{ REVISTA COUROBUSINESS }
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A  APOSTA  NA  EXPORTAÇÃO

                Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior apontam um superávit de US$ 10 bilhões, até junho (dados preliminares disponíveis até o fechamento desta edição). Em comparação ao ano passado, nos primeiros quatro meses de 2003, o ministério já registrava, em valores, um aumento de US$ 4 bilhões nas exportações, movimento ascendente que beneficia todos os setores que dependem do mercado internacional, como o de couro e calçados. O ministro Luiz Fernando Furlan, que comanda a pasta da produção industrial, vem defendendo a ampliação da base exportadora aliada à diversificação dos mercados, para que os setores sobrevivam a movimentos de altas e baixas no comércio. Particularmente, o setor calçadista se viu prejudicado com as crises simultâneas em dois de seus maiores compradores, Estados Unidos e Argentina, aquele pela guerra no Iraque e este pelo caos econômico. A China aparece no cenário com fôlego do gigante que é: o segundo país no destino das exportações brasileiras em geral. No primeiro quadrimestre do ano, os Estados Unidos registraram a maior importação de produtos brasileiros, com US$ 5,380 bilhões (participação de 25,92% na pauta). O segundo maior comprador foi a China com US$ 1,185 bilhão (participação de 5,71%). É espantoso o percentual dos chineses quando comparado ao mesmo período de 2002. Eles atingiram o maior crescimento de exportação, com aumento de 185,75%.

                Em meio a uma agenda apertada de viagens e reuniões, o ministro Furlan, gentilmente comentou, com exclusividade, as perspectivas do Brasil no mercado exterior.

                COUROBUSINESS - A que o governo atribui este aumento de US$ 4 bilhões nas exportações nos primeiros quatro meses do ano?

                FURLAN: São vários os fatores que contribuíram para este resultado, mas destaco a diversificação de nossa pauta exportadora e o crescimento de nossas exportações para mercados não tradicionais. No mês de maio, por exemplo, aumentos as vendas, se comparado com o mesmo período de 2002, dos seguintes produtos: mármores e granitos (531%), maças frescas (188%), mel natural (116%) e ceras vegetais (33%). Com relação ao mercados compradores, podemos destacar o aumento das vendas para República Eslovaca (228%), Turquia (105%) Romênia (169%) e Senegal (485%). A retomada da economia da argentina foi outro ponto de muita importância para esse bom desempenho da balança. De janeiro a maio deste ano, nossas exportações cresceram 85%, se comparadas ao mesmo período do ano passado, atingindo valor de US$ 1,4 bilhão.

                COUROBUSINESS - Quais setores estão puxando esta alta nas exportações?

                FURLAN: Além dos setores agrícolas e siderúrgicos, onde o Brasil é um dos mais importantes produtores e exportadores mundiais, outros setores vêm se agregando a uma nova vocação brasileira para a exportação. O setor automotivo é um dos setores dinâmicos onde o Brasil vem consolidando uma vocação exportadora, bem como o setor aeronáutico e de telefonia celular. Contudo, outros segmentos despontam como setores de ponta e podem se consolidar como novas vocações para as exportações brasileiras. Taxas de crescimento sustentáveis vêm sendo atingidas por distintos setores em 2003: produtos da linha branca (refrigeradores, aparelhos de ar condicionado, fogões, lavadoras, lava loucas, secadoras de roupas e microondas) cresceram 71%, motocicletas (327%), máquinas para uso agrícola (90,3%), condensadores elétricos (81,6%) e fios e cabos condutores elétricos (65,3%).

                COUROBUSINESS - O setor de couro foi prejudicado com o adiantamento de uma importante feira comercial na Ásia em função da pneumonia atípica. Como os setores deve prosseguir com as negociações com a China neste período? O governo tem participado destas negociações?

                FURLAN: O Brasil tem sido o maior parceiro comercial da China na América Latina e, desde 2002, a China é o quarto maior destino para as exportações brasileiras. No caso específico do setor coureiro, é necessário salientar que, infelizmente, a Asia Pacific Leather Fair (APLF) foi cancelada e não adiada. Mas creio que tanto o governo chinês quanto a OMS têm se mostrado confiantes na rápida diminuição dos casos de pneumonia atípica na região. O que não se pode perder de vista, no âmbito econômico-social, é a importância e o potencial do mercado chinês para o setor coureiro. Somente no primeiro trimestre de 2003, cerca de 25% em valor (US$61,3 milhões), do couro exportado pelo Brasil foi destinado ao mercado chinês, o que o torna nosso segundo maior destino para as exportações desse setor.

                COUROBUSINESS - O senhor fala do alcance dos famosos US$ 100 bilhões. Quando isso seria possível?

                FURLAN: Uma coisa de cada vez. Vamos pensar primeiro na meta de crescimento das exportações, que é de US$ 8 bilhões até o final deste ano. Isto significará aumento das vendas para o exterior em 12,7% sobre 2002. Nos cinco primeiros meses do ano, as exportações já cresceram 30,6%, sobre igual período do ano passado, indicando que a previsão poderá vir a ser revista para cima nos próximos meses.

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