PELES EXÓTICAS
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O Módulo Peles Exóticas prestou orientação a produtores de rãs, peixes, avestruzes, chinchilas e jacarés de oito estados a agregar valor à atividade, por meio da redução do desperdício de matéria-prima, eficiência no beneficiamento das peles, e divulgação do produto no mercado externo. Foram 11 treinamentos distribuídos pela Paraíba, por Rio de Janeiro, Pará, Rondônia, São Paulo e outros. O curso trouxe as seguintes etapas: abate do animal; estola; curtimento; recurtimento; acabamento, e reciclagem da água. Um dos consultores participantes deste trabalho foi Eduardo Filgueiras, do Curtume Kaeru, que ministrou 11 cursos de curtimento de peles exóticas, andou por todo o Brasil, e é o detentor da tecnologia de soldagem de peles. No final do ano passado, ele inaugurou a Kaeru São Paulo, loja de produtos acabados, em parceria com a estilista Tuka Bueno. Segundo Eduardo, é a primeira loja do país a trabalhar exclusivamente com o couro da aquicultura brasileira. Na entrevista a seguir, ele fala um pouco da experiência transmitida ao longo dos treinamentos do Programa Brasileiro de Melhoria da Qualidade do Couro. |
COUROBUSINESS : Qual a avaliação o senhor faz do Programa Brasileiro da Qualidade do Couro?
EDUARDO : O programa foi muito importante para o avanço e melhoria da qualidade do setor coureiro. O programa abrangeu todos dos setores da cadeia, começando na criação dos animais, na esfola (sistema de abate) e a parte de processamento de pele em couro.
COUROBUSINESS : Como foi participar destes treinamentos do PBQC?
EDUARDO : Foi muito gratificante. A estrutura do programa foi excelente e em todos os cursos realizados tive todo o suporte necessário, conheci realidades diferentes e com o meu pequeno e humilde conhecimento, acredito ter levado uma nova perspectiva para estas pessoas.
COUROBUSINESS : Que resultados puderam ser sentidos com os treinamentos? Como as pessoas reagiram?
EDUARDO : Já estou recebendo amostras de alguns couros curtidos provenientes de alguns cursos. Em Cabo Frio, cidade do Estado do Rio de Janeiro, os alunos montaram uma associação e estão implantando uma pequena unidade curtidora. Em Panorama e Paulicéia, cidades do Estado de São Paulo, já estão sendo processados couros com um excelente nível e no Pará eles estão se movimentando para a implantação de uma unidade em 2006.
COUROBUSINESS : É possível mudar a realidade da qualidade do couro no país com este tipo de programa?
EDUARDO : É sim. Acredito que este tipo de programa, além de melhorar a qualidade do couro tradicional, é capaz de fomentar o curtimento de novas peles, gerando emprego e renda para diversas famílias.
COUROBUSINESS : Que outras ações complementares devem ser adotadas para que o esforço dos treinamentos não tenham sido em vão?
EDUARDO : Acredito que novos cursos devem ser realizados para que todos tenham acesso, e que sejam realizados cursos de aperfeiçoamento para os que já participaram desta experiência.
COUROBUSINESS : O que mais chamou atenção ao longo desta experiência?
EDUARDO : A reação das pessoas em ver a transformação do seu “lixo”(peles de peixe e rã), em artigos de “luxo” e que possuem um bom valor agregado, criando uma perspectiva real de uma nova fonte de renda.
COUROBUSINESS : Como será feito o acompanhamento das pessoas ou entidades que receberam o treinamento, mesmo com a extinção do PBQC?
EDUARDO : Estou acompanhando os alunos por telefone e e-mail, e procuro ajudar como posso. Porém estou um pouco longe de quase todos.
COUROBUSINESS : Quais as maiores dificuldades que o senhor encontrou para realizar o PBQC?
EDUARDO : Geralmente a distância.
