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CURTIDORES PRESTAM CONTAS À APEX
O BALANÇO DOS DOIS PRIMEIROS ANOS DO PSI

Em ambiente de grande profissionalismo, representantes da indústria curtidora e técnicos e dirigentes da APEX – Agência de Promoção de Exportação reuniram-se em Brasília, no dia 30 de setembro passado, para uma avaliação dos dois primeiros anos do PSI – Programa Setorial Integrado firmado entre APEX e CICB. A síntese daquela reunião é o que se segue.

1. O primeiro evento do dia foi a apresentação do Hino Nacional do "Curtidor". A equipe de coordenação do PSI pelo CICB, chefiada pela Consultora Creuza Marlene, providenciou a elaboração de filme com o Hino Nacional Brasileiro, com legendas em inglês e imagens belíssimas de todas as regiões do Brasil, incluindo os rebanhos brasileiros. Este é, na avaliação da Courobusiness, um dos primeiros de qualidade da ação externa dos curtidores brasileiros, mascates internacionais há mais de 40 anos, que começam a associar e a " vender" uma imagem positiva do país junto com a de seus produtos.

2. O primeiro apresentado e debatido teve como tema, "Cenário do Couro em 2010", pelo Vice-presidente do CICB, empresário Arnaldo Frizzo Filho. Para o empresário, o Brasil há anos descuidou-se do planejamento e da definição de estratégias de NAÇÃO com visão de médio e longo prazos. Essa ausência de planejamento, associada à política de liberação comercial e financeira dos últimos 14 anos, resultou negativa e provocou a destruição industrial de boa parte da indústria do couro e de manufaturas de couro. Uma revisão nesse conceito, a partir da criação de um ambiente tributário competitivo, resultará, para Arnaldo Frizzo, na "renovação da indústria de couro, móveis, artefatos e calçados. A inércia, ao contrário, consolidará o Brasil como exportador de matéria-prima estratégia, vital na geração de empregos e dólares. Para Arnaldo Frizzo, o passado mostra dois períodos: de 1970 a 1985, planejamento estatal/privado com protecionismo exagerado, privilégio, grande crescimento do PIS e de renda "per capita"; de 1989 a 2002, ausência de planejamento estratégico, liberalismo às vezes inconseqüente, desemprego, baixo crescimento do PIB, alta competitividade. Para o expositor o novo governo terá de voltar a planejar e definir políticas estratégicas de Nação. Se fizer isso, a cadeia produtiva do couro, calçados, móveis e artefatos pode ser a mais competitiva e a maior geradora de empregos e divisas dentre as demais cadeias. Para Arnaldo Frizzo, "a iniciativa privada deve se preparar para políticas incentivadoras da agregação de valor ao couro as quais, segundo ele, "restringirão a saída de matéria-prima estratégica, considerando-se a dificuldade de alocar incentivos, pois recursos para isso inexistem". Para ilustrar sua exposição o empresário apresentou o quadro abaixo, onde três cenários mostram os ganhos adicionais para 2010 para os cenários possível (nenhuma ação política), desafio (ação governamental com mudanças em políticas) e utopia (situação em que não se exporta matéria-prima e sim produtos acabados):

Ganhos e perdas adicionais em 2010
Base: cenário baixo (inercial)

Cenários

Geração adicional de divisas

Geração adicional de empregos

Possível

US$ 0,9 bi

43.064

Desafio

US$ 2,2 bi

148.764

Utopia

US$ 6,0 bi

488.194

Para Arnaldo Frizzo, os ganhos decorrem de políticas menos ou mais efetivas, enquanto as perdas são o custo de não se fazer nada até 2010.2. A Segunda apresentação coube ao empresário Amadeu Fernandes, diretor do CICB, responsável pela área de promoção comercial, com a participação do Consultor Flávio Luchese, e mostrou os avanços da participação da indústria do couro em feiras internacionais. Além do aumento do número de feiras e de participantes, chamou a atenção da APEX o crescimento das áreas ocupadas pela indústria brasileira nas feiras. No período correspondente aos dois primeiros anos de PSI, a indústria curtidora teve participação em nove feiras internacionais, incluindo a segunda edição anual da Lineapelle, na Itália, em novembro deste ano. Em síntese, são os seguintes os eventos com a presença dos empresários brasileiros: a) Panamericam Leather Fair (Miami, EUA), 1 evento; Asia Pacific Leather Fair (Hong Kong, China), 2 eventos; Lineapelle Bologna Fiere (Bologna, Itália), 4 eventos; Mosleather (Moscou, Rússia) 1 evento; All China Leather Exibixion (Shanghai, China), 1 evento. Como exemplos foram citados as seguintes expansões em metro quadrado ocupado pela indústria brasileira: a participação em 2001 na Ásia Pacific Leather Fair foi de 306 m2 e saltou para 465 m2 em 2002. Na Lineapelle de maio de 2001 a área foi de 90 m2 e em 2002 de 186 m2. Destaque-se, ainda, a evolução qualitativa da participação das empresas brasileiras, com a confecção e distribuição de materiais apropriados, e a presença de pessoas capazes de negociar e atender corretamente visitantes de qualquer país. Esse avanço qualitativo deve-se, na opinião de Courobusiness, a exigências da APEX que, ao lado, de um trabalho profissional desenvolvido pelo CICB, mudou completamente o perfil de participação das indústrias curtidoras em feiras internacionais.4. A Quarta exposição coube também ao empresário Amadeu Fernandes, como coordenador do "projeto de ampliação das exportações de móveis e estofados em couro", uma das mais importantes iniciativas apoiadas pela APEX. CICB e ABIMÓVEL, Associação Brasileira da Indústria Moveleira, formalizaram convênio de cooperação, em 10 de dezembro de 2001, para ação conjunta visando o alcance do objetivo central do projeto. Várias reuniões de conscientização e sensibilização já foram realizadas com empresários dos dois segmentos. Foi contratado o Consultor Jason Lomoriello, " expert" americano em administração de empresas de móveis em couro, para desenvolver a etapa de arregimentação e mobilização das empresas de móveis. Visitas técnicas a empresas e regiões produtoras de móveis e a curtumes que aderiram ao projeto. Segundo o empresário Amadeu Fernandes, a partir das informações obtidas nas reuniões e visitas técnicas realizadas, serão desenvolvidas ações conjuntas entre as empresas fornecedoras de couro e os fabricantes de móveis em couro, com o objetivo de adequação e qualificação das empresas, inclusive os Centros Tecnológicos de Couro e de Móveis. Em outubro serão ministrados cursos de treinamento em corte e costura de couro para capa de estofados. A quarta etapa do projeto prevê a aproximação com os mercados internacionais de móveis estofados em couro. Um consultor internacional será contratado para detectar demandas e orientar os fornecedores brasileiros, fábrica de móveis e curtumes quanto aos tipos e especificações de qualidade dos produtos demandados. 5. A quinta apresentação coube ao empresário e diretor do CICB, Umberto Cilião Sacchelli, coordenador do Projeto "Seminários de Sensibilização". Cinco seminários foram realizados no período 2001-2002. O primeiro foi realizado na cidade de Londrina, Paraná, em 11 de janeiro de 2002, e o tema central foi "Cooperativa de Curtumes". Os demais foram: Sensibilização à Exportação, realizado em 23 de março de 2002, em Araputanga, Mato Grosso; Seguro de Crédito na Exportação, em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, em 22 de abril de 2002; Sensibilização à Exportação, em Franca, São Paulo, em 27 de junho de 2002 e em Maringá, Paraná, em 22 de julho de 2002. Nesses seminários o CICB contou com apoio das seguintes empresas químicas: BASF, BAYER, Clariant e Tanquímica. Estão programados, ainda dentro do atual convênio, seminários em Novo Hamburgo (RS), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA) e Franca (SP).6. Arnaldo Frizzo Filho, também coordenador do Programa de Melhoria do Couro Cru apresentou relatório das ações do programa, cujos objetivos são: incrementar em 50% a remuneração que atualmente é transferida via frigorífico ao pecuarista; transformar o Brasil de simples exportador de matéria-prima em exportador de couros acabados e manufaturados em couro; aumentar as exportações e manufaturados de couro de US$ 2,5 bilhões para US$ 6 bilhões; gerar 250.000 novos postos de trabalho, tudo isso com a melhoria da qualidade do couro cru brasileiro. O Programa está dividido em três módulos: pecuarista; frigorífico e caprinos e ovinos. No módulo pecuarista foi criado o " filme módulo pecuarista" mostrando os cuidados com os animais do momento em que nascem até quando são transportados para o frigorífico, além da criação da "cartilha do Zé courinho", de caráter educacional, e da revista do couro. No módulo esfola, foi elaborado um filme mostrando questões relativas ao transporte e retirada do couro animal. Também foi criada a "cartilha da esfola", usada para treinamento à faqueiros em frigoríficos. Palestras para pecuarista foram realizadas en Palmas (TO), Uberlândia (MG), Ituiutaba (MG), Colíder (MT), São José dos Quatro Marcos (MT) e Caçú (GO), num total de 650 participantes. Também foram realizadas palestras sobre técnicas de esfola para faqueiros, em cerca de 33 frigoríficos, no total de 27 cidades e cerca de 1.000 trabalhadores. Em relação ao módulo "caprinos e ovinos", foi realizada palestra em Petrolina (PE), de lançamento do programa, com a participação de 350 pessoas entre produtores, autoridades e fornecedores de peles. Todas as ações, filmes e cartilhas têm sido apresentadas em feiras e congressos agropecuários, nos estados de MG, GO, SP, MT e Pernambuco, com público visitante de 9.800 pessoas. O projeto "multiplicador", que visa a treinar curtumes para divulgar o programa aos frigoríficos, criadores e pecuaristas, já conta com as seguintes empresas multiplicadores: em São Paulo (8 curtumes), Tocantes (5 curtumes), Mato Grosso (10 curtumes), Rio Grande do Sul (8 curtumes e a Escola Técnica do SENAI) e Minas Gerais (7 curtumes). No total, foram trinados cerca de 60 profissionais de curtumes. Em relação ao programa foram ainda confeccionados 450 fitas de vídeo do chamado módulo pecuarista, as quais serão enviadas param os principais sindicatos rurais do país e 200 cópias do Módulo Caprino e Ovinos, para distribuição no nordeste. 7. Consultores contratados, da empresa América Consultoria, apresentaram resultados sintéticos da pesquisa de mercado realizada no leste europeu. Em síntese, os mercados da Polônia e da Rússia forma considerados promissores, com destaque para o primeiro, descartando-se o mercado Romeno, em função da predominância da Itália como fornecedor daquele país.

Pelo que se depreendeu da exposição, o trabalho desenvolvido pelo CICB, por meio do Convênio APEX, teve boa receptividade junto aos técnicos daquela agência. CICB e APEX entram, agora, na fase de estudos para o desenho e a formalização do convênio que vai abranger o período 2003-3004.

Comentário Courobusiness

Quem acompanha as ações externas da indústria curtidora há 15 anos, como a direção da Courobusiness, não tem como não exaltar o extraordinário salto qualitativo após a formalização da parceria com a APEX. O curtidor brasileiro, presente no mercado externo há mais de 40 anos, aliou à sua reconhecida capacidade de vender o seu produto, conceitos e comportamentos modernos e profissionais adequados ao novo mundo competitivo. Mais que injeção financeira, a APEX concede aos seus parceiros a oportunidade única, histórica, da injeção de qualidade, um banho de loja nos programas e projetos em que a imagem do país está, diretamente ou indiretamente, associada à ação individual ou conjunta do setor privado. Não se trata apenas de conceder aparência, mas de qualificar a aparência e o conteúdo das ações da indústria curtidora no mercado externo.

 

TERMOS DE COMÉRCIO EXTERIOR

Assim como nas duas edições anteriores, o Encarte CICB/APEX traz mais alguns dos termos usados no comércio exterior, que estão no livro Dicionário de Termos de Comércio Exterior, de José Lopes Vazquez. (São Paulo; ATLAS, 2001.)

Ordinary interest - Juros simples

Origin certificate – Certificado de origemOutright – Compra ou venda futura de moeda estrangeira, sem uma correspondente operação à vista.Packing list (romaneio) – Lista com as características dos diferentes volumes que compõem um embarque, destinada a auxiliar a identificação e a fiscalização de volumes e desembaraços aduaneiros. Pledge assets – Bens oferecidos em garantia.Proforma / Pro forma invoice (Fatura Proforma ou Proforma) É uma fatura entreue pelo fornecedor ao comprador, informando todo tipo e quantidade da mercadoria a ser remetida, seu valor, especificações, peso, tamanho, etc. Podemos dizer que representa o contrato de compra e venda em comércio exterior. Sugere-se ao vendedor que acolha o "de acordo" do comprador na Fatura proforma.Promissory note – Nota promissória (título negociável), também conhecida pela abreviatura I.O.U, que significa I owe you (eu devo a você).Purchaising agent (agente de compra) – Agente que compra mercadorias em seu próprio país , em nome e sob responsabilidade de um ou mais importadores. Por seu trabalho, é remunerado pela comissão de agente. REI – Registro de Exportadores e Importadores – Cadastro de Exportadores e Importadores que contém dados dos usuários, sendo sua inscrição condição básica para realização de operações de comércio exterior. A inscrição no REI se processará automaticamente, por intermédio do Siscomex, na primeira operação de comércio exterior.

SPREAD (diferencial) – É a diferença entre o preço de compra e o preço de venda de um ativo ou a diferença entre as taxas de juros de captação e as taxas finais de aplicação.

[ CRÉDITOS ]