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A extraordinária contribuição de couro
e calçados para a balança comercial brasileira.

                A exportação de couro (capitulo 41, da NCM), em 2000, registrou um extraordinário crescimento de 24,65%, em valor, sobre o ano de 1999. A receita total das exportações brasileiras de couro foi de US$ 739,2 milhões. Este número é praticamente o mesmo de 1997 (US$ 740 milhões), o maior valor exportado em couro pelo Brasil em toda a sua história. Todavia, a exportação de 2000 tem melhor qualificação que a de 1997, pois, em quantidade, ela é menor que a daquele ano. Significa dizer que o valor médio do couro brasileiro exportado em 2000 melhorou. Quando o Brasil deu início à abertura de mercado na era moderna, em 1990, a exportação de couro naquele ano foi de US$ 248 milhões de dólares. Fecha-se a década, em 2000, exportando-se três vezes mais.

                O quadro 1, abaixo, mostra a exportação brasileira de couros em 2000, comparativamente com 1999, em valor, evidenciando a sua espetacular recuperação.

 

EXPORTAÇÃO DE COUROS - QUADRO 1

POR VALOR - US$ 1,00 / JANEIRO A DEZEMBRO - 2000 X 1999

Tipo de Couro Jan/Dez 2000 Jan/Dez 1999 2000/99 (%)
Salgado 1.414.124 3.725.374 -62,04
Wet-Blue 424.759.392 302.934.245 40,22
Crust 161.434.676 129.318.555 24,83
Acabado 138.754.194 147.342.246 -5,83
Sub-Total 726.362.386 583.320.420 24,52
Solas 4.216.004 2.147.878 96,29
Ovinos 8.301.708 7.413.342 11,98
Caprinos 4313.877 1.857.997 -77,72
Total Geral 739.293.975 594.739.637 24,31

 

                O comportamento da exportação em valor deve ser analisado vis-a-vis a exportação por número de couro. A quantidade exportada (vide quadro 2) é cerca de 1,5% menor que a de 1999. A soma dos quatro tipos de couro bovino exportados (Salgado, Wet-Blue, Crust e Acabado) é 14,6 milhões de unidades. Apesar da predominância da exportação de couro no estágio Wet-Blue, o maior crescimento em quantidade é de couro Crust, 10% a mais que em 1999. A exportação de Wet-Blue estacionou-se em 10,3 milhões de unidades, número considerado elevado, sendo meta reduzi-lo, até 2003, para algo entre 5 e 6 milhões de unidades. O destaque negativo da exportação em quantidade é o couro Acabado, que decresceu cerca de 16,2% em relação a 1999.

 

EXPORTAÇÃO DE COUROS - QUADRO 2

POR Nº  DE COUROS / JANEIRO A DEZEMBRO - 2000 X 1999

Tipo de Couro Jan/Dez 2000 Jan/Dez 1999 2000/99 (%)
Salgado 119.918 313.839 -61,79
Wet-Blue 10.398.194 10.326.526 0,69
Crust 2.397.749 2.178.732 10,05
Acabado 1.701.764 2.032.367 -16,27
Sub-Total 14.617.625 14.851.465 -1,57
Solas 59.059 27.078 118,11
Ovinos 731.264 738.651 -1,00
Caprinos 48.851 259.054 -81,14
Total Geral 15.456.799 15.876.247 -2,64

 

                O cruzamento de valor e quantidade mostra o valor médio do couro exportado, e ele deve ser analisado produto a produto. A maior recuperação de valor é do couro Wet-Blue. De um valor médio de US$ 29,34 em 1999m, passou para US$ 40,85 em 2000, crescimento de 39,2%. Crust e Acabado também registraram uma significativa recuperação, em torno de 13%, como está demonstrando no quadro 3:

 

EXPORTAÇÃO DE COUROS - QUADRO 3

VALOR MÉDIO EXPORTADO, POR UNIDADE, EM US$ / JANEIRO A DEZEMBRO - 2000 X 1999

Tipo de Couro Jan/Dez 2000 Jan/Dez 1999

2000/99 (%)

Salgado 11,79 11,87 -0,66
Wet-Blue 40,85 29,34 39,25
Crust 67,33 59,35 13,43
Acabado 81,54 72,50 12,47
Sub-Total 49,69 39,28 26,51
Solas 71,39 79,32 -10,01
Ovinos 11,35 10,04 13,11
Caprinos 8,47 7,17 18,13

 

                Ao contrário dos resultados do início de 2000, a exportação de Wet-Blue fechou o ano com predominância ainda maior do que detinha em 1999. Naquele ano, a exportação de Wet-Blue representou 69,5% do total. Em 2000, este percentual subiu para 71,1%. Crust saltou para 16,4% do total e Acabado caiu para 11,6%. É o que se observa no quadro 4, abaixo.

 

EXPORTAÇÃO DE COUROS (4 TIPOS)  - QUADRO 4
PARTICIPAÇÃO % NA QUANTIDADE EXPORTADA
JANEIRO A DEZEMBRO - 2000 X 1999

Tipo de Couro Jan/Dez 2000 Jan/Dez 1999
Salgado 0,82% 2,11%
Wet-Blue 71,13% 69,53%
Crust 16,40% 14,67%
Acabado 11,64% 13,68%
Total Geral 100,00% 100,00%

 

WET-BLUE:
COMPORTAMENTO POS-TAXAÇÃO

                Desde 1º de dezembro de 2000, a exportação de couro no estágio Wet-Blue está submetida à incidência de uma alíquota de 9% "ad valorem". A expectativa das autoridades governamentais, atendendo a pleitos do CICB e da ABICALÇADOS, é a de que a taxação resulte na redução da quantidade exportada de Wet-Blue e no aumento da exportação de couros de maior valor agregado. Outro efeito esperado é reduzir a exportação de couro, aumentar a sua oferta interna e diminuir o custo para a indústria manufatureira. Uma das metas do CICB, firmada com a APEX (vide matéria nesta edição), é chegar em 2003 exportando os seguintes percentuais de couro segundo seu estágio de industrialização: 39% de Wet-Blue; 29,8% de Crust e 29,9% de Acabado.

                A amostra - comportamento de um só mês e justo do primeiro mês de taxação - impossibilita uma análise que projete uma visão, futura, uma tendência do mercado. Ainda assim é interessante verificar que a exportação de Wet-Blue no mês de dezembro de 2000 foi de 900.812 couros, e esse número permite as seguintes comparações: 1) a exportação foi menor que a do mês anterior, novembro (sem incidência tributária), que registra uma saída de 1.115.237 couros - certamente incorporando exportações antecipadas em função da então iminente decisão de taxação, e 2) a exportação de Wet-Blue em dezembro com a taxação, todavia, é superior a média do ano (866.516 couros), sendo também uma das quatro maiores do ano de 2000, perdendo apenas para as exportações dos meses de janeiro, fevereiro e novembro.

                Quando se examinam os números da exportação de couro nos estágios Crust e Acabado, verifica-se um crescimento significativo da exportação de Crust, que saltou de 184.848 unidades em novembro, para 267.117 unidades em dezembro, cerca de 44% a mais. A exportação de Crust em novembro é a segunda maior do ano de 2000, só perdendo para a verificada no mês de janeiro (314.428 unidades), situando-se bem acima da média de 2000, que é de 199.812 unidades. Fica a expectativa, numa primeira avaliação, de que o crescimento da exportação de Crust em dezembro é de,., corrente da taxação do Wet-Blue. Entretanto, pelas mesmas razões aventadas no início deste texto, é cedo para qualquer afirmação nesse sentido.

                O crescimento do número de unidades de couro Crust exportado em dezembro deve ser analisado conjuntamente com o comportamento do preço médio atribuído a esse produto naquele mês. Os dados da Secex permitem verificar que o valor médio do couro Crust exportado em dezembro (US$ 69,63) é @0@significativámente inferior ao valor médio dos cinco meses imediatamente anteriores. Em novembro de 2000, por exemplo, o valor médio do Crust exportado foi US$ 75,20, cerca de 8% maior do que o de dezembro.

                As relações de causa e efeito sobre o quanto a taxação de Wet-Blue pode interferir no preço e na quantidade exportada dos demais couros devem ser analisadas por diversas óticas. Além do resultado esperado com a medida, deve-se levar em conta que o exportador pode sopesar a tributação européia Crust e Acabado e a tributação brasileira sobre Wet-Blue e, a partir daí, efetuar a exportação segundo sua melhor conveniência. Outro aspecto imé verificar se o destino das exportações de Wet-Blue, após a tributação, continua sendo preponderantemente a Europa. Será preciso, no mínimo, uma seqüência de exportação com atributação para se ter uma análise mais confiável dos efeitos da medida governamental instituída pelo Decreto 3.684, de 7 de dezembro de 2000, que sujeita as exportações de Wet-Blue (à exceção daquelas direcionadas aos países membros do Mercosul) à incidência do Imposto de Exportação de 9%, até 30 de novembro de 2001.

Calçados: o retorno ao patamar de US$ 1,5 bilhão

                A maior exportação anulal de calçados, em valor, deu-se em 1993, quando se contabilizou US$ 1,93 bilhão de dólares. Nos últimos dois anos, 1998 e 1999, a indústria de calçados viu reduzir-se a exportação para patamar inferior a US$ 1,4 bilhão. Em 2000, constata-se o retorno da indústria calçadista ao patamar superior a US$ 1,5 bilhão. Mais precisamnete,  a Abicalçados registrou exportações de US$ 1.546.744.252. Foram exportados 162.520.974 pares de calçados , no valor médio de US$ 9,52 contra uma exportação de 137.173.136 pares em 1999, registrando-se, pois, o significativo crescimento de 1 8% na quantidade de pares exportados. Em valor, o crescimento foi da ordem de 21 %.

                Mais positivo que constatar o retorno da exportação de calçados aos bons tempos, é a expectativa extremamente favorável, segundo Nestor de Paula, presidente da Abicalçados, em relação ao ano de 2001. Para ele, será possível crescer 20%, elevando as exportações anuais para acima de US$ 1,8 bilhão, e manter crescimento contínuo de 20% ano após ano. Trata-se de uma boa notícia para a balança comercial brasileira. Como acredita-se que a exportação de couro pode ultrapassar os US$ 900 milhões em 2001, a exportação desses dois segmentos poderá ir além dos US$ 2,7 bilhões e gerar um superávit comercial em torno de US$ 2,5 bilhões.

                Os Estados Unidos continuam sendo os grandes compradores de calçados brasileiros - destino de 69,75% do total, ou 99 milhões de pares - e a Argentina, o segundo mercado, é responsável (apesar do crescimento nos últimos anos) por apenas 7,9%, ou 18,9 milhões de pares. A indústria brasileira, como não poderia deixar de ser, está de olho no comportamento da economia americana que dá sinais de recessão. Os outros importadores de calçados brasileiros de maior destaque são o Reino Unido, que comprou 6,9 milhões de pares, e o Canadá, que levou 3,4 milhões de pares. No entanto, as transações com o mercado canadense podem ser prejudicadas com o desenrolar da disputa Embraer/Bombardier.

                No mercado interno, o Rio Grande do Sul mantém a liderança como maior estado exportador, com 83,5% do total faturado e 74,6% do volume embarcado. Foi arrecadado R$ 1,29 bilhão e vendidos 121,3 milhões de pares. São Paulo, segundo maior exportador brasileiro de calçados, foi responsável pelo faturamento de R$ 135,3 milhões, mas o Ceará enviou maior quantidade que os paulistas.

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