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Deputado Renato Molling lidera a Frente Parlamentar do Setor Coureiro-Calçadista e Moveleiro

 

Courobusiness entrevistou o Deputado Renato Molling (PP/ RS), presidente da Frente Parlamentar do Setor Coureiro-Calçadista e Moveleiro, que foi instalada em março de 2007, pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, da Câmara dos Deputados , com o objetivo buscar soluções e alternativas que permitam aos setores coureiro-calçadista e moveleiro condições de competir de igual para igual com outros países, e expandam sua produção e exportação.

Molling não só apresentou a Frente, como frisou sua importância para o setor, em defesa da produção industrial. Além disso, o deputado falou das necessidades do setor e suas reivindicações junto ao governo federal.

 

COUROBUSINESS : Como surgiu a idéia, o que motivou a criação da Frente Parlamentar, e quais seriam seus principais objetivos?

 

Dep. Renato : Uma das nossas metas com a posse na Câmara dos Deputados foi defender os setores intensivos em mão-de-obra, como o coureiro-calçadista, responsável por aproximadamente 1 milhão de postos de trabalho em todo o Brasil, e o moveleiro. Somos representantes da Região do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, o maior pólo coureiro-calçadista do país. Além disso, minha origem é de fabrica. Trabalhei no ramo calçadista por muitos anos. Por estes motivos, represento, na Câmara dos Deputados, estes segmentos da economia, o que me motivou a instalar a Frente Parlamentar do Setor Coureiro-Calçadista e Moveleiro. Nosso maior objetivo é chamar a atenção do governo para a grave crise por que esses segmentos passam, impulsionada pela queda do dólar, a alta carga tributária, encargos sociais e a competição desigual com o produto chinês.

 

COUROBUSINESS : Qual seria a importância da Frente para o setor coureiro-calçadista. O que ele poderia esperar da Frente em relação aos seus problemas empresariais?

 

 

Dep. Renato : a Frente tem representatividade, tem voz. Somos um grupo de parlamentares e não apenas uma pessoa lutando sozinha. Minha expectativa é que consigamos chamar a atenção do Governo Federal para a pior crise da história por que passa o setor, e que este tome medidas imediatas, necessárias para a manutenção destes importantes setores.

 

COUROBUSINESS : Uma vez instalada, quais são os próximos passos a serem tomados pela Frente, neste ano de 2007?

 

Dep. Renato : Na nossa primeira reunião administrativa, definimos que a Frente realizará reuniões regionais no Sul do país, São Paulo e Região Nordeste, para ouvir o setor. No dia 18 de abril estivemos reunidos na 31ª FIMEC - Feira de Couros, Químicos, Componentes e Acessórios para Calçados, Máquinas e Equipamentos, em Novo Hamburgo/ RS, onde elaboramos seis medidas cruciais para amenizar a crise do setor, e que devem ser resolvidas pelo Governo Federal. Agora batalharemos esses pontos, que são:

 

 

•  Desoneração da Folha de Pagamento dos setores intensivos de mão de obra, pois estão sendo penalizados por gerar muitos empregos.

•  Elevação da Tarifa Externa Comum dos produtos do capítulo 64 para 35%, medida que auxiliaria na redução da competição no mercado interno com os chineses.

•  Ressarcimento de créditos fiscais de PIS/ COFINS com correção pela taxa Selic.

•  Criação de um fundo para ressarcimento dos créditos de ICMS dos exportadores (cumprir de forma efetiva a Lei Kandir).

•  Criação de um fundo para o setor de couros para investimentos em tecnologia e melhoria da competitividade, podendo ser formado pelo imposto pago sobre a exportação do wet blue.

•  Inclusão na Lista de Exceções à TEC (Tarifa Externa do Mercosul), o wet blue de caprinos e ovinos.

 

COUROBUSINESS : Como a ação conjunta “indústria-parlamento” pode ajudar o setor calçadista a superar a crise?

 

Dep. Renato : As empresas já fizeram a sua parte, investindo em tecnologia e qualidade, e reduzindo custos, agora é a vez do governo. E esse é o nosso papel, ser um elo entre a empresa e o Governo.

 

COUROBUSINESS : Durante a audiência, que se seguiu após a instalação, o deputado Ciro Gomes falou em uma possível “desindustrialização”. O que o ele quis dizer com isso, na sua interpretação?

 

Dep. Renato : Significa a extinção de indústrias, que terão que fechar as suas portas por não terem mais condições de competir no mercado.

 

COUROBUSINESS : Comenta-se que um dos pleitos a serem endossados pela Frente, seria a introdução de uma Tarifa de 35% sobre o calçado importado da China. Essa medida seria suficiente, tendo em vista o baixo valor ofertado pelos chineses, ou teria de se tomar alguma medida mais drástica em relação à importação da China? Quais seriam essas outras medidas?

 

Dep. Renato: Essa medida já ajudaria muito, mas precisamos fechar um pouco mais as portas. O país precisa incentivar o produto nacional, fiscalizar o contrabando e a pirataria.

 

COUROBUSINESS : Outra polêmica na história no setor é a exportação de couro Wet Blue para os nossos concorrentes. A Ásia já é o maior comprador de Wet Blue brasileiro. A imposição de um Imposto de Exportação de 9% não tem produzido grande efeito, pois a exportação de Wet Blue continua elevada. Que outras medidas poderiam ser debatidas na Frente e levadas ao governo federal?

 

Dep. Renato: Esse é um dos nossos encaminhamentos, elevação do imposto de exportação sobre couros wet blue, levando em conta como preço de pauta a bolsa de Chicago. Retorno ao setor do valor da taxa de exportação do Wet Blue, através da criação de um fundo para investimentos em tecnologia, melhorias genéticas do rebanho, máquinas, acesso a novos mercados, promoção comercial, meio ambiente e responsabilidade social.

 

COUROBUSINESS : O que o Senhor teria a comentar sobre o fechamento de fábricas no Rio Grande do Sul, sobretudo no Vale dos Sinos? E também sobre o êxodo de jovens técnicos, que tão logo se formam, vão trabalhar na China? Que esforços o Brasil teria de fazer para manter esses jovens trabalhando no Brasil?

 

Dep. Renato: Principalmente incentivo e redução na carga tributária, que no Brasil é a mais alta do mundo. A região do Vale do Rio dos Sinos tem que se preparar para enfrentar essa crise. Deve dar uma atenção muito especial ao setor industrial, trabalhando em parceria com o governo estadual e federal na diversificação da economia. A geração de emprego deve ser uma das metas prioritárias, não só no discurso, mas na prática. É necessário reunir todas as forças para enfrentar esta crise que atinge as nossas cidades. Todas as atividades; comerciais, industriais, turísticas, de serviços, são opções de diversificação e geração de empregos. É preciso tratar esse assunto com competência e de uma maneira prioritária. O Brasil precisa investir mais em pesquisa, dando oportunidade aos nossos jovens de criar. Dessa maneira ele ficaria incentivado a permanecer em nosso país, contribuindo com o crescimento através do trabalho.

 

COUROBUSINESS : De que forma o produtor e exportador do setor pode contatar com a Frente? Como ele pode fazer sua parte na luta conjunta pelo apoio do governo?

 

Dep. Renato: Primeiro, o setor deve ficar unido e mobilizado. A Frente está aberta a receber reivindicações, pedidos e sugestões. Nosso e-mail de contato é dep.renatomolling@camara.gov.br . Não temos uma sala, um espaço físico específico, nossa secretaria fica localizada em nosso próprio gabinete, na Câmara dos Deputados, Anexo IV – Gab. 337, em Brasília.

Revista Courobusiness, Ed. 51 – março/abril 2007

 

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