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LUVAS E RASPAS:
OPORTUNIDADES EM BOCAINA/SP
A cidade de Bocaina, que fica a cerca de quinze quilômetros da cidade de Jaú, interior de São Paulo, possui uma pequena população em torno de dez mil habitantes , que está empregada principalmente no plantio da cana, ou na fabricação de luvas e recurtimento de raspas de couro no estágio Wet Blue.
O objetivo deste diagnóstico, feito pelo convênio CICB/APEX, foi o de levantar todos os pontos positivos, negativos, ameaças e oportunidades do setor produtivo da cidade, e oferecer sugestões para que o setor possa ter melhor aproveitamento da matéria-prima comprada. Além disso, buscou-se oferecer sugestões para que o setor faça as suas planilhas de custos e administre seus preços de vendas. Outra intenção é abrir oportunidades para que Bocaina seja beneficiada com novos canais de fornecimentos de produtores de raspas em Wet Blue de outros estados brasileiros.Atualmente, a cidade fabrica equipamentos para segurança no trabalho, como luvas de todos os tamanhos e aplicações, perneiras, mangotes, aventais, toucas de diversos formatos, sendo alguns já com grande qualidade.Basicamente não há desemprego na cidade e, no entanto, quase todas as empresas estão operando com menos de cinqüenta por cento de suas capacidades de produção.Há na cidade uma vocação natural para fabricar tais produtos. A tecnologia é passada de pai para filho e, em muitos casos, aqueles empregados que se destacam dentro de uma empresa, acabam por se desligar e iniciar uma nova unidade produtiva.
Hoje o setor produtivo de luvas e raspas passa por sérios problemas que estão comprometendo o futuro da atividade comercial. Alguns deles estão no quadro a seguir.
| Escassez da matéria-prima raspa no estágio Wet Blue: os grandes curtumes que as produzem estão optando por exportar toda esta matéria-prima para a China, e receber em dólar.
A Cetesb está exigindo uma adequação de todos os industriais com relação aos resíduos da produção de raspas em Wet Blue como ao uso de equipamentos profissionais individuais (EPI): fato que onera sensivelmente os custos devido à distância do aterro sanitário (que fica na cidade de Paulínia-SP).
Atualmente, existem apenas dois fornecedores de raspas em Wet Blue. Em razão disso, o mercado está pressionado e sem opções, obtendo inclusive produtos de má qualidade, com aproveitamento de apenas 30% de cada carga comprada. Os 70% restantes estão sendo literalmente jogados no lixo, isto é, transformado-se em resíduo industrial sólido.
As compras de matéria-prima são feitas com antecipação de pagamento e as vendas de produtos acabados são feitas com prazo de até 45 dias. |
O público envolvido neste diagnóstico compreendeu empresários dos setores de acabamento em couro, fabricantes de EPI, costureiras, vendedores de couro Wet Blue em raspa e a diretoria da entidade que congrega o setor Associcouros. Para se ter uma real compreensão do perfil do setor na cidade, a equipe usou variados métodos de pesquisa, como entrevistas com sondagem aberta e visitas in loco, nos diversos tipos de empresas, fotografando os ambientes e conversando com as pessoas diretamente ligadas à atividade.
Como resultado, apresenta-se o quadro a seguir:
CENÁRIO DA ATIVIDADE DO COURO EM BOCAINA-SP
1. MATÉRIA PRIMA:
Raspa de barriga, cabeça e grupon de baixa qualidade;
Pequena dimensão, com baixo aproveitamento para um artigo mais sofisticado;
Baixo aproveitamento da matéria-prima, utilizando apenas 33% do total comprado, ficando como resíduo 67%, e
Não há espessura padronizada das raspas comercializadas. |
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| 2. MÃO-DE-OBRA
Desqualificada de uma maneira geral;
Realiza atividades sem o treinamento adequado;
Não há nenhum tipo de informação sobre a atividade desenvolvida;
Falta maior envolvimento do SENAI, e
Falta conscientização da importância do produto final, e destinação do mesmo. |
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3. RESÍDUOS:
Sólidos com mal aproveitamento, perdendo-se percentual aproveitável para artesanato;
Alto custo para remoção do resíduo ao local destinado;
O custo de remoção compromete a saúde financeira da empresa, além de onerar o espaço físico e consumir mão-de-obra da empresa;
Falta de opção para a reciclagem do resíduo e para que seja transformado em receita;
Resíduo Líquido sendo reaproveitado no processo, nos caos específicos dos raspeiros, e
Os acabadores de couro já se encontram enquadrados. |
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.4. MEIO AMBIENTE:
CETESB e exigências legais para com o setor produtivo local. |
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5. FORNECIMENTO DE MATÉRIA-PRIMA
Atualmente conta-se com apenas dois fornecedores de grandes curtumes de Wet Blue;
Monopólio do fornecimento, com preço acima do mercado;
Negociações sob pressão;
Pagamento antecipado;
Possibilidade de haver desabastecimento de raspa em Blue, sem prévio aviso, e de acordo com os interesses dos fornecedores;
O padrão de qualidade da raspa negociada não condiz com a entrega da mercadoria, sempre em prejuízo para o comprador, e
Falta de opção de novos fornecedores. |
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6. ASSOCIATIVISMO:
Associação atual conta com apenas 50% dos industriais locais;
Falta união da classe e sobra concorrência desleal, desestabilizando o mercado, e
A oferta de poucos benefícios aos associados. |
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7- COMERCIALIZAÇÃO:
O produto vendido não tem valor agregado. Os exemplos: selo de qualidade, certificação ISO 14.000, ações comunitárias;
Concorrência interna desleal, fazendo com que o preço de venda seja o mínimo possível, ocasionando sérios prejuízos ao mercado como um todo;
80% do produto está nas mãos do atravessador e não chega ao comprador final, e
Não há ainda uma central de negócios. |
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8. SOLICITAÇÕES DO SETOR COUREIRO:
Abertura imediata de uma Delegacia do SINDICOURO-SP;
Diferenciação salarial;
Apoio integral do SEBRAE e SENAI, e
Busca de linhas de crédito para modernização de máquinas e equipamentos |
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| 9. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os valores perdidos na cidade de Bocaina-SP pelos empresários do setor de manufatura em raspa em Wet Blue estão inviabilizando o setor e colocando em risco o patrimônio de cada um dos empreendedores.
O aproveitamento da raspa em Wet Blue é muito baixo e está comprometendo toda a cadeia da raspa para EPIS e também da raspa acabada.
Devem ser tomadas medidas urgentes para que o setor possa se transformar em produtor de luvas e raspas acabadas com qualidade.
Medidas sérias de contenção de custos e centralização de funções comuns a vários níveis para que o setor ganhe escala.
Outro fator muito importante será a aprendizagem por parte dos empresários quanto ao domínio do levantamento de custos de cada produto.
A viabilidade existe, pois mesmo jogando 70% de matéria-prima no lixo, os 30% que sobram têm mantido o setor produtivo de pé, gerando empregos, impostos, e fazendo a vida da cidade. |

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