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CENTRO DE DISTRIBUIÇÃO
Governo inaugura primeiro centro de distribuição no exterior

O governo inaugurou em maio o primeiro Centro de Distribuição de Produtos Brasileiros no Exterior. Instalado no Miami Free Zone, o CD é um projeto da APEX-Brasil (Agência de Promoção de Exportações e Investimentos) e ocupará uma área de mil metros quadrados, com espaço para armazenamento de mercadorias, além de local destinado a rodadas de negócios, showroom e escritórios.

Inicialmente, serão abrigados no CD de Miami confecções, chocolates, balas e confeitos, calçados, cosméticos, café, rochas ornamentais, cerâmicas para revestimento e instrumentos musicais. Setores de produtos não-perecíveis, ou cuja perenidade não seja de curto prazo, podem integrar o CD.

 Segundo Juan Quirós, presidente da APEX-Brasil, a escolha da Miami Free Zone se deve às facilidades operacionais para a entrada dos produtos na América do Norte. “Por ser um local alfandegado, o processo de desembaraço das mercadorias para exportação é feito de modo muito mais ágil e concentrado, o que, em muitos casos, é fator determinante para a negociação externa”, esclarece. Outra vantagem para o empresário brasileiro, apontada por Quirós, é a economia de escala. “A junção de várias empresas em um mesmo espaço possibilita uma melhor negociação com a Miami Free Zone e esta redução de custos é repassada aos empresários.”

 Apoio


Os representantes das empresas instaladas terão suporte operacional e administrativo in loco para o desembaraço de mercadorias. Para atender à demanda, um profissional brasileiro contratado pela APEX-Brasil, com grande conhecimento do mercado americano, irá gerenciar o Centro de Distribuição e orientar os empresários. “Todo o processo será acompanhado e monitorado de perto pela Agência”, garante Quirós.

Centros de Distribuição


O Centro de Distribuição de produtos em Miami é o primeiro dos CDs que serão instalados pelo Governo Brasileiro em locais estratégicos no exterior, que garantam o acesso a mercados regionais. A intenção é que estes espaços sejam utilizados por empresas exportadoras brasileiras, previamente selecionadas, como local para negociação e manutenção de estoque de produtos. O fato de a mercadoria já se encontrar no território onde a venda será realizada agiliza a entrega e ajuda a garantir o cumprimento de compromissos pós-vendas.

A instalação dos CDs faz parte da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior do Governo e é uma das prioridades definidas pela APEX-Brasil para 2005 e 2006. A estratégia é buscar a internacionalização como forma de eliminar intermediários, encurtar a distância entre a produção e o consumidor e negociar preços competitivos.

A prioridade de instalação é para empresas que já possuem cultura exportadora, em geral de pequeno e médio porte, ainda que algumas grandes marcas sejam integradas para auxiliar a consolidação dos Centros.

Produtos perecíveis ou que exigem acondicionamento especial não poderão fazer parte dos CDs neste primeiro momento, uma vez que a estrutura de refrigeração encareceria o projeto. Estão excluídas também commodities e produtos a granel, porque o objetivo é estimular a venda de produtos com valor agregado maior.

A idéia é que os CDs constituam o primeiro passo para que empresas nacionais abram filiais no Exterior. Após uma permanência de 12 a 18 meses nesses locais, as empresas já terão tido o tempo e a experiência suficientes para, segundo o plano de negócios de cada uma, se estabelecerem no mercado.

Depois de Miami, Frankfurt na Alemanha será o próximo local a receber um Centro de Distribuição, com implantação prevista para o final do ano. “Esta será a primeira iniciativa brasileira de internacionalização conjunta entre empresas exportadoras, por isso o Centro será permanentemente avaliado”, diz Quirós. Em 2006 os CDs serão implantados nos Emirados Árabes, China, Polônia e África do Sul.

A gerente operacional do Centro de Distribuição de Miami, Silvia Breda Pierson, conversou com COUROBUSINESS sobre o início dessa operação do CD. Formada em comércio exterior pela Univille (SC), começou sua carreira na Marisol, e ficou por sete anos na Federação das Indústrias de Santa Catarina. Em 2000, ingressou no Brazil Information Center, entidade sem fins lucrativos que promove a marca Made in Brazil nos Estados Unidos.

COUROBUSINESS: Como foi o início dos trabalhos no Centro de Distribuição de Miami?

SILVIA PIERSON: Neste primeiro momento, o Centro de Distribuição está concentrando suas atividades na assessoria às empresas interessadas no projeto. Para iniciar as atividades, já que grande parte das empresas está estabelecendo uma filial nos EUA e revendo seus procedimentos de logística, é essencial analisar todas as possibilidades e selecionar a melhor solução para cada empresa, aumentando as chances de sucesso no mercado americano.

COUROBUSINESS: Quantas empresas já estão utilizando a estrutura do CD?

SILVIA PIERSON:  Contamos hoje com a participação de 92 empresas dos seguintes setores: mármore e granito, cerâmicas para revestimento, café, instrumentos musicais, chocolates e balas, cosméticos e confecções.

COUROBUSINESS:  Como a Apex-Brasil vai monitorar a performance das empresas selecionadas para o CD? A empresa poderá ser retirada do CD por alguma razão?

SILVIA PIERSON:  O objetivo do CD é o aumento das exportações. As empresas participantes serão monitoradas pelo volume exportado. Mas não há pressão para que as empresas apresentem resultados imediatos. É preciso planejar e investir para conquistar o maior mercado do mundo.

COUROBUSINESS: Qual é o modelo proposto pelo CD e que vantagens este caminho trará para as empresas?

SILVIA PIERSON:   Um modelo que temos apresentado às empresas é a exportação em consignação para uma filial da empresa brasileira nos EUA, e a utilização do Centro de Distribuição até a mercadoria ser efetivamente vendida pela filial americana. Este modelo oferece três grandes vantagens: o adiamento do pagamento do imposto de importação, a venda "doméstica" da mercadoria nos EUA e a possibilidade de pronta-entrega, além do apoio da APEX-Brasil em Miami. Como estamos localizados em uma zona alfandegada, a mercadoria segue direto do porto ou aeroporto para o CD. O pagamento do imposto de importação só acontece na saída da mercadoria do CD. Normalmente, sem uma zona alfandegada, este imposto é devido na hora que a mercadoria sai do porto ou do aeroporto. Seguindo o modelo do CD, a venda internacional ocorre entre a empresa brasileira e sua filial americana. A filial americana é que faz a venda aos clientes. O cliente americano não precisa se preocupar com a importação das mercadorias, o que dá ao produto brasileiro uma enorme vantagem competitiva. A terceira grande vantagem é a possibilidade de ter no CD mercadorias para pronta-entrega ou mesmo um estoque regulador, o que é essencial para atender a determinados clientes, como pequenas redes de varejo.  Durante todo o processo, a APEX-Brasil assessora e apóia as empresas, conforme a necessidade de cada uma. Entretanto, a APEX-Brasil não realiza as vendas para as empresas: em nenhum momento a empresa perde o controle do processo de exportação.

EXPORTAÇÕES PARA OS ESTADOS UNIDOS

Em 2004, os Estados Unidos ocuparam a 1ª posição entre os países compradores de produtos brasileiros, mantendo a mesma posição nos primeiros meses de 2005. (US$ 20.038 bilhões).

A participação das exportações para o mercado americano, em relação ao total exportado pelo Brasil, foi de 20,3%. Durante os primeiros cinco meses de 2005 , o valor exportado foi de US$ 8.879 bilhões.

A pauta de exportação brasileira para os Estados Unidos, em 2004, foi constituída de 91,3% de bens industrializados e 8,3% de produtos básicos.

As importações, em 2004, aumentaram 18,5%, chegando a US$ 11.337 bilhões. Com isso, o saldo comercial superavitário foi de US$ 8.700 bilhões, aumento de 22,1% comparado ao superávit anterior de US$ 7.127 bilhões. De janeiro a maio de 2005, chegou a US$ 1.072 bilhões.

Considerando os dados de janeiro a dezembro de 2004, pouco mais de sete mil empresas brasileiras efetuaram vendas para os Estados Unidos. No comparativo com 2003, o número de empresas cresceu 2,5%.

Especificamente para o estado da Flórida, o Brasil exportou em 2004 US$ 4,46 bilhões, 19,11% a mais que o ano anterior. Este volume representa 10,16% de participação brasileira na importação da Flórida. (fonte: MDIC)

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