduos fora da África do Sul são responsáveis por todos os regulamentos e controles impostos aos exportadores estrangeiros. Os agentes locais devem estar registrados junto ao Diretor de Controle de Importações “Director of Import and Export Control” do Ministério do Comércio e Indústria (“Department of Trade and Industry”).

Um fenômeno interessante nos canais de distribuição na África do Sul foi o crescimento de hipermercados, que oferecem grande quantidade de produtos por um preço bem mais acessível. Seus produtos são comprados diretamente de fabricantes. Outro fator interessante é que o correio direto representa um canal de distribuição crescente para os bens de consumo.

 

3 - RECOMENDAÇÕES

A África do Sul é o país mais desenvolvido do continente Africano e apresenta boas oportunidades de negócio para o Brasil, que já tem uma significativa participação nas importações sul-africanas de açúcares e produtos de confeitaria, incluindo balas e confeitos (42,9%) e carnes (62,2%), na categoria de alimentos, bebidas e agronegócio. O Brasil tem possibilidade de aumentar suas exportações nessa categoria, especificamente de pet food , sementes de produtos hortículas, peixes e crustáceos, café descafeinado, frutas, sucos e cachaça. Para obter um melhor desempenho desses produtos no mercado sul-africano, seria interessante um maior contato com atacadistas e redes de supermercados locais com o intuito de promover as marcas brasileiras.

Na categoria de máquinas e equipamentos, o país importa uma grande variedade de produtos, sendo que o grupo de máquinas, equipamentos e instrumentos mecânicos foi o mais importado em 2004 pelo país, no valor de US$ 7,7 bilhões. O Brasil contribuiu somente com 1,9% dessas importações. Existem oportunidades para exportação de máquinas para processamento de dados e suas unidades, máquinas agrícolas, bombas de ar a vácuo e refrigeradores, além de outras máquinas. Na categoria de máquinas e materiais elétricos, há oportunidades para aparelhos de televisão, de telecomunicação, de gravação, câmeras de vídeo etc.

O Brasil possui uma participação de 7,5% nas importações de veículos, automóveis e outros terrestres, partes e acessórios da África do Sul. Existem oportunidades para exportação de autopeças, sendo que General Motors, Volkswagen, Fiat e Ford já exportam componentes de suas fábricas brasileiras para a África do Sul.

As importações de plástico somaram US$ 1,2 milhões, em 2004, sendo que polietileno e outros artigos de plástico das posições 3901 a 3914 para a aviação civil foram os produtos mais importados. Existem também oportunidades para exportação de garrafas, rolhas, tampas, cápsulas, caixas, engradados, utensílios de mesa e cozinha, artigos de escritório e artigos escolares, além de outros. Na categoria de borracha e suas obras, pneus novos de borracha foram os produtos com maior destaque nas exportações. Há também oportunidades para exportação de obras de ferro e aço e papel.

No setor de tecnologia e saúde, existem oportunidades para artigos e equipamentos médico-odontológicos e hospitalares, produtos farmacêuticos e equipamentos para telecomunicações. No que diz respeito a equipamentos médico-odontológico hospitalares, há uma forte demanda por produtos de alta tecnologia. Analistas da indústria recomendam parcerias ou joint-ventures como forma de facilitar a entrada no mercado sul-africano.

O setor de moda oferece várias oportunidades. A África do Sul importou US$ 404,8 milhões em calçados, sendo que o Brasil participa somente com 2,2% desse total. Além de calçados, outras oportunidades existem para exportação de vestuário, brinquedos, óleos, produtos de perfumaria e preparações cosméticas, produtos da indústria têxtil, peles e couro e pedras semipreciosas.

Na categoria de Casa e Construção Civil, o Brasil destaca-se nas exportações de produtos cerâmicos, tendo contribuído com 7% do total importado pela África do Sul em 2004. Há oportunidades para exportação de móveis de madeira e de metal, lustres e outros aparelhos de iluminação, ladrilhos, tijolos e peças cerâmicas e ferramentas manuais, incluindo cortadores de vidro, facas, lâminas de corte de metais básicos para máquinas ou ferramentas mecânicas entre outros.

Para ter sucesso no mercado sul-africano, o ideal é que estudos aprofundados desse mercado sejam realizados para o desenvolvimento de ações específicas. Além disso, recomenda-se a realização de publicidade em massa para lançamento de novidades, já que os sul-africanos preferem produtos de marcas conhecidas. Uma forma de lançamento de produtos novos no mercado é a realização de feiras com distribuição de brindes, sendo também importante a veiculação de anúncios em revistas específicas de mercado.

 

Comentários COUROBUSINESS:

 

O país deverá deter boa parte da atenção mundial nos próximos, em razão de sediar a Copa do Mundo de futebol em 2010. Tanto couro quanto calçados brasileiros já estão presentes naquele País. O próprio estudo informa que a África do Sul importou cerca de US$ 400 milhões de dólares de calçados brasileiros, mas que isso representa pouco mais de 2% do seu mercado. Há, pois, um enorme campo de trabalho para as indústrias de calçados do Brasil.

A indústria do couro também vem aumentando sua exportação para aquele país. Nos últimos anos a exportação cresceu gradativamente. Em 1996, exportou-se US$ 3.879.790 para a África do Sul; em 2005, o total chegou a US$ 16.704.434, cerca de quatro vezes mais. O salto em quilo, no período, foi de 893.345 KG para 2.518.912 KG. Nos seis primeiros de 2006, o valor exportado já superou US$ 12 milhões de dólares. Há uma evolução gradual e segura que tende a se ampliar nos próximos anos.

EXPORTAÇÃO BRASILEIRA DE COURO

(CAPÍTULO 41) DESTINO: ÁFRICA DO SUL

 

PERÍODO

US$

Peso Líquido (Kg)

1996

3.879.790

893.345

1997

7.079.497

1.109.211

1998

5.157.088

649.867

1999

8.011.904

830.164

2000

10.476.779

1.450.179

2001

9.502.323

1.244.269

2002

10.686.419

2.330.736

2003

19.606.841

3.685.105

2004

26.063.935

5.721.774

2005

16.704.344

2.518.912

2006*

12.466.634

2.223.068

* Janeiro a Junho / Revista Courobusiness - Edição nº 47 – julho/agosto 2006

 

[ CRÉDITOS ]