PELES EXÓTICAS NO SEMI-ÁRIDO
A 2a Conferência Internacional de Estrutiocultura levou ao semi-árido Nordestino, em Taquaritinga do Nortre (PE), no final de setembro, especialistas na atividade, que abrange as fases de criação, tratamento e utilização das matérias-primas que o avestruz pode oferecer ao mercado.
Sérgio Melo, da Grandave Empreeendimentos Rurais Ltda, de São Gonçalo do Amarante, Rio Grande do Norte, explica que as primeiras aves foram importadas há oito anos e criadas no centro/sul do país, principalmente no estado de São Paulo. "Tivemos notícia dos primeiros criatórios no semi-árido há cerca de cinco anos e essa região desponta como bastante promissora tendo inclusive uma das maiores empresas do país a ARAVESTRUZ, de Araçatuba, iniciado as suas atividades em Paulo Afonso, na Bahia", conta. Segundo ele, o clima é quente e seco, associado à baixa ocorrência de chuvas, semelhante ao que ocorre nas savanas africanas de onde o avestruz é originário.
Sérgio Melo, da Associação Nordestina de Estruthiocultura, informa que uma das metas para este ano é exatamente levantar o número de criadores da região. "Sabemos que estados como Sergipe, Alagoas e Bahia têm grandes criatórios, embora a grande maioria das criações seja de médio a pequeno porte", informa.
Ele acredita que, diferentemente, do que ocorre com a bovinocultura, o couro de avestruz deverá se tornar um dos subprodutos mais valorizados por suas características. "Os erros cometidos na caprinocultura e na bovinocultura não devem ser repetidos, pois creio que aprendemos com os erros dos outros e estamos tratando de fechar a cadeia produtiva no intuito de aproveitarmos os incentivos as exportações para alavancarmos a nossa atividade", explica.
Robert Baronigg, da Criação de Avestruzes Lda, com sede em Portugal, foi um dos estrangeiros palestrantes. Ele falou sobre o preparo da carne, o curtimento da pele, incubação, alimentação das aves e sobre o mercado de avestruzes. "Acho que o evento foi uma boa oportunidade de conhecer pessoas do estrangeiro e brasileiros. O mercado de avestruzes já é uma realidade e os participantes podem utilizar as experiências debatidas para entrar mais facilmente no mercado", avaliou Baronigg.
Creusa Batista, palestrante do CICB/APEX no evento, enfatizou a abertura de uma nova economia no sertão nordestino, a adaptabilidade do avestruz à região e a resistência do animal. "O evento foi de alto nível, inclusive com especialistas em avestruz vindos do exterior. Dentro do projeto Seminários do CICB/APEX, nós falamos da importância do couro para o Brasil", informou Creusa Batista. Segundo ela, o SENAI da Paraíba já está curtindo peles e o Centro Tecnológico do Couro e Calçado está fazendo artefatos com o couro de avestruz. A palestrante também chamou a atenção para o grupo Aravestruz, que tem produtos sendo exportados para a griffe Valentino, totalmente feitos aqui no Brasil.
O engenheiro agrônomo, Roberto Leandro, da Fazenda Nova Esperança, organizadora do evento, avaliou como de fundamental importância a presença do CICB/APEX, para mostrar ao produtor de avestruz a importância do couro, para agregar valor a este produto. "Acredito que esta conferência será fundamental para a consolidação da estrutiocultua na região Nordeste e no Brasil", prevê Roberto Leandro. Para ele, o Brasil tem condições de alcançar competitiviedade com outros países do mundo, em igualdade de condições, com produtos como carne, couro, plumas e gordura. Maria Gricélia Pinheiro de Melo, diretora do CTCC-Centro de tecnologia do Couro e Calçado Albano Franco, do SENAI da Paraíba, explicitou a intenção do CTCC em contribuir com o suporte tecnológico no curtimento das peles e no desenvolvimento de produtos. "Participei da 2a Conferência e pude constatar o grande diferencial através do qual se inicia a estruturação da estrutuiocultura no Nordeste, que é a capacitação. Todos tiveram oportunidade de conhecer as potencialidades do segmento, com bastante foco na questão do mercado, que precisa ser muito bem analisado, principalmente neste estágio inicial", observou Maria Gricélia de Melo. Para Maria Lúcia Brito de Oliveira, fiscal federal agropecuário, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o evento foi excelente, pois tratou de todas as atividades da cadeia da estrutiocultura cria, recria, reprodução, abate e exploração dos subprodutos (pele, plumas, ossos, casca de ovo, etc.). "A participação do MAPA foi importante tanto do ponto de vista de levar aos criadores o conhecimento e a importância do controle dos seus plantéis como também de aproximação entre órgão oficial/criadores/empresas, no sentido de se realizar, sempre, um trabalho de parceria, cujos benefícios maiores serão, sem dúvida, dos próprios estrutiocultores", destacou Maria Lúcia de Oliveira. A representante do ministério falou sobre normas que definem regulamento técnico para registro, fiscalização e controle sanitário dos estabelecimentos de incubação, de criação e alojamento de ratitas.
Luis Robson Muniz, presidente da Associação dos Empreendedores Paulistas da Estrutiocultura AEPE encara o mercado de exportação como bastante promissor, principalmente o do Couro e da Carne de avestruz. Ele também destacou a importante contribuição do CICB/APEX num seminário deste porte, chamando atenção para a agregação de valor. "No entanto para conseguir tal intento há de se ter muita perseverança, escala de oferta, qualidade e preço competitivo, que acredito será conseguido se os produtores e empresários do setor estrutiocultor se unirem criando um sistema cooperativo-empresarial", defendeu. Luis Robson, que atua no mercado pela Ave Struhio Avestruzes do Brasil, importa genética apurada da África do Sul e, segundo ele, é atualmente o único importador de ovos férteis de avestruzes. Para Luis Robson, a Conferência teve um significado especial, já que lida diretamente com o mercado externo."O evento realmente teve um foco internacional, com as participações de empresários importantes de Portugal, Sr. Baronigg, e da Espanha, o Sr. Cándido Carrillo Gonzales, sendo que os mesmos deixaram claro, que a partir do momento que o Brasil organize a cadeia do avestruz do ponto de vista sistêmico, ou seja, buscando englobar todos os elos do setor produtivo, objetivando maior escala de oferta, melhor capacitação tecnológica, menores custos de produção, criação de padrões de qualidade e principalmente preços mais competitivos, a exportação será uma realidade, uma vez que a Europa é potencialmente um mercado consumidor dos produtos do avestruz, não tendo capacidade de produção para abastecer sua demanda", afirmou Luis Robson.
Já o médico veterinário, Aurino Francisco Silva, de Sumé, na Paraíba, vê uma outra vantagem em ter participado da conferência sobre estrutiocultura. "Terá uma contribuição valiosa no que se refere a assessoria e assistência técnica a criadores e iniciantes na atividade", vislumbra.
RECOMENDAÇÃO - A carne de avestruz contém menos colesterol e gordura que a carne bovina, suína e até de aves como o peru.
Segundo divulgação da Unimed, a carne de avestruz é rica em ferro, mineral que confere a característica cor vermelha da carne dessa ave, que mede mais de 2 metros de altura e chega a ultrapassar 100 kg de peso. A carne, que já faz sucesso há alguns anos nos Estados Unidos e em alguns países europeus, começa a ser requisitada pelos brasileiros. No Brasil, a carne começou a ser consumida nos anos 90. Nessa época, a carne de avestruz, ingrediente principal de vários pratos sofisticados de restaurantes brasileiros, era importada, pois a criação dessa ave não havia ainda sido difundida no país. Com preço mais caro que o de outras carnes produzidas no Brasil, a carne de avestruz não conquistou a simpatia dos brasileiros. Ainda na década de 90, alguns criadores nacionais de animais trouxeram para o país algumas aves da Ásia e da África. A partir desse momento, a criação dessa ave começou a ganhar força. Em 2000, eram criadas no Brasil aproximadamente 37 mil avestruzes, e dois anos depois já eram 80 mil. Por conter menos colesterol e gordura que a carne bovina, suína e até de aves como o peru. Essa característica torna esse tipo de carne ideal para pessoas que precisam controlar o nível de colesterol e também para aquelas que fazem dietas alimentares. Por ser rica em ferro, a carne é também indicada para pessoas que têm anemia. Outra substância presente na carne de avestruz é o ômega 3, cujos benefícios ao coração já foram comprovados por várias pesquisas. Hoje, a carne de avestruz está incluída no cardápio de vários restaurantes brasileiros. Ela é utilizada na preparação de pratos sofisticados e de outros alimentos, como o pastel e a pizza. Nos frigoríficos e supermercados ela pode ser adquirida em três diferentes cortes: filé, picadinho e carne moída.
Atualmente existem poucos fornecedores de carne de avestruz no Brasil. A Aravestruz, que foi o primeiro criador a fazer o abate dessa ave no país, produz cerca de três toneladas de carne por mês. (Fonte: Unimed)
RELATÓRIO DA SEGUNDA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE ESTRUTIOCULTURA DE TAQUARITINGA-PE
I O EVENTOSEGUNDA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE ESTRUTIOCULTURA DE TAQUARITINGA DO NORTE -PE
Governo do Estado de PernambucoAPEX/CICBMinistério da AgriculturaSEBRAE - PEPrefeitura Municipal de Taquaritinga do Norte -PESENAI (CTCC ALBANO FRANCO)Universidade Federal Rural de PernambucoFiep/SenaiArapuáBanco do NordesteSocilPlumabelFazenda Nova EraM3 Incubadoras
Billabong Incubadoras
II REALIZAÇÃO:
A Segunda conferência Internacional de Estrutiocultura, focou os seguintes pontos:
> MERCADO A importância do Couro no Brasil
> Cadeia Produtiva do Avestruz
> Exportações para a comunidade européia
> Mercado Brasileiro de Plumas
> ABATE Cortes e classificação da carne
> Preparação da pele para o curtimento
> SEMI-ÁRIDO Cultivo de árua e alternativas de agroecológicas para o semi-árido
> MANEJO Novos conceitos em incubação
> Novidades na criação de filhotes
III- OBJETIVO:
Produtores e fornecedores de insumos para a indústria coureira;Indústria de Couro;Comerciantes e Fornecedores da cadeia produtiva do Couro;Parlamentares;Sindicatos e Associações de Classe;Entidades de Classe e Bancos de Desenvolvimento;
Instituições de Ensino;
IV - PÚBLICO ALVO:
Produtores e fornecedores de insumos para a indústria da estrutiocultura;Indústria de fornecedores de máquinas para abateComerciantes e Fornecedores de incubadoras de ovos;Políticos locaisSindicatos e Associações de Classe;Entidades de Classe e Bancos de Desenvolvimentos;Instituições de Ensino, ligados ao curtimento de couros do PernambucoMédicos veterinários;ProfessoresPesquisadores;Empresários
OVOS DE AVESTRUZ
O I Concurso Ovo Forte, que premiará as três melhores obras de arte em ovos de avestruz, recebeu mais de 80 inscrições entre alunos das escolas Belas Artes, FAAP, Cásper Líbero, Colméia, Ateliê Isabela Hohagen, Mackenzie, Senac, Tito Prates, Uniban, Unicamp e Uninove, todas de São Paulo. Cada aluno inscrito recebeu cinco ovos para a realização de obras de pintura, decoração ou escultura. O tema é livre.
A premiação do I Concurso Ovo Forte, iniciativa da Fazenda Pé Forte, um dos maiores projetos de criação de avestruz do País, será realizada no dia 22 de novembro, na Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban). As obras ficarão expostas no local durante os dias 22 e 23 de novembro.
Após a exposição e premiação, as obras serão leiloadas. Toda a renda obtida com a venda será doada para instituições de caridade.
Arte em ovos de avestruz é tradição em países como Israel, África do Sul e Espanha, ampliando as possibilidades de aproveitamento dos subprodutos da criação de avestruz. Um ovo de avestruz equivale a 25 ovos de galinha (tamanho médio).
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