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PECUÁRIA REAGE CONTRA PROPOSTA
DE RESTRINGIR A EXPORTAÇÃO DE WET-BLUE

                 A proposta da Abicalçados - Associação Brasileira das Indústrias de Calçados e do CICB - Centro das Indústrias de Curtumes, de restringir a saída de couros no estágio Wet-Blue, por meio da imposição de taxas ou fixação de cotas ou contingenciamentos, enviada às autoridades econômicas do Governo Feral, em especial para a CAMEX - Câmara de Comércio Exterior, teve como um de seus efeitos a pronta reação da ponta de baixo da cadeia produtivo, os pecuaristas.
                A valorização do couro está despertando a pecuária para o valor econômico dessa matéria-prima, que sempre foi ofuscado, na estrutura econômica do gado bovino, pela carne, um produto considerado mais nobre que o couro. Alguns curtumes já mantêm parcerias com frigoríficos e produtores com o objetivo de melhorar a qualidade da matéria-prima, remunerando melhor aquelas de melhor classificação. Os frigoríficos, outro importante elo da cadeia, também já começaram o processo de verticalização, para frente o para trás, em busca de melhores oportunidades comerciais. O couro, como elemento presente em todos esses segmentos, aos poucos começa a adquirir o status de produto de valor econômico importante em toda a cadeia. Nessa moldura, ameaças de restrições à sua exportação, em qualquer estágio, resultam em reações de todos os segmentos envolvidos.

NEM TAXAÇÃO, NEM QUOTA:
PELO LIVRE MERCADO

                Manuel Henrique Farias Ramos, presidente do CNPC - Conselho Nacional da Pecuária de Corte, ouvido pela Courobusiness, assim se manifestou sobre a proposta de taxar a exportação de couro no estágio Wet-Blue: "Nós, da agropecuária, estamos lutando contra a imposição de barreiras aos produtos brasileiros, tanto no Mercosul quanto na OMC, Organização Mundial do Comércio, como então ser favoráveis ou até mesmo pedir a imposição de barreiras à saída de um produto que compõe a nossa cadeia produtiva?" Para o presidente do CNPC, não estão claras as razões do pleito, pois:
" se a matéria-prima é disponível, se alguém lá fora paga um bom preço por ela, se a demanda interna é atendida, por que tributar?
                Para discutir o tema, em conjunto com outros membros da cadeia produtiva, Manuel Henrique reuniu o CNPC, em Brasília, no dia 21 de junho. A reunião foi coordenada pelo CNPC e pelo Fórum Nacional do Pecuária, da Confederação Nacional da Agricultura, presidido pelo empresário Antenor Nogueira Neto. Representantes de quase todas as unidades da federação estiveram presentes, emitindo com clareza suas opiniões.


      O entendimento de Antenor Nogueira Neto, coordenador do Fórum Nacional da Pecuária, também não deixa margem a dúvidas. Para ele, "taxar a exportação do Wet-Blue, não é ruim somente para a pecuária e para os exportadores de Wet-Blue. É ruim também para o país, pois corre risco não só de perder divisas importantes, bem como de sofrer retaliações, apenas para beneficiar um poucos empresários, ou um segmento isolado."
As manifestações dos demais membros do Conselho Nacional da Pecuária de Corte seguiram essa linha contrária à qualquer imposição de taxas ou de imposição de cotas à exportação de Wet-Blue. A síntese dos pronunciamentos dos presentes é a seguinte:
Arnaldo Coelho do Amaral Filho, Direto Sociedade Rural do Paraná, manifestou-se contrariamente a qualquer imposição tributária. Mas salvou que é importante discutir a exportação produtos de maior valor agregado, e de outro asssuntos importantes para os agronegócios, co Lei Kandir, que de vez em quando sofre contenções de outros membros da cadeia.


                Edvor Vileia de Quiroz, falando em n do Sindifrio, São Paulo, fez uma ampla exposições dos seus pontos de vista sobre a questão. Para qualquer proposta de tributar a exportação si se na contramão do história, não só interna, como internacional, nesse momento de globalização da economia. "A idéia de livre comércio tem de prevalecer sobre protecionismos, e não se pode esquecer que trata-se de medida prejudicial às pequenas e médias empresas."
Fernando A. J. de Souza, da Federa do Agricultura do Rio Grande do Sul, entende qu há algum problema na cadeia, ele merece ser estudado e resolvido, mas sem criar novos problemas. Restringir a saída de Wet-Blue pode resolver problemas isolados, mas cria problemas importantes. ele, o governo deveria "barganhar" com terceiros países a melhor solução, usando como troca a questão da taxação da carne, de calçados... etc.

                Laucídio Coelho, do Associação de dores do Mato Grosso do Sul, diz que a medi inoportuna, especialmente quando se discute forma tributária. O país quer reduzir a tributação, tributar mais, disse. No seu Estado, acrescento há convênios entre pecuaristas e frigoríficos melhorar a qualidade do couro, aumentando remuneração, A medida vai contra tudo isso.
Hygino Felipe de Carvalho, da Federa da Agricultura de Goiás, é contra qualquer prop de restringir a saído de Wet-Blue, e não admite esse assunto seja tratado fora da cadeia produtiva conduzido por um setor isolado. Apoia a agrega de valores, mas não à custa de um setor.

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