Alessandro Teixeira é o novo presidente da APEX
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Renovam-se as esperanças da cadeia coureiro-calçadista.
O economista Alessandro Teixeira implantou, no primeiro mandato do governo Lula, a ABDI – Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial. Com a saída de Juan Quirós da APEX-Brasil, Alessandro Teixeira foi nomeado presidente daquela agência, segundo ele próprio para “dotar a APEX-BRASIL de instrumentos que facilitem a internacionalização de empresas brasileiras”. |
COUROBUSINESS: Como novo presidente da APEX-BRASIL, quais são seus planos de trabalho, em geral; e especificamente em relação à cadeia coureiro-calçadista?
ALESSANDRO: Uma das primeiras idéias é fortalecer a inteligência comercial aproveitando experiências e estruturas já existentes. Seria o caso de parcerias com a CNI – Confederação Nacional da Indústria e com o Ministério das Relações Exteriores. É uma postura diferenciada, que, à primeira, vista afasta-se do personalismo para abraçar o cooperativismo, no seu sentido mais inteligente.
COUROBUSINESS: Como o senhor implantaria as condições básicas para a internacionalização?
ALESSANDRO: Pretendo atuar em quatro frentes, quais sejam: imagem, marca, produto e empresa.
Em muitos segmentos, as empresas (nem todas) estão na mesma linha. Buscam num primeiro momento dar visibilidade externa a marca e ao produto, inserindo-os no mercado mundial, para, se for o caso, facilitar a internacionalização da própria empresa. Institucionalmente, o esforço pela disseminação de uma boa imagem do país parece precisar de novos conceitos e ações.
Algumas promoções comerciais bancadas com recursos públicos – da própria APEX-Brasil – inclusive em feiras internacionais, insistem na venda de um Brasil de samba e mulatas, enquanto o pragmatismo chinês chega com produto e preço, preparando-se para, em 10 anos, consolidar cinco marcas mundiais, como é o caso de calçados.
A intenção de trabalhar a imagem certamente vai resultar em novo conceito e comportamento. Já a internacionalização das empresas passa por outro crivo, o da vontade própria dos empresários. Muitos estão preferindo fechar as fábricas e investir na pecuária, deixando um rastro de frustração e desemprego.
Conclusão COUROBUSINESS
Ate agora, numa visão crítica da atuação da APEX-BRASIL nos últimos anos, a opção teria sido a promoção comercial, isolada, tanto na formulação, quanto na implementação.
Casar a política comercial externa com a política industrial e tecnológica, certamente, com base no que foi feito na ABDI e em declarações do novo presidente, será o caminho.
Se for, melhor para a economia brasileira, pois o pragmatismo de Alessandro Teixeira, somado a uma consistente formação acadêmica, e livre trânsito político, lhe concede todas as credenciais para um bom trabalho.
Até agora, o novo presidente pouco falou, mas o pouco que falou gerou expectativas positivas. O uso das feiras nacionais, instrumentos comerciais fortes, consolidados, privados, mereceria, segundo COUROBUSINESS, reflexões e revisões.
Até o momento atual, todo prestígio foi dado às entidades de classe, algumas comandadas por executivos não empresários, que nem sempre são proprietárias das feiras hoje existentes. Ao contrário, quase sempre não o são. Mais ainda, dos expositores de algumas grandes feiras da cadeia coureiro-calçadista, por exemplo, apenas cerca de um terço são filiados a essas associações ditas nacionais. Seria preciso, pois, além da parceria mencionada pelo novo presidente, com a CNI e o Itamaraty, que a mesma se estendesse, no caso das feiras, à entidade nacional dos promotores de feiras, ou, até mesmo, às empresas proprietárias das feiras, pois o resultado seria, com certeza, melhor utilização dos recursos, especialmente financeiros, e otimização dos resultados.
Se a gestão de Alessandro Teixeira, na presidência da APEX-BRASIL, der vida àquele, que, até agora, pode ser considerado seu mote principal: “é preciso investir na internacionalização”, o país acumulará, ao final, ganhos estruturais importantes, porque, sem visão estratégica adequada, muitos empresários e executivos não empresários continuam na eterna lamúria do câmbio defasado, do juro alto e da tributação excessiva.
Revista Courobusiness, Ed. 52 – maio/junho 2007 .
