{ REVISTA COUROBUSINESS }
{ REVISTA COUROBUSINESS }
A REVISTA   |   ASSINATURAS   |   FALE CONOSCO   |    EDIÇÕES ANTERIORES

Rui Guerreiro assume a direção do IBTeC

 

Conheça finalidades e objetivos do Instituto e o que pensa o novo presidente

Há 34 anos o IBTeC – Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro e do Calçado - atende o setor coureiro-calçadista, atuando como instituto de pesquisa de novas tecnologias, certificador da qualidade dos produtos da cadeia calçadista, em todo o país, e também como certificador na área de Biomecânica, com um dos melhores laboratórios de biomecânica da América do Sul.

O IBTeC atua em parceria em áreas que vão de testes da qualidade em calçados, componentes e matérias-primas, através de seu laboratório químico e físico-mecânico, a testes de medição dos níveis de conforto dos calçados.

Na área operacional, mantém uma equipe de consultoria que apóia as indústrias de todo o país na busca de melhorias que garantam maior produtividade e otimização de resultados, obtendo-se um diferencial na qualidade dos produtos oferecidos ao mercado nacional e internacional para o produto final.

O IBTeC é a única instituição da América Latina credenciada pelo SATRA para emitir relatórios técnicos com o reconhecimento do certificador que tem origem na Inglaterra, e é o mais respeitado instituto de certificação da qualidade  no mundo.

CEBEC: pesquisa de tecnologias de conforto e performance

 

O Centro Brasileiro de Engenharia do Calçado Nestor Herculano de Paula (CEBEC) foi criado pelo  IBTeC em 2002, voltado ao uso de tecnologias de ponta e ao desenvolvimento de novas técnicas e processos na fabricação de calçados, para diferenciar o produto brasileiro.

O CEBEC também desenvolve projetos com as indústrias de calçados esportivos, para garantir o desempenho destes calçados, a partir de testes de biomecânica.

O Laboratório de Biomecânica do CEBEC é usado para testar os calçados das indústrias, emitindo laudos de conforto. Equipamentos de última geração são utilizados para medir os níveis de conforto dos calçados, que, se aprovados, recebem um selo de identificação o qual pode ser usado como ferramenta de marketing pelas empresas.

 

IBTeC coordena primeiro projeto de pesquisa na área de nanotecnologia para o setor calçadista

 

O IBTeC está coordenando o primeiro projeto de pesquisa na área de nanotecnologia do sistema calçadista. Ainda neste ano, sairão os primeiros resultados da pesquisa iniciada em janeiro, na área de adesivos. O projeto, coordenado pelo Núcleo de Controle da Qualidade – NCQ – do IBTeC, em parceria com a Orbys Desenvolvimento, São Paulo/SP, tem como objetivo a implementação de pesquisa para a aplicação da nanotecnologia na produção de insumos para o sistema calçadista. O projeto de pesquisa conta também com a participação da Universidade de Campinas – Unicamp – de São Paulo, e o com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos – Finep. Os pesquisadores estão estudando o desenvolvimento de insumos para a fabricação de adesivos – além de outras aplicações em solados, tacões e palmilhas – baseados nas propriedades mecânicas e anti-estáticas dos nanocompósitos de polímeros e argilas. O projeto pesquisará, ainda, insumos para a produção de materiais de revestimento para a retenção de ar sob pressão das bolas esportivas.

O primeiro projeto de pesquisa da aplicação de nanotecnologia para o sistema calçadista do país faz parte do Programa de Desenvolvimento da Nanociência e da Nanotecnologia da Finep, vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT).

 

Cartilha do calçado para apoiar lojistas

 

Para apoiar o setor varejista, com informações técnicas sobre a construção do calçado, o Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC), a Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac) e a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) elaboraram, em conjunto com fabricantes e lojistas, a Cartilha do Calçado - uma ferramenta de trabalho para auxiliar no preparo da equipe de vendas para promover o atendimento ideal ao consumidor de calçados.

A cartilha oferece informações técnicas que servem de treinamento para vendedores, de forma a qualificar as vendas. A publicação é dirigida aos cerca de 40.000 pontos de vendas de calçados cadastrados no Brasil.

 

 

COUROBUSINESS ouviu o novo presidente do IBTeC, Rui Guerreiro, que tem mandato de janeiro de 2007 a dezembro de 2008 - sobre os planos do instituto para os próximos anos. Rui Guerreiro é advogado especializado em Direito Empresarial , com pós-graduação em Processo Civil , e Direito Tributário, e com MBA em Gestão Empresarial. Com escritório em Sapiranga/ RS, atua para grandes empresas em vários pontos do país. Guerreiro diz que vai trabalhar na busca da expansão da atuação do instituto, com a descentralização das atividades, “dando atenção para os outros pólos setoriais no Brasil”.

 

Courobusiness: Quais sãos os planos e projetos do IBTEC para os próximos anos?

 

Guerreiro: A proposta é fazer com que o instituto se aproprie de sua condição de entidade nacional, estabelecendo unidades descentralizadas nos pólos mais importantes do país. Objetiva-se fazer uma pesquisa junto às empresas em cada pólo, e estabelecer metas a partir da constatação de necessidades de cada região do país, e, principalmente, a partir das condições financeiras da entidade para a viabilização deste projeto.

A primeira meta é buscar parcerias com instituições de fomento e com universidades, para garantir às micro e pequenas empresas o acesso aos serviços do IBTeC. Para isto, estaremos fazendo um trabalho forte de aproximação com este segmento da economia coureiro-calçadista, buscando informações sobre suas demandas, e apresentando os serviços e projetos que disponibilizamos. O objetivo desta ação junto às empresas de menor porte é contribuir para que elas agreguem valor aos seus produtos, através de investimentos em ensaios de qualidade e de Biomecânica, e conquistem novos mercados para seus produtos, seja no mercado interno, seja no mercado externo. Temos muito a realizar neste segmento do mercado, e vamos realizar um trabalho de pesquisa para atender os micro e pequenos da melhor forma possível.

Courobusiness: Que áreas e projetos governamentais são importantes para o IBTEC e por quê?

 

Guerreiro: O IBTeC tem projetos em andamento com áreas como a FINEP, que está apoiando o primeiro projeto de pesquisa do uso da nanotecnologia para o setor, e um projeto de qualificação dos laboratórios de ensaios físicos e químicos do instituto. A proposta é estreitar os laços com as instituições governamentais que apóiam pesquisa e com as universidades de todo o Brasil, para que possamos ter apoio em projetos de pesquisa de novas tecnologias para o setor. Também estamos trabalhando junto a instituições como o Sebrae e o CNPQ – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico -, em busca de aproximações que proporcionem resultados para o nosso setor.

 

Courobusiness: Que tipo de cooperação o IBTeC pretende levar a esses órgãos?

 

Guerreiro: O IBTeC é a instituição de pesquisa do setor coureiro-calçadista, e pode contribuir fornecendo suas dependências e seus laboratórios para a elaboração de pesquisas em áreas que vão da avaliação da qualidade dos produtos finais, componentes e matérias-primas, até testes de biomecânica que possam contribuir para melhorar a qualidade dos produtos brasileiros, do ponto de vista do conforto e da saúde dos usuários. Podemos, ainda, oferecer nossas instalações para a realização de cursos de qualificação, para reuniões destes organismos com empresas e lideranças do setor, entre outras iniciativas.

A preocupação, cada vez mais evidente, do planeta com a questão do meio ambiente também é nossa preocupação, por isso estamos trabalhando no planejamento de ações que viabilizem soluções para áreas como o tratamento de resíduos de produção, em total comprometimento com o meio ambiente.

 

 

Courobusiness: A Lei 11.211, de 19/12/2005, estabelece a obrigatoriedade de identificação do couro na produção de calçados e artefatos. A Lei, iniciativa do CICB, é importante para a valorização do couro e acreditamos também para o IBTeC. Até hoje, entretanto, ela não foi regulamentada e ainda “não pegou”. O IBTeC projeta alguma ação em relação a este tema?

 

Guerreiro: Na verdade, o IBTeC tem um projeto conjunto com o CICB, de elaboração de uma cartilha para que os fabricantes possam identificar adequadamente estes produtos. Apoiamos a conquista do CICB, e estamos prontos para auxiliar na elaboração de uma cartilha, que, inclusive, já está em andamento, pois há uma comissão com a participação do IBTeC para a elaboração da cartilha.

 

Courobusiness: Em 2006 foram exportados 36 milhões de couros bovinos, sendo: 58% Wet Blue; 31% Acabado; 10% Crust e 1% Salgado. Como o IBTEC vê essa participação dos diferentes tipos de couro na exportação? Qual seria a participação ideal a ser perseguida pela cadeia couro-calçados?

 

Guerreiro: Na nossa opinião, a segmentação ideal para a exportação deve ser definida pelas entidades que representam diretamente o segmento de processamento do couro. O IBTeC estará sempre defendendo os interesses das entidades co-irmãs, que, conhecedoras da realidade do seu segmento, sabem qual é a proporção ideal para ele.

 

Courobusiness: Como o IBTeC vê a recente decisão da CAMEX de elevar para 9% a taxação sobre o Wet Blue exportado?

 

Guerreiro: O IBTeC apenas acompanha e apóia as entidades ligadas a cada segmento do sistema calçadista. Se os produtores nacionais de couro estiverem satisfeitos com a medida do governo, estaremos apoiando esta condição. Se houver alguma movimentação do setor em busca de medidas mais benéficas para este segmento, estaremos fazendo tudo o que nos for solicitado para apoiar as demandas do CICB e da Aicsul.

 

Courobusiness: Como o IBTeC analisa o efeito China na indústria de couro e calçados do Brasil, tanto do ponto de vista comercial quanto tecnológico, de conhecimento, geração de empregos? E os efeitos sobre o RS, mais especificamente?

 

Guerreiro: Nós entendemos que o efeito China faz parte de um processo sobre o qual nenhum de nós pode interferir definitivamente, por se tratar de um movimento da economia internacional. No entanto, a indústria estará protegida através de inovações tecnológicas, da busca constante na redução dos custos de produção e, também, acreditamos que o governo brasileiro deve estar atento às medidas, que podem ser tomadas para proteger os nossos fabricantes, seja coibindo a entrada de produtos chineses produzidos à base de dumping, seja através da entrada irregular destes produtos no nosso mercado. A concorrência deve ser livre, desde que seja leal, e baseada no cumprimento das regras de comércio internacional, às quais o nosso país sempre esteve submetido.

 

Revista Courobusiness – Edição nº 50 – jan/fev 2007

 

[ CRÉDITOS ]