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ASSINTECAL: NOVOS CAMINHOS PARA COMPETITIVIDADE

A Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos – Assintecal representa mais de 300 empresas associadas e é um dos elos da cadeia coureiro-calçadista mais comprometido com a exportação de valores agregados. No Brasil encontram-se em torno de 1.551 indústrias de componentes instaladas, sendo a maioria (60%) de microempresas, que se concentram principalmente no Rio Grande do Sul (51,7%) e São Paulo (34%), em torno de dois fortes pólos produtores de calçados: Vale do Sinos/RS e Franca/SP).  O setor vem sendo afetado diretamente pela crise que se abateu sobre a indústria do calçado, por isso, segundo o presidente da entidade, Luís Cláudio Amaral, o foco do setor é aumentar as exportações neste ano e seguir investindo no mercado interno.

 

Empossado em abril último, o novo presidente está no time dos que vêm na China uma grande oportunidade. Não é à toa que as vendas, em 2005 de componentes brasileiros para lá cresceram 45%, atingindo US$ 18,4 milhões. Luís Cláudio Amaral destaca que para sobrevivar ao fenômeno China é preciso encontrar outros modelos de competitividade. No caso do setor de componentes a opção está sendo investimentos em design , inovação e tecnologia, especialmente me projetos apoiados pela Apex-Brasil voltados para exportação. Essas e outras interessantes opiniões estão na entrevista que se segue.

 


COUROBUSINESS : Quais são os desafios do setor de componentes para 2006?

 
AMARAL :Trabalhamos com a meta de atingir crescimento nas exportações e manter o desempenho no mercado interno, que vem sofrendo com a queda na produção calçadista. Estas metas representam grandes desafios face às dificuldades enfrentadas pela indústria de calçados e pelo fator câmbio, que interfere drasticamente nas exportações. Além disso, iniciamos em abril uma nova gestão à frente da Assintecal, e assumimos com o compromisso de manter o trabalho já iniciado, mas fortalecer a total
integração entre os diferentes segmentos que compõem a cadeia coureiro-calçadista brasileira. Integração e crescimento são nossos principais desafios.


COUROBUSINESS :Outros setores da cadeia coureiro-calçadista, como máquinas e calçados, vêm se queixando de queda nas exportações principalmente devido à baixa cotação do dólar. Como a questão da
valorização do Real está afetando o setor de componentes?


AMARAL : Ainda não tivemos queda nos valores exportados, mas tivemos uma forte redução no ritmo de crescimento. Em 2003 e 2004, sempre com o apoio da APEX-Brasil (Agência de Promoção de Exportações e Investimentos), ampliamos as exportações em cerca de 20% ao ano, em relação ao período anterior. Em 2005, este incremento ficou em torno de 7%, percentual que se manteve no primeiro quadrimestre de 2006. Além disso, a valorização do Real está afetando a produção de calçados para exportação, o que mexe
com a demanda de componentes no mercado interno. Portanto, há perdas no Brasil e no exterior.


COUROBUSINESS :No ano passado, as vendas de componentes brasileiros para a China cresceram 45%, atingindo US$ 18,4 milhões. É uma estratégia de reação contra a invasão dos produtos chineses no mercado?

AMARAL : O setor de componentes atua com uma visão de mercado globalizado. Dentro desta visão, procuramos encontrar as oportunidades de negócios que se apresentam em diferentes mercados, e aceitar a hipótese de que, em vários momentos, o nosso mercado também será uma oportunidade para outros fabricantes, o que não significa que ficaremos passivos diante da concorrência internacional. Procuramos competitividade permanente através da inovação, design , valor agregado, tecnologia, serviços agregados. No caso da China, independentemente das oportunidades que o país encontra no Brasil, é um mercado desejado por qualquer indústria. Somente na área calçadista, é a maior produção mundial, com cerca de
nove bilhões de pares/ano. Portanto, para o setor de componentes, é uma grande oportunidade. Estamos identificando espaços para comercialização de produtos de maior qualidade e valor agregado, ou produtos
diferenciados tecnologicamente, caso de solados de couro, taninos vegetais para curtimento de couro, contrafortes. É uma estratégia de atuação internacional, apoiada pela APEX-Brasil, que busca grandes
mercados e boas oportunidades comerciais para a indústria brasileira.   


COUROBUSINESS : O setor calçadista, por exemplo, vem adotando a estratégia de vender para mercados de alto valor agregado, onde os produtos chineses não têm vez. O senhor acredita que este deve ser o
caminho adotado por outros elos da cadeia, ou seja, o “fator China” veio para modificar os rumos da exportação definitivamente?

 
AMARAL : Acredito que sim, porque eles têm grande vantagem na produção em escala e, com isso, oferecem preços muito baixos, embora muitas vezes este diferencial seja acompanhado de baixa qualidade. Portanto, é preciso encontrar outros modelos de competitividade, e já seguimos este caminho no setor de componentes. Nossos projetos de design , inovação e tecnologia, desenvolvidos principalmente ao lado da APEX-Brasil e do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), são desenvolvidos com este foco. É importante salientar que outros fatores contribuem para nossa presença em mercados internacionais. Os serviços agregados, a informação diferenciada, a facilidade de atendimento em
relação a quantidades menores por pedido, são alguns fatores que colocam os componentes do Brasil em vantagem, em diferentes mercados.

 
COUROBUSINESS : Como é a interação entre o setor de componentes e os demais setores da cadeia? Há uma parceria com objetivo de promover a produção com maior valor agregado?


AMARAL : Esta interação vem crescendo a cada ano, e nossa meta é trabalhar de maneira cada vez mais próxima. As entidades têm discutido conjuntamente seus problemas, as dificuldades que seus setores enfrentam para produzir no Brasil e as alternativas para que possam se manter no mercado.
Praticamente todos os segmentos trabalham com a idéia do valor agregado, e isto demonstra uma sintonia entre as entidades. Mas é preciso avançar ainda mais, e acreditamos que esta também é uma visão compartilhada por todos, o que facilita a busca de resultados conjuntamente.


COUROBUSINESS : O Brasil vem se destacando cada vez mais na área do design . Como o setor de componentes transfere este valor ao produto? E qual o peso do design lá fora?

 
AMARAL : O setor de componentes vem desenvolvendo o tema design há cerca de seis anos. Embora pareça repetitivo, é fundamental destacar o papel da APEX-Brasil e do SEBRAE nestes projetos, porque as duas entidades apostam no design como uma das principais ferramentas de competitividade do produto brasileiro. No setor de componentes, procuramos desenvolver novos materiais, inovações, novas formas, tecnologias, enfim, uma série de diferenciais que contribuem para a valorização do produto final. Esta
é a forma encontrada para transferir valor ao calçado produzido com componentes brasileiros. Além disso, temos trabalhado muito com as referências culturais brasileiras, buscando inspiração nesta diversidade
cultural que o Brasil produziu. E todos estes elementos se destacam no exterior, porque são os diferenciais culturais do nosso país, fatores que realmente tornam um produto diferente dos demais. Em vários mercados, inclusive na China, este aspecto está sendo valorizado e vem facilitando o acesso de nossas empresas a seus potenciais clientes.


  COUROBUSINESS : Estamos em ano eleitoral e finalizando o mandato de Luís Inácio Lula da Silva, com expectativa de uma reeleição. Quais temas a Assintecal elege como prioritários num mandato futuro,
independentemente do candidato vencedor?

 

    AMARAL : São velhos temas, mas que infelizmente ainda não foram atacados em diferentes governos. A carga tributária é o principal, porque a produção brasileira perde espaços importantes por conta dos pesados tributos. O câmbio é outro fator que necessita de atenção, para que o Real não fique supervalorizado, prejudicando setores como o calçadista. E o país necessita com urgência de um amplo projeto de desenvolvimento, que realmente impulsione o crescimento, a exemplo de outras nações, que vêm crescendo com muito mais força em relação ao Brasil.
 
 

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