{ REVISTA COUROBUSINESS }
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O QUE SERÁ DE 2009?

 

 

Em vez de ouvir acadêmicos e “especialistas” em previsões do futuro, COUROBUSINESS optou pelo registro e divulgação de alguns dos mais importantes empresários da indústria curtidora. Empresários compram, industrializam e vendem couro para dentro e fora do País. As opiniões, não identificados por razões empresariais, revelam, no fundo, o grau de incerteza que domina as expectativas de cada um e de todos.  

 

Vamos exportar menos?

 

“Prevemos um primeiro semestre de 2009 com poucos negócios, tanto no mercado interno como no externo. No mercado doméstico as previsões são piores devido à crise mundial que será sentida no Brasil mais fortemente no próximo ano.”


“Se o dólar se mantiver num patamar acima de R$ 2,50 as exportações poderão diminuir menos que o esperado. Mas com certeza diminuirão. Os setores que mais demandam couro brasileiro são o mobiliário e o automotivo, ambos para estofamento. A crise americana que se espalhou para a Europa paralisou esses mercados.”

 

“Sim, vamos exportar menos em valor e também em quantidade, pois a oferta de matéria-prima também deve diminuir. O mercado externo deverá representar uma fatia menor em 2009 devido à diminuição da demanda nos setores automotivo e mobiliário, além de redução menos representativa em outros setores.”

 

“Falar do futuro neste momento ainda é muito prematuro, mas eu acredito que as exportações de couro e de praticamente todos os produtos da pauta brasileira vão sofrer uma redução em 2009. A crise está se instalando muito rapidamente nas economias centrais e impactando fortemente o consumo nestes mercados. Mesmo uma taxa de câmbio mais favorável não me parece suficiente para sustentar as exportações aos níveis atuais.”

 

“A resposta de um modo geral a esta pergunta seria sim, vamos exportar menos couro. Colocaria está questão um pouco mais segmentada: a) o segmento para couros automotivos deve apresentar uma redução drástica; b) o segmento para couros moveleiros deve cair para a metade a não ser que a indústria da construção civil tenha uma reação acima do esperado em nível mundial; c) o segmento de couros para calçados e artefatos deve crescer; d) o segmento para couros destinados a vestuário também deve crescer; e) a "grosso modo" o setor automotivo e moveleiro responde por 60% do consumo, portanto, mesmo o crescimento dos outros setores não compensará a perda em volume desses segmentos”.

 

“Considerando a participação do couro em torno de 40 a 50% para produtos voltados a estofados mobiliários e automotivos, há muita dificuldade em aumentar ou sequer manter os volumes atuais de exportação que já dão sinais de forte declínio. As indústrias, automobilística e moveleira, com suporte financeiro governamental estão se reestruturando por conta da recessão dos países desenvolvidos, como Japão, Estados Unidos e Europa. Se compararmos o preço do couro verde abaixo de US$ 0,30/Kg, não existem referências comparativas nos últimos 20 anos, o que poderia nos indicar um bom momento de formação de estoques; Ao mesmo tempo, porém, o couro Americano, que também não tem histórico dos preços atuais, está próximo a US$ 0,50 / Kg (Branded Cows). Não há um único indicador que possa nos direcionar para uma retomada consistente nos negócios externos.”

 

“Em razão do preço competitivo do couro brasileiro, deverá ocorrer uma recuperação no volume exportado em 2009, que deverá fechar este ano em uma queda próxima a 30% na comparação com 2007. Ao mesmo tempo, o próximo ano deverá ter queda no valor exportado, diante do preço menor do couro.”

 

“A lógica diz que a demanda mundial vai se retrair como um todo, até ao menos a metade do 2º semestre de 2009. Todavia também os abates no Brasil estão reduzidos. Eventualmente estas duas forças podem se equilibrar. Mas vale lembrar também que como um dos principais mercados do Brasil é a China, e esta como plataforma de transformação de couros em produtos finais para Europa e principalmente EUA, sofrerá mais que a média do restante da economia. Mas, sim, vamos exportar menos.”

 

O mercado interno vai continuar bom demandante?

 

“No primeiro semestre não. A partir do segundo semestre, com os preços do couro nos níveis que estão, muitos fabricantes de artigos que utilizaram couro tempos atrás e o substituíram por outra matéria-prima, devem retornar ao uso do couro, o que poderá resultar ao final em um ano bom, mas com negócios concentrados no segundo semestre.”

 

  “Acho que a demanda será menor a partir da análise de redução do PIB Brasileiro, por outro lado a possibilidade da utilização de couro  poderá ser maior em alguns artigos em função do preço.”

 

“Não creio. Estamos vivendo a euforia das compras de final de ano no comércio, mas no primeiro trimestre de 2009 as contas contraídas agora vão vencer e a inadimplência deverá ser grande, até porque os juros estão mais altos. Nos setor automotivo e no imobiliário a queda na atividade já é brutal e os estoques estão se acumulando. Se o desemprego vier muito forte, não há dúvida de que a retração no mercado interno será grande.”

 

“No mercado interno, apesar da excelente performance de crescimento no penúltimo trimestre deste ano, temos também um claro sinal de desaquecimento econômico. Apesar disto, acredito que será no mercado interno onde teremos melhores oportunidades em 2009.

 

“O mercado interno deverá apresentar desempenho apenas regular. Embora talvez em dose menor do que em outros países, o consumo do brasileiro também deverá ser afetado. Porém, o calçado brasileiro também terá preços atrativos ao mercado externo. E isto poderá proporcionar aumento de demanda de couro através de fabricantes brasileiros de sapatos.”

 

“Na indústria que trabalha para o mercado interno, haverá uma pequena retração.”

 

 

 

 

Reivindicações ao Governo Federal

 

“Criar um câmbio de proteção ao exportador em caso de grandes oscilações.

Diminuir o custo de frete e portuário.

Trabalhar pela retirada de exigência de certificado sanitário, em países como a China, para couros curtidos em qualquer estágio.

Devolver o Imposto de Exportação pago pela exportação de Wet Blue, em contrapartida a investimentos em agregação de valor e em novas plantas de manufaturados.

Desenvolver, junto como setor, uma política industrial séria e comprometida.

Restituir automaticamente os créditos fiscais federais decorrentes da Lei Kandir.

Facilitar a importação de couros salgados, eliminando o controle sanitário que é ineficaz, burocrático e demorado, tornando a operação quase impossível.

Reduzir a taxa de juros básica.

Ampliar a oferta de capital de giro com prazos mais longos.

Eliminar a incidência do Imposto de Importação sobre máquinas e equipamentos sem similar no Brasil.”

 

 

“A reforma tributaria é o tema número 1, sabendo que ela deve contemplar a possibilidade da não acumulação de créditos fiscais. Alem disto a devolução dos créditos já acumulados é de fundamental importância.

Ampliar a oferta de linhas de créditos de longo prazo para exportação.”

 

“Menos gasto com custeio da máquina pública (menos reajuste salarial, menos contratações, etc.), mais investimentos governamentais, redução da carga tributária e dos juros.”

 

“Poderia sugerir varias medidas, mas no estágio em que nos encontramos se o governo somente cumprir a lei e ressarcir as indústrias dentro do que prevê a Lei Kandir já estará bom.”

 

“No próximo ano vamos continuar batendo na mesma tecla, que é a forte concentração dos impostos retidos das empresas exportadoras. Mais do que nunca, o governo precisa se empenhar na ajuda aos exportadores, tanto nos créditos tributários, quanto em linhas de crédito acessíveis e a juros adequados.”

 

“Agilização na restituição dos créditos tributários, federal e estaduais.

  Linha de financiamento para capital de giro especifica para o setor.

  Efetivação de mecanismos de financiamento das exportações a custos compatíveis ( ACC´s ACE´s, etc.). Discurso x prática são opostos. “

 

 

“O Brasil segue esperando uma política industrial mais nítida, que se expresse através da reforma tributária, desoneração da folha; redução dos gastos públicos; agilidade na liberação dos créditos das exportações; mecanismos de estímulo à atividade produtiva.”

 

 

O Imposto sobre o Blue deve continuar?

 

“Definitivamente, NÃO!”

 

 “Sim, é instrumento fundamental para o desenvolvimento da indústria que agrega valor.”

 

“Não sei. Mas o assunto com certeza merece ser reavaliado.”

 

Sinceramente não creio que o imposto sobre o Wet Blue altere a maior ou menor saída do produto do Brasil. Se olhar a exportação fica claro que o imposto não diminuiu a saída de couro Wet Blue. O imposto só alteraria a situação se fosse fixado em patamares próximos ou superiores a 15%.”

 

­­­­­“ No imposto de exportação sobre o Wet Blue, os 9% ajudou, mas não surtiu o efeito desejado. Em minha opinião esta taxa deveria se equiparar aos grandes detentores mundiais de matéria-prima, que se situam entre os 15% até a proibição de exportação.”

“Só assim estimularíamos a indústria nacional a investir ainda mais na agregação de valor e a se fortalecer como principal exportador neste segmento.”

 

“Os números das exportações evidenciam bons resultados em razão deste imposto. Observa-se claro estímulo à agregação de valor ao couro dentro do Brasil. Porém, é importante que prospere a tese de que a receita deste imposto reverta em ações que beneficiem a cadeia do couro. Aí teríamos uma resposta extraordinária do setor, que tem uma potencialidade inigualável, combinadas a disponibilidade de matéria-prima, alta tecnologia e capacitação da mão-de-obra e criatividade característica do brasileiro.”

 

“Este assunto deveria ser discutido tudo no bojo da reforma tributária. E ainda de acordos bilaterais que o Brasil deveria fazer como os principais mercados consumidores a fim de equalizar as tarifas do setor, saindo da dialética da diplomacia deste governo acerca do MERCOSUL e eixo Sul-Sul. Somos contra o imposto e a maneira que é cobrado, pois da implantação ate hoje em nada beneficiou o setor, o que temos visto é algumas indústrias apenas se beneficiando, criando uma concorrência desleal.”  

 

“O imposto sobre o Wet Blue só transfere recursos do setor provado para o setor público. Ele não tem o poder de estimular investimento em agregação de valor. O mercado está acima dele. Já está na hora dele ser suprimido.”

 

 

OPINIÃO DO EDITOR

Parece tarefa impossível prever 2009. Na média, a expectativa é de queda na quantidade exportada. Apesar disso, ou em razão disso, muitos estão apostando no mercado interno, inclusive por expectativas cadentes do preço do couro. Mas o futuro ainda é coberto por uma névoa cinzenta, mas a lista de reivindicações ao governo é grande. Destaque para preocupações políticas importantes, como cobranças visando à redução de gastos públicos. Redução da carga tributária, juros menores e oferta de crédito de prazo longo são pleitos recorrentes que se ampliam na crise. Em comum, a cobrança pela liberação de créditos fiscais federais e estaduais retidos, que é uma das maiores abusos tributários do País. Esses créditos são como capital de giro a custo zero, pois pertencem às empresas, mas encontram-se cinicamente “seqüestrados” pelas autoridades governamentais. Quanto a taxação do Wet Blue, há mais dúvidas do que certezas de sua utilidade. O que será de 2009, título desta matéria, continua a ser um enorme desafio.  

Revista Courobusiness, Edição nº 61 – Nov/dez 2008.

 

 

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