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CONSULTORES FALAM DA EXPERIÊNCIA JUNTO AO PBQC

O Programa Brasileiro da Qualidade do Couro encerrou suas principais atividades. O calendário deve continuar ate abril para cumprir alguns eventos do Módulo Pecuarista, que ficaram faltando, e alguns do novo módulo Caprinos e ovinos nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte.

Para fazer uma análise de cada um dos cinco módulos (Pecuaristas, Esfola, Universitários, Caprinos e Ovinos, e por último Peles Exóticas), COUROBUSINESS convidou cinco consultores para falar de suas experiências nos treinamentos do programa. Em contato com pessoas dos mais diversos níveis culturais, em lugares distantes de um Brasil continental, eles são unânimes em dizer que o PBQC foi fundamental para plantar a semente da conscientização do valor do couro, e da necessidade de melhorá-lo para elevar a competitividade do Brasil no mercado mundial. E todos estão também de acordo que seria necessário dar continuidade aos trabalhos para evitar que esta semente não se desenvolva. A seguir, as entrevistas com Marlos Almeida Carvalho, do Módulo Pecuaristas, Célio José Batista, do Módulo Universitários, Eduardo Figueiras, do Módulo Peles Exóticas, e Alexandre Bezerra, do Módulo Caprinos e Ovinos. O Módulo Esfola será apresentado na próxima edição.

 

MÓDULO – CAPRINOS E OVINOS

ALEXANDRE BEZERRA

 

COUROBUSINESS: Como foram os treinamentos do Módulo Caprinos e Ovinos, de quantos o senhor participou e por quanto tempo?

ALEXANDRE: Os treinamentos foram direcionados ao pequeno criador do Nordeste brasileiro, por representar mais de 90% do universo de criadores, escolas técnicas federais, escolas rurais exposicões e feiras livres. Fizemos pouco mais de 500 treinamentos em um ano, e fiz em torno de 30 a 40% deles.

 

COUROBUSINESS: Qual foi a informação mais relevante levada a este público?

ALEXANDRE: A importância em considerar a atividade como um negócio e, também, a relevância que o manejo correto dos animais exerce sobre a qualidade das peles.

 

COUROBUSINESS: Qual o perfil das pessoas que receberam este treinamento, e de onde vinham as maiores demandas?

ALEXANDRE: Pequenos criadores, para subsistência, em propriedades com menos de 50 hectares, dispersos e extremamente capilarizados, com pouco acesso ao crédito e a assistência técnica. São extremamente descrentes e resistentes a mudanças. Ceará e Bahia foram os estados que mais demandaram.

 

COUROBUSINESS: Como o Programa de Melhoria da Qualidade do Couro pode melhorar a realidade destas pessoas?

ALEXANDRE: Acredito que o PBQC tenha levado, além de algumas informações novas, um alento para essas pessoas. Entretanto, a melhoria na realidade de vida dessas pessoas precisa de um trabalho de assistência sério, perene e de longo prazo; envolvendo aspectos técnicos, financeiros, sanitários e mercadológicos.

 

COUROBUSINESS: O que mais chamou a atenção ao longo destes treinamentos?

ALEXANDRE: Dois aspectos me chamaram a atenção; primeiro o fato das pessoas desconhecerem a importância econômica das peles. O tamanho e a liquidez desse mercado. Segundo, o desencanto da maioria dos produtores.

 

COUROBUSINESS: Há algum acompanhamento junto às pessoas que receberam treinamento e como ele é feito?

ALEXANDRE: Não. Esse é, ao meu ver, o ponto fraco do programa. Em todo caso, é bom lembrar que esse não era seu objetivo.

 

COUROBUSINESS: Que outras ações complementares devem ser adotadas para que o esforço dos treinamentos não tenham sido em vão?

ALEXANDRE: Dar continuidade nas localidades que reúnem um efetivo mais concentrado de animais, a fim de atuarmos mais freqüentemente, numa região geográfica menor. Além é claro de utilizar os serviços públicos de assistência técnica como colaboradores.

 

COUROBUSINESS: Quais as maiores dificuldades que o senhor encontrou para realizar o PBQC?

LEXANDRE: No geral, as dificuldades maiores foram os deslocamentos. Grandes distâncias, estradas ruins e inseguras, acomodações precárias, etc. Porém tudo isso era menor quando a comunidade que recebia o programa mostrava gratidão e interesse. Em particular, a negação de algumas prefeituras e sindicatos em nos acolher para divulgação das idéias do programa.

 

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