Abrameq: Indústria de Máquinas cobra política industrial
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A Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para Couros, Calçados e Afins – Abrameq, surgiu em 1992, reunindo um setor que atualmente em nosso país é formado principalmente por pequenas empresas.
O principal objetivo da Abrameq é o desenvolvimento tecnológico e de promoção comercial das empresas do setor, consolidando sua presença no mercado interno e conquistando no mercado externo conceito de fabricante de produtos de qualidade garantida.
Seu atual presidente, Raul Ludwig, está à frente da Associação há 5 anos e, em entrevista à Courobusiness, explanou sobre a política-econômica da Abrameq sua atuação atual e problemas enfrentados no ano de 2006.
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Em apresentação da Associação, Raul Ludwig explica que um dos objetivos estratégicos da Abrameq é a consolidação da indústria brasileira de máquinas para couros e calçados no mercado internacional.
Ele acredita que o setor deve ousar um pouco mais para expandir seu espaço comercial. “Com esta ótica, estamos buscando mercados mais distantes, de grande potencial, mas de culturas bem diferentes. Estamos percorrendo este caminho com o indispensável apoio da Apex-Brasil e o ainda mais necessário esforço coletivo das nossas empresas”.
As ações - de estímulo às exportações - da Abrameq com o apoio da Apex, incluem participação em feiras internacionais; prospecção de mercados externos com potencial para os fabricantes brasileiros de máquinas; publicação do Diretório de Máquinas, que contém todas as empresas do setor com seus produtos, em espanhol e inglês.
Além dessas, destaca-se um programa resultado do apoio APEX - Agência de Promoção de Exportações: o “Selo da Qualidade para Máquinas para Couro, Calçados e Afins”, que tem como objetivo valorizar, reconhecer e divulgar a qualidade das máquinas brasileiras para couro, calçado e afins frente ao mercado globalizado. Além de difundir e estimular, junto aos fabricantes do setor, a cultura da qualidade, da excelência e a busca pela melhoria contínua.
COUROBUSINESS: Quais foram os desafios enfrentados pelo setor de máquinas no primeiro semestre de 2006? E quais são os prováveis a serem enfrentados até o final do ano?
LUDWIG: O primeiro semestre de 2006 foi de fortes desafios. Em primeiro lugar, enfrentamos a dificuldade de continuar o nosso esforço de inserção do mercado externo em um ambiente muito desfavorável diante da desvalorização do dólar diante do real. Investimos muito no desenvolvimento de produtos competitivos com os melhores do mundo sob o ponto de vista tecnológico. E isto estava nos dando a possibilidade de crescer de forma consistente como fornecedores importantes do mercado mundial de máquinas para couros e calçados. A nova realidade cambial, eliminou grande parte da nossa capacidade de competir no mercado internacional. E não estamos vendo sinais de melhora neste cenário, porque não se está esperando mudanças fortes na questão cambial. Por outro lado, pela mesma questão cambial, estamos tendo que desenvolver um grande esforço para não perder espaço no nosso mercado mais tradicional, que é o interno. Até aqui estamos nos saindo bem, porque existe uma relação de confiança e uma logística bem estabelecida de atendimento aos nossos clientes brasileiros. Porém, estamos atuando fortemente para nos mantermos competitivos no mercado interno.
COUROBUSINESS: O setor calçadista vem se queixando de queda nas exportações, principalmente devido à baixa cotação do dólar. O de componentes relatou que teve forte redução no ritmo de crescimento. Como a questão da valorização do Real está afetando o setor de máquinas?
LUDWIG: Aí vem outro desafio para o nosso setor. Quando o setor calçadista tem dificuldades para exportar, reduz os seus investimentos em bens de capital. É um caminho natural. E isto reduz a procura por nossos produtos. Para o setor de máquinas, é muito importante que todos os elos da cadeia do couro e do calçado estejam bem, porque 80% de nossos produtos são destinados a empresas brasileiras destes segmentos.
COUROBUSINESS: O setor calçadista está sofrendo impacto em sua economia de exportação com a expansão do mercado chinês. Repetindo as palavras do presidente da Abicalçados, Élcio Jacometti (em entrevista realizada pela Courobusiness, Abril/2006), “O cenário não poderia ser pior”. Qual a perspectiva do setor de máquinas em relação à China?
LUDWIG: Não fosse a nossa capacidade de atuar com agilidade e criatividade no atendimento das necessidades dos nossos clientes e estaríamos com dificuldades muito grandes em relação aos chineses, que estariam entrando fortemente aqui. Também nos ajuda a importância da proximidade e da existência da mesma bagagem cultural para que nos mantenhamos como os fornecedores preferenciais dos fabricantes brasileiros de calçados.
COUROBUSINESS: Para driblar essas dificuldades, o setor calçadista vem adotando a estratégia de vender para mercados de alto valor agregado. O setor de componentes, por meio de seu presidente, Luís Cláudio Amaral, concorda com a medida adotada e complementa que é preciso encontrar outros modelos de competitividade. Quais são as estratégias do setor de máquinas?
LUDWIG: Estamos trabalhando nesta ótica há alguns anos. Em parceria com a Apex-Brasil, desenvolvemos o Selo da Qualidade Abrameq, que é uma ferramenta de estímulo à qualidade de nossos produtos. A linha de atuação da nossa entidade tem sido de contribuir para que as nossas empresas invistam cada vez em níveis mais elevados de qualidade, ainda que nem sempre o cenário econômico brasileiro seja estimulante para esta conduta. Mas nós acreditamos na capacidade da nossa gente de agregar valor aos nossos produtos. Podemos dizer com orgulho que participamos com alguma intensidade, fornecendo máquinas e equipamentos, para as indústrias brasileiras de calçados que estão vencendo no exterior com produtos de maior valor agregado.
COUROBUSINESS: Segundo o setor de componentes, há uma crescente interação entre os setores da cadeia. Como o setor de máquinas se interage com os demais? Há algum programa de parceira em discussão?
LUDWIG: A Abrameq participa ativamente deste processo. E faz isto em vários níveis. Participamos conjuntamente Fórum da Competitividade, junto ao Governo Federal. Atuamos de forma integrada nos projetos com a Apex-Brasil, otimizando recursos. Desenvolvemos ações articuladas com os demais elos da cadeia em defesa da nossa atividade. Podemos dizer que está havendo um processo muito positivo de amadurecimento nas relações entre os setores do couro e do calçado. E nós fazemos parte deste processo.
COUROBUSINESS: Dados de Janeiro a Maio de 2006 informam que na indústria de máquinas para calçados a exportação supera a importação, com saldo positivo de US$ 609 mil dólares. Já no caso das máquinas para couros, esse saldo é negativo, US$ - 2,5 milhões de dólares. Como o senhor explica esse comportamento?
LUDWIG: Este é um dado histórico. Há muitos anos temos uma presença mais forte no fornecimento das indústrias de calçados do que de couros. Neste último segmento, os italianos têm grande tradição. Porém, podemos dizer com satisfação que temos conquistado espaço também neste setor, graças a um grande esforço, porque as máquinas para curtume em geral exigem investimentos maiores do que as máquinas para o setor calçadista.
COUROBUSINESS: O setor pretende fazer alguma reivindicação às autoridades governamentais, nos próximos meses?
LUDWIG: Em conjunto com as demais entidades setoriais, estamos desde o ano passado buscando medidas que no mínimo minimizem os efeitos da queda do dólar diante do real. Infelizmente, ainda não tivemos a resposta que necessitamos. Mas prosseguimos em nosso esforço e temos esperança de que o governo perceba o quanto o país está perdendo com este quadro.
COUROBUSINESS: Estamos sabendo da participação da ABRAMEQ na Feical, nesse mês de julho. Gostaríamos de saber sobre a participação das empresas associadas.
LUDWIG: A Feical teve uma boa visitação. Porém, foi mais de pessoas da cidade e da região e menos de clientes, o que é normal em eventos de abrangência regional. Na verdade, esperávamos uma presença um pouco mais forte de clientes. De toda forma, devemos entender que se tratou da primeira edição do evento.
COUROBUSINESS: O que o setor gostaria de perguntar, sugerir ou reivindicar aos candidatos a Presidência da República?
LUDWIG: O mais importante é sugerir que tenhamos realmente uma política industrial em nosso país, que realmente permita ações de longo prazo e que estimulem a atividade produtiva. E para isto seria fundamental que ocorresse a tão sonhada reforma tributária, que, para ser viabilizada, exigiria que o novo governo tocasse fortemente na eficácia do uso do dinheiro publico.
Revista Courobusiness - Edição nº 47 – julho/agosto 2006
