O País já é recordista na exportação de couro no mundo. Os números alcançam 26,3 milhões de unidades vendidas e é também o maior produtor com 36,5 milhões de unidades de couro cru. Apesar dos números pomposos, o pecuarista brasileiro não vê no couro a oportunidade de ganhar mais.
Para mudar essa visão, o Programa Boas Práticas Agropecuárias está sendo divulgado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Administração Regional de Mato Grosso do Sul (SENAR-AR/MS) e pela Embrapa Gado de Corte, que estão trabalhando com os profissionais das ciências agrárias para que estes sejam multiplicadores também dessas informações no campo com os produtores e trabalhadores rurais. O quarto curso será oferecido a partir da próxima segunda-feira, dia 26, na sala de aula do SENAR-AR/MS (Rua Marcino dos Santos, 401. Bairro Cachoeira II).
Apesar de o País vender muita pele, o pecuarista não se preocupa com a qualidade do produto. A produção se concentra no couro wet blue, o primeiro e mais simples de todos os processos de preparação da matéria-prima para a indústria. O País deixa de ganhar mais por não agregar valor ao produto.
Os frigoríficos em Mato Grosso do Sul premiam os produtores rurais que se preocupam na conservação do couro. Hoje, a pele representa quase 16% do valor da carcaça, conforme informou o médico-veterinário da Friboi, Osni Walter. “Os frigoríficos classificam o couro e remuneram o produtor. Hoje, o melhor couro vem do melhor manejo”, afirma Walter.
O que mais prejudica a qualidade do couro é, em primeiro lugar, a ação de parasitas e ectoparasitos e, em segundo, as marcas de fogo. “Alguns bois parecem outdoors ambulantes de tantas marcas na pele”, brinca o veterinário.
O wet blue tem esse nome por causa do tom azulado que resulta da aplicação de sal de cromo, feita para evitar o apodrecimento do couro. O preço médio obtido por unidade nesse estágio são 28 dólares — ante os 77 dólares pelo produto acabado. Como no Brasil não há restrições à venda de wet blue — a alíquota do imposto de exportação é de 7%, baixa para os padrões internacionais —, a importação vira um excelente negócio para fabricantes da Itália, de Hong Kong e da China, que usam o couro brasileiro para produzirem estofados e pastas, vendidos ao mundo inteiro. Para evitar que o mesmo aconteça com eles, esses países, que juntos são responsáveis pela compra de 60% do couro vendido pelo Brasil, criaram mecanismos tributários que desestimulam a exportação de wet blue. (FONTE: SATO COMUNICAÇÃO )