Brasil perde US$ 1 bi/ano por defeitos no couro
O presidente da AICSul, Cezar Müller, abordou um dos principais focos do convênio CICB/APEX-Brasil, no I Simpósio da Carne Bovina, em São Borja: a importância de investir na melhoria da qualidade do couro cru. A seguir, alguns detalhes que envolvem essa problemática do couro de má qualidade.
O Brasil deverá perder US$ 1 bilhão neste ano em razão de defeitos no couro, sendo que 60% são causados por problemas na pecuária. A afirmação é de Cézar Müller, presidente da AICSUL. Um estudo da Associação mostra que o Brasil é grande produtor de couro bovino com 34,5 milhões de couros no ano de 2002, o que corresponde a 10,54% da participação mundial. O potencial brasileiro de se tornar o maior produtor mundial de couro bovino é imenso, pois possui o maior rebanho bovino comercializável do mundo e um dos principais conjuntos de frigoríficos e curtumes.
No ano de 2002 o Brasil exportou mais de 1 bilhão de dólares em couros para uma centena de países, com um acréscimo de 9% com relação ao ano anterior. Somente em couros bovinos, foram exportados mais de 930 milhões de dólares no ano de 2002.
AGREGANDO VALOR AO COURO
Apesar do enorme potencial, o couro brasileiro precisa avançar em qualidade para ser vendido com valor mais alto no mercado internacional e gerar ganhos ao longo de toda a cadeia produtiva. Agregar valor ao couro significa priorizar a qualidade, principalmente nas etapas iniciais do processo.
A substituição do volume atual de exportações de Wet Blue por couros Semi-acabados geraria um acréscimo de divisas para o país da ordem de *US$ 527 milhões/ano. Se a opção fosse por couros acabados, o aumento seria de *US$ 749 milhões anuais.
EXPORTAÇÃO E GERAÇÃO DE EMPREGOS
Cada 1 milhão de couros, em diferentes estágios de produção, gera:
Formas/Estágios de Exportação |
Número de Empregos |
Valor da Exportação |
Em wet blue |
300 |
US$ 31,58 milhões |
Em semi-acabado |
1.500 |
US$ 73,56 milhões |
Em acabado |
2.000 |
US$ 91,33 milhões |
Em calçados e manufaturados |
30.000 |
US$ 300-350 milhões |
* Estimativa AICSul
Ou seja, no ano de 2002, o quadro de empregos nas empresas exportadoras de couros brasileiros apresentou a composição aproximada:
Formas/Estágios de Exportação |
Exportação em nº couros |
Empregos |
Em wet blue |
12.535 |
3.760 |
Em semi-acabado |
2.318 |
3.477 |
Em acabado |
3.983 |
7.966 |
*Estimativa AICSul
A substituição do volume atual de exportações de Wet Blue por couros semi-acabados geraria um acréscimo imediato para o país de aproximadamente 15 mil postos de trabalho. Se a opção fosse por couros Acabados, o aumento seria de 21mil 310 empregos.
PERDAS COM OS DEFEITOS DO COURO
Apesar de ser um dos maiores produtores mundiais, o Brasil é considerado um fornecedor de couro de categoria inferior. Somente 8% do couro brasileiro é de alta qualidade, enquanto 85% do couro norte-americano tem essa classificação.Se considerarmos a produção estimada de 34,5 milhões de couros no ano de 2002 e levarmos em conta a média do preço pago por couro salgado de US$ 30, teremos uma receita de US$ 1,035 bilhão. O couro americano que possui 85% de classificação de alta qualidade é vendido em média a US$ 60,00.Tomando uma estimativa de produção de 35 milhões de couros para o ano de 2003, temos:
Nº DE COUROS |
VALOR EM US$ |
TOTAL |
35 milhões |
30,00 |
US$ 1.050.000.000,00 |
35 milhões |
60,00 |
US$ 2.100.000.000,00 |
PERDA ESTIMADA COM OS DEFEITOS DO COURO PARA O ANO DE 2003 |
US$ 1.050.000.000,00 |
* Estimativa da AICSul
PRINCIPAIS CAUSAS DOS DEFEITOS DO COURO NA PECUÁRIA
Dentro da propriedade |
Participação
dos defeitos |
Ectoparasitas (bernes, bicheiras, mosca-do-chifre, etc) |
40% |
Manejo inadequado (marca a ferro no grupão, ferrão pontiagudo, etc...) |
10% |
Arame farpado, galhos e espinhos |
10% |
TOTAL DOS DEFEITOS |
60% |
Fonte: Embrapa Pecuária de Corte
CLASSIFICAÇÃO DO COURO CONFORME DEFEITOS
DEFEITOS |
| |
Couro de 1ª |
Couro de 2ª |
Couro de 3ª |
Carrapato |
Poucos na barriga |
Pode na barriga |
Pode |
Berne curado |
Não |
Não |
Não |
Placas de berne |
Não |
Não |
Não |
Riscos abertos |
Não |
Não |
Pode fora do grupão |
Riscos cicatrizados |
Não |
Poucos fora do grupão |
Pode |
Marcas de Fogo |
Não |
Não |
Não |
Fonte: Embrapa Pecuária de Corte
PRINCIPAIS CAUSAS DOS DEFEITOS DO COURO GERADOS NO FRIGORÍFICO
| LOCALIZAÇÃO |
PARTICIPAÇÃO NOSDEFEITOS |
NO TRANSPORTE DO GADO |
10% |
Uso de guizo pontiagudo ou roseta para condução do gado |
4% |
Carrocerias com travessas quebradas/madeiras lascadas, cantos vivos, pontas de pregos ou parafusos |
6% |
NOS FRIGORÍFICOS |
25% |
Esfola malfeita durante o abate |
10% |
Má conservação do couro |
15% |
Fonte: Embrapa Pecuária de Corte
PERDAS POR FATORES E
SUGESTÕES PARA SOLUÇÃO
| FATOR RESPONSÁVEL POR PERDA (EM US$) |
Esfola malfeita
10% 105.000.000,00
Sugestão: Utilizar a esfola mecânica sem utilização de facas, evitando assim furos e cortes
|
Má conservação do couro
15% 157.500.000,00
Sugestão: Armazenar o couro em locais apropriados em que não ocorram danos ao produto
|
Transporte inadequado
10% 105.000.000,00
Sugestão: Transporte realizado em veículos apropriadamente licenciados (Selo Transporte)
|
Ectoparasitas
40% 420.000.000,00
Sugestão: Tratamento e supervisão periódica dos animais; incentivo ao abate de novilho precoce / Programa Carne de Qualidade
|
Manejo inadequado
10% 105.000.000,00
Sugestão: Marcação conforme norma ABNT NBR 1040
|
Arame farpado, galhos
10% 105.000.000,00
Sugestão: Alteração dos arames-farpados por similares que não causem avarias ao couro e boa conservação das pastagens
|
Outros
5% 52.500.000,00 |
PERDA TOTAL 100% 1.050.000.000,00 |
(Fonte: Assessoria de Imprensa da AICSul)  |