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Luiz Augusto Bittencourt fala de sua gestão no CICB

O engenheiro Luiz Augusto Bittencourt vem atuando há anos como consultor e diretor-executivo do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil - CICB. Sua experiência e competência o conduziram à presidência executiva da entidade em processo de reorganização interna recente.

Na seguinte entrevista, ele comenta o novo modelo e sua importância no processo permanente de contato com os formuladores de políticas públicas no âmbito federal. Para ele, a presença física em Brasília facilita e agiliza as relações com membros do poder executivo e com o Congresso Nacional.

Bittencourt também comenta as perspectivas do setor da para 2008 e faz afirmações importantes sobre restrições de políticas econômicas que rebatem negativamente na competitividade do couro no mercado mundial.

 

COUROBUSINESS - O que levou o CICB a adotar uma nova configuração organizacional, profissionalizando a gestão?

 

Luiz Bittencourt - Hoje, as mudanças no mundo empresarial acontecem em tempo real, o que exige total dedicação do empresário à sua empresa. Alie-se a isso, o fato do Brasil ter se tornado um player de significativa importância no mercado internacional do couro, por possuir o maior rebanho bovino comercial do planeta. Essas vantagens comparativas o levaram, em 2006, a ser o segundo maior produtor de couro (44,4 milhões de unidades/ano) e o quarto maior exportador de couro do planeta (US$ 1,87 bilhão).

O cenário exigiu que o CICB, seguindo a tendência de grandes confederações, adotasse estrutura piramidal do tipo presidencialista, utilizando um profissional com dedicação em tempo integral para interagir com governo, participar de reuniões, audiências entre outros eventos, representando a entidade nos fóruns relevantes, fazendo frente às necessidades de uma indústria dessa magnitude.

 

COUROBUSINESS - Qual é o papel do Conselho Diretor? Quem é o seu presidente?

 

Luiz Bittencourt - O Conselho Diretor continuará com seu fundamental papel de colegiado, supervisionando a gestão da entidade, cobrando resultados, avaliando, estabelecendo e orientando as ações estratégicas do setor. O atual presidente do Conselho Diretor é Umberto Cilião Sacchelli, diretor da Apucacouros Indústria e Exportação de Couros S/A.

 

COUROBUSINESS - O senhor acredita que o novo modelo favorecerá a agilidade nas decisões e no contato direto com as autoridades responsáveis pelas políticas públicas do setor?

 

Luiz Bittencourt - O fato do CICB estar localizado em Brasília, centro administrativo do país, favorece as articulações com o governo e agiliza os resultados. É fundamental que o governo seja rotineiramente alimentado com informações atualizadas, pois tomará decisões mais justas, na medida que estiver adequadamente informado sobre os setores industriais envolvidos.

A alteração ocorrida no perfil da cadeia produtiva do couro, que passou a ser mais demandado pelos setores automotivo e moveleiro (acima de 60% da produção de couro), por exemplo, era desconhecida pelos membros do governo. O processo de atualizar as informações para os formuladores de políticas públicas é fundamental, e cabe às entidades setoriais representativas um papel de destaque nesse processo.

COUROBUSINESS - O que significa para uma entidade empresarial – de qualquer segmento – a proximidade com o poder político (Ministérios e Congresso Nacional) em Brasília?

 

Luiz Bittencourt - O Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil sempre entendeu o poder público como um parceiro e essa parceria tem a obrigação de desenvolver ações que culminem no interesse público. Em resumo, o governo cria ambiente propício à geração de riqueza e o setor privado gera essa riqueza.

Para citar somente um exemplo, o setor curtidor é parceiro da APEX-Brasil em convênio que se iniciou no ano 2000 e que vem produzindo significativos incrementos na exportação de couro, com respectiva agregação de valor, gerando empregos, impostos e divisas para o Brasil. Em 2007, as exportações de couro ultrapassarão a marca de US$ 2 bilhões, consolidando sua importância para a economia nacional, superando, inclusive, as exportações de calçados.

Outra parceria eficiente e de sucesso foi realizada com o Sebrae Nacional no desenvolvimento de um programa implementado em todo o país, voltado para a melhoria da qualidade do couro que, pelo êxito obtido, será objeto de ampliação em 2008.

 

COUROBUSINESS - Qual é a expectativa do CICB em relação ao comportamento do mercado externo de couro em 2008?

 

Luiz Bittencourt - O setor curtidor brasileiro é internacionalizado, competitivo, empreendedor e determinado. A expectativa para 2008 é de um mercado internacional ainda com demanda aquecida. Resta saber se os condicionantes domésticos permitirão que se aproveitem as oportunidades que certamente surgirão.

É preciso, também, que o governo trabalhe urgentemente a estrutura logística (portos, aeroportos e estradas) que impacta fortemente os resultados do país no comércio exterior.

Outra constante preocupação do setor é a morosidade com que os créditos fiscais decorrentes da atividade exportadora são ressarcidos pelo governo, fazendo com que o setor privado, eminentemente exportador, financie o governo a custo zero. É preciso urgente agilização nesses ressarcimentos.

E para terminar, desoneração da produção continua sendo a palavra de ordem para garantir competitividade para os produtos brasileiros no mercado internacional.

Revista Courobusiness, Ed. 55 – Nov/Dez 2007

 

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