Programa do Couro capacitou 23 mil produtores
de dezenove estados na melhoria da qualidade
Cerca de 23 mil produtores, profissionais e universitários de dezenove estados foram capacitados em 700 ações de treinamento, palestras e cursos técnicos desenvolvidas pelo Programa Brasileiro da Qualidade do Couro (PBQC), de outubro passado até maio deste ano. A iniciativa visa à redução das perdas anuais da ordem de US$ 1 bilhão que o país contabiliza com defeitos em couros.
O programa está recebendo investimento de R$ 6 milhões do CICB e Sebrae para sua execução. O objetivo principal é transformar as perdas em lucros com a conscientização dos agentes da cadeia produtiva sobre a importância de cuidar bem do couro. Estruturado em cinco módulos (Pecuarista, Esfola, Universitário, Caprinos e Ovinos e Peles Exóticas), possui uma equipe técnica formada por quinze consultores e trinta profissionais de apoio.
O PBQC já capacitou 4.579 pecuaristas em onze estados, salientando a importância dos cuidados essenciais, como não marcar os animais a fogo, substituir cercas de arame farpado por cercas de arame liso e combater os ectoparasitas.
Em outro segmento, o programa, com o Módulo Esfola, treinou 6.338 magarefes de 259 frigoríficos e matadouros em 10 estados. Cada evento é precedido de uma visita técnica, que faz o diagnóstico dos defeitos existentes no processo de esfola, para que o treinamento prático possa sanar dúvidas e corrigir imperfeições.
O empreendimento do CICB e do Sebrae também visa a iniciação profissional dos estudantes das áreas de Agronomia, Veterinária, Zootecnia e dos cursos técnicos. O Módulo Universitário, por exemplo, já formou 1.129 multiplicadores de 30 universidades e escolas agrotécnicas, que estão disseminando os cuidados com o gado e o couro para 15 mil pequenos produtores e trabalhadores rurais de suas regiões.
Na região Nordeste, o projeto é direcionado para os criadores de caprinos e ovinos, e já capacitou 10.835 criadores em sete estados. Este módulo orienta o pequeno produtor a cuidar do seu rebanho e a obter ganho adicional com o couro de boa qualidade, através das clínicas de manejo e boas práticas. Finalmente, o Módulo Peles Exóticas orienta produtores de rãs, avestruzes, peixes e jacarés a agregar valor à atividade, com a produção de couros de qualidade.
No final de agosto, o PBQC foi lançado em Roraima. Segundo Creusa Batista, coordenadora do programa, um dos grandes diferenciais do PBQC é a sua enorme capilaridade e por isso, foi organizado para abranger todos os públicos de interesse – do pecuarista ao esfolador, do estudante ao veterinário. A meta do Programa da Qualidade do Couro é ambiciosa: atingir em dois anos todo o território nacional, 500 mil pecuaristas, 18 mil trabalhadores em esfola e 1.080 universitários que multiplicarão os conhecimentos técnicos sobre a qualidade do couro para cerca de 15 mil pequenos criadores e trabalhadores rurais de suas regiões.
A cadeia produtiva do couro é um dos grandes motores da economia brasileira. A atividade movimenta mais de R$ 50 bilhões por ano, reúne 7 mil indústrias, emprega mais de 500 mil pessoas, exportou US$ 4 bilhões e criou 60 mil novos empregos diretos em 2004. Nesse contexto, o Brasil apresenta enormes vantagens competitivas no mercado internacional por dispor de abundante oferta de matéria-prima, além de ser o segundo maior produtor de couros do mundo, com 39,5 milhões de peças/ano.
Essa quantidade é transformada em qualidade por um moderno parque industrial, operado por mão-de-obra das mais qualificadas do mundo. “A cadeia produtiva gerou um superávit de US$ 3,8 bilhões em 2004, o que representa 11,5% de todo o superávit da balança comercial brasileira, que alcançou o recorde de US$ 33,6 bilhões”, destaca o presidente do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), Amadeu Pedrosa Fernandes. Para o atual exercício, o investimento projetado em todo o segmento coureiro –calçadista é da ordem de US$ 100 milhões, praticamente o mesmo realizado no período anterior. Segundo ele, o setor tem potencial para exportar US$ 10 bilhões e gerar 650 mil novos empregos nos próximos cinco anos.
Já as exportações da indústria curtidora foram de US$ 1,4 bilhão em 2004, com crescimento da receita de 22% em comparação com o período anterior, que contabilizou US$ 1,15 bilhão. O volume embarcado foi de 27 milhões de unidades. Do total disponível de 39 milhões de peças, cerca de 12 milhões de couros de alto valor agregado foram destinados ao mercado interno – para a indústria calçadista, de estofados e de artefatos –, movimentando ao redor de R$ 4,5 bilhões.
(Informações: Fleury Tavares – Comunicação – Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (11) 5092-3746)
Setor coureiro-calçadista lança planejamento estratégico
O Planejamento Estratégico da cadeia coureiro-calçadista foi lançado durante a sétima reunião plenária do Fórum de Couro e Calçados. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, falou das dificuldades que o setor está enfrentando. “Sei que essa cadeia produtiva precisa de cuidados específicos, pois é a mais afetada pela taxa de câmbio”. O ministro citou ainda a extração do couro e o transporte como as fases em que as peles são mais danificadas, o que desagrega valor e diminui a qualidade do couro brasileiro.
Furlan sugeriu uma atitude simples, que ajudou muito o setor de suínos no passado: a criação de um prêmio pela qualidade do couro, que estimularia o cuidado com a extração da pele e o transporte. Segundo ele, estamos desperdiçando material e transferindo competitividade, enquanto uma atitude simples, que não depende de questões mais complicadas como impostos, poderia ajudar muito.
No decorrer da plenária foram apresentadas as ações do planejamento estratégico desenvolvidas de acordo com cinco políticas prioritárias: desoneração da produção, financiamento da produção, fomento às exportações, capacidade tecnológica, melhoria da qualidade e produtividade e o desenvolvimento regional. No conteúdo do planejamento estratégico foram definidos os cenários, os gargalos, as ameaças, oportunidades, visões e missões reunidos em 18 ações gerais para o setor.
Os principais gargalos identificados através do planejamento foram a carência de linhas de financiamento, dificuldades na devolução dos créditos tributários ao exportador e a elevação de tarifas e impostos. Uma das principais ameaças do setor é o avanço da China, que vende produtos a preços bem inferiores estimulando a importação e enfraquecendo o comércio de produtos brasileiros.
Apesar das dificuldades, o saldo das exportações de couro e artefatos atingiu US$ 751 milhões de janeiro a julho de 2005 enquanto em 2004 o saldo foi de US$ 697 milhões durante o mesmo período. Quanto às vendas de calçados, o saldo alcançou a marca de US$ 1,102 bilhão em 2005 (janeiro a julho) e em 2004 (janeiro a julho) o valor foi de US$ 1,038 bilhão.
Só o setor de couro e artefatos produziu, em 2004, 36 milhões de peles, das quais exportou 26 milhões e ainda gerou 44,7 mil empregos. Já a produção de calçados no mesmo período foi 665 milhões de pares, dos quais 189 milhões foram vendidos para o exterior e 262 mil empregos foram gerados. Com relação aos componentes, foram exportados US$ 613 milhões e 101 mil empregos criados.
O setor produtivo elogiou a atuação do Ministério através do Fórum de Competitividade, que é o espaço de diálogo com o governo. Como resposta, os presentes ouviram uma mensagem otimista e desafiadora do ministro Furlan. “O setor produtivo que não encarar os desafios ficará para trás, não é hora de se deixar abater. A política econômica é forte e o ambiente externo continua favorável, apesar das ameaças”. (fonte: MDIC)
VITRINE NA INTERNET AJUDA EMPRESAS A EXPOR SEUS PRODUTOS
PARA O MERCADO EXTERNO
Mais de 25 mil exportadores e mais de 10 mil produtos fazem parte do sistema Vitrine do Exportador, ambiente para divulgar informações comerciais, mostrar produtos de exportação e facilitar o contato com importadores no exterior.
O sistema Vitrine do Exportador é um serviço via Internet disponível no endereço eletrônico do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (www.mdic.gov.br) com a finalidade de promover as empresas exportadoras e dar maior visibilidade aos produtos no mercado internacional.
Por meio de módulos de consulta, importadores potenciais poderão pesquisar informações pelo nome da empresa, por produto ou por mercado.
O serviço foi desenvolvido em parceria com o Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO), e tem por base de dados o SISCOMEX - Sistema Integrado de Comércio Exterior. Fazem parte da Vitrine do Exportador todos os exportadores que realizaram operações nos dois últimos anos, sendo a base de informação atualizada mensalmente, a partir de 2005, com a inclusão, automática, de novas empresas exportadoras. Excluem-se da Vitrine apenas os exportadores eventuais - pessoas físicas ou órgãos de governo - e os referentes a operações especiais, como doações e reexportação.
A Vitrine do Exportador oferece também o serviço Vitrine Virtual, que possibilita a criação de página na Web, com inserção de imagens e textos, para divulgação de seus produtos. As instruções para montagem da vitrine virtual encontram-se no próprio site.
Outra facilidade é que se a empresa já possui página na Internet e deseja disponibilizá-la como Vitrine Virtual, basta informar o endereço na web, no respectivo campo das informações comerciais.
