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Alta chinesa anima empresários brasileiros

Inflação no país asiático permite reajuste de valores no setor coureiro-calçadista nacional.

Os produtores de alguns bens de consumo, como calçados e vestuário, estão aproveitando a inflação para reajustar valores, ainda que o preço de insumos e custos no atacado não tenham se alterado significativamente. Uma das principais influências para esse fenômeno é o encarecimento dos importados chineses, o que está deixando a concorrência mais justa, além da demanda aquecida.

A China está passando por um momento de alta acentuada nos preços devido à explosão das commodities e ao encarecimento da mão-de-obra. A pressão é tanta que nem mesmo o real fortalecido está sendo suficiente para segurar os preços. Os importados chineses subiram 4,4% em dólar e 1,6% em real no primeiro trimestre deste ano em relação ao quarto trimestre de 2007. Na comparação com o primeiro trimestre de 2007, os preços dos produtos importados da China subiram 12,7% em dólar, mas caíram 7% em real. 

O setor calçadista é um dos mais críticos quanto à concorrência chinesa, pois o país seria responsável por manter os preços em patamares mais baixos. Segundo os fabricantes, a concorrência é desleal, porque os calçados e tecidos chineses chegariam subfaturados. 

Para esses setores, o aumento dos preços dos produtos chineses, ainda que modesto, é um alívio. Em comparação com o quarto trimestre de 2007, o IPA de calçados subiu 1,4% no primeiro trimestre de 2008. Os preços dos sapatos importados da China aumentaram 5,3% em dólares e 1,8% em reais. Enquanto isso, as cotações dos calçados no varejo avançaram 9,03% entre abril de 2007 e 2008. No mesmo período, o couro no atacado subiu 5,41% para a modalidade semi-acabado, e o wet blue chegou a registrar queda de 1,75%.

As empresas estão aproveitando o momento de formas diversas. Enquanto alguns fabricantes preferem refazer as margens de lucro e repassar os aumentos de custos, outros optam por retomar a participação no mercado local.

Fonte: Valor Econômico

Revista Courobusiness, Ed. 58 – Mai/Jun 2008.

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