APEX RENOVA CONVÊNIO COM CICB
Fotos: Cristiano Nunes
No dia 28 de maio, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luís Fernando Furlan, assinou convênio com o CICB no valor de 8,186 milhões de reais. Deste montante, 3,7 milhões virão da APEX-Brasil, e o restante, do CICB. Os primeiros recursos já estarão liberados a partir de junho. Esse investimento está dentro do esforço da melhoria da qualidade do couro que, segundo o diretor da APEX-Brasil, Juan Quirós, ainda é um dos principais problemas do setor no Brasil. Os problemas gerados no campo, com o boi ainda no pasto, estão tirando uma valiosa quantia do bolso daqueles que fazem parte desta cadeia produtiva. O resultado é a vergonhosa classificação do couro brasileiro que, apesar de pertencer ao segundo maior rebanho do mundo, tem apenas 15% de sua produção considerada de boa qualidade. Para explicar esse novo convênio e as metas do setor para reverter esse tão prejudicial quadro, COUROBUSINESS acompanhou a assinatura do documento e conversou com Juan Quirós, da APEX-Brasil, e com o presidente do CICB, Augusto Sampaio Coelho.
JUAN QUIRÓS
COUROBUSINESS Por que o setor couro foi escolhido como um dos primeiros a terem um convênio de cooperação no âmbito da nova gestão da APEX-Brasil?
JUAN QUIRÓS - O convênio faz parte de uma orientação do ministro Furlan e, numa visita que ele fez ao setor em janeiro, foi definida a necessidade de tratar as cadeias produtivas, iniciando pelo couro. Neste convênio, nós estamos ampliando nossa cooperação com o setor e estamos investindo em conjunto com o setor.COUROBUSINESS Quais são as principais novidades desse novo convênio?JUAN QUIRÓS Esse convênio tem início em 2003 e vai até maio de 2005, por dois anos. A novidade é que nós estamos inserindo mais de 56 empresas e, na mudança do convênio (já havia outro que se encerrou no final do ano) nós requisitamos o número de empresas que vão fazer parte do convênio, quantas empresas estavam sendo inseridas no mercado internacional, e a geração de emprego e renda do setor com a aplicação desse recurso na cadeia do couro. Nós estamos investindo, em parceria com o setor, um valor acima dos 8 milhões de reais. Devemos ampliar a participação de quase 60% de empresas neste novo convênio, passando de 104 empresas para 160. Os benefícios desses recursos atendem a cadeia produtiva do couro em 13 estados. COUROBUSINESS O que a APEX-Brasil, que atua na promoção comercial, espera como resultado desse investimento?JUAN QUIRÓS - Nós temos como meta, em 2003, o volume de exportação de US$ 1,2 bilhão de dólares. Em 2004, US$ 1,440 bilhão de dólares. Temos como meta de geração de empregos diretos, com este convênio em 2003, três mil empregos, e em 2004, mais três mil empregos. COUROBUSINESS Qual é a principal razão do convênio?JUAN QUIRÓS - O projeto atende a necessidade de preparar o couro no campo e ao mesmo tempo ampliar a base exportadora do setor e inserir novas empresas nesse processo de exportação. A APEX-Brasil está acompanhando a evolução do setor, a seriedade na aplicação dos recursos e, por isso, nós estamos assinando mais um convênio em uma cadeia produtiva, que é a de calçado e couro, que é uma cadeia muito importante para o brasil.
AUGUSTO SAMPAIO
COUROBUSINESS Como esse convênio pode contribuir para a agregação de valor?AUGUSTO COELHO: Especificamente neste projeto tem um programa de melhoria da qualidade do couro. O brasil hoje exporta muito pouco de calçado feito em cima de couro brasileiro. Apenas 15% do couro, aproximadamente, do Brasil é considerado couro de primeira. Na medida em que nós melhoramos a qualidade do couro, nós podemos então "acabar" mais couro no Brasil e exportá-lo na forma de calçado. Isso aí é a grande agregação de valor. COUROBUSINESS E o setor, como tem correspondido?AUGUSTO COELHO: O setor trabalha com outras iniciativas. Nos últimos três anos, o setor investiu mais de 200 milhões de dólares em novas plantas e em reaparelhamento de plantas existentes. O crescimento na exportação de couro Acabado de 2001 para 2002 foi acima de 70%. Então o setor está agregando valor e vamos agregar muito mais.COUROBUSINESS O que faz a agregação de valor na cadeia ser o objetivo mais perseguido do setor nos últimos anos?AUGUSTO COELHO - Só em qualidade, problemas de qualidade gerados no campo, problemas de ectoparasitas, marca a fogo, problemas no transporte do gado ao frigorífico e esfola, o Brasil perde cerca de um bilhão de dólares por ano. Se nós pudermos melhorar a qualidade do couro brasileiro, tornando-a equivalente à qualidade do couro americano, só aí, automaticamente, nós teríamos um ganho de um bilhão. Mas isso é um trabalho de longo prazo e o CICB está trabalhando nesse sentido. Esse convênio é apenas a certificação que nós tivemos de que o setor do couro é um setor estratégico para o governo, para o país. Somos porque temos dados para mostrar. Somos o segundo maior rebanho comercial do mundo, com a possibilidade, num curtíssimo espaço de tempo, de sermos o primeiro. Podemos, em curtíssimo espaço de tempo também, dobrar a quantidade de empregos diretos gerados. Hoje geramos um pouco mais de 30 mil e podemos chegar a mais de 60 mil empregos só agregando valor na cadeia.COUROBUSINESS Qual balanço o CICB faz do convênio anterior, de mesmo cunho, que terminou no final do ano passado?
AUGUSTO COELHO - Alguns programas saíram outros entraram, mas os principais que são as participações em feiras internacionais, programa de melhoria da qualidade de couro cru e o projeto comprador estão inseridos nesse novo convênio. O balanço é extremamente positivo. Eu costumo dizer, e disse ao ministro (Furlan), que a promoção das exportações brasileiras divide-se em duas fases: antes da APEX e após a APEX. O CICB foi um setor que trabalhou duro, se esforçou e conseguiu todos os compromissos que foram assumidos naquele convênio anterior, e por isso mesmo nós fomos agora agraciados com um novo.  |