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A probabilidade de retração não é desprezível

É falacioso o argumento de que a exportação de Wet Blue afeta a oferta interna.

 

 

COUROBUSINESS entrevista o empresário Emílio Bittar , diretor da empresa COMING, sediada no Estado de Goiás. Ele fala sobre as perspectivas de 2009, a taxação do Wet Blue e do Fórum Nacional de Estudos e Pesquisas da Competitividade do Couro.

Para Emílio Bittar, a taxação do Wet Blue é um equívoco injustificável que necessita ser corrigido.

 

 

 

 

 

CB - Quais são as perspectivas para o ano de 2009?

 

Emílio Bittar – Há uma forte expectativa em relação ao comportamento dos negócios especialmente no primeiro semestre de 2009. A probabilidade de retração tanto no mercado interno quanto no externo não são desprezíveis. O mercado interno, todavia, poderá se beneficiar da crise e, em função do preço do couro, poderá até se ampliar na segunda metade do próximo ano.


CB – O dólar no patamar de R$ 2,50 não poderia favorecer a exportação?

 

Emílio Bittar – Sem dúvida, se ele ficar nesse patamar seria um fator importante, mas ainda assim quantitativamente a tendência é de redução. Houve uma queda significativa da demanda em função da crise imobiliária americana que afetou o mercado de estofamento. A venda de couro para a indústria de automóveis também tende a diminuir, em função da crise das montadoras americanas. Mas o quadro ainda é muito nebuloso. Ao final do primeiro trimestre de 2009 talvez seja possível se ter uma visão mais correta do que será 2009.

 

CB – O Senhor tem sido combatente da taxação do Wet Blue . Como o Senhor vê esse problema diante do novo quadro que se apresenta?

 

Emílio Bittar - Na relação de 20 países que impõem algum tipo de restrição à saída de couro, apenas três impõem restrições ao Wet Blue – dois por meio de tributação (Argentina e Índia) e um por proibição, a Nigéria. Os demais impõem restrições à saída de couro Salgado (estágio primaríssimo), cuja exportação brasileira é inexpressiva. Nenhum desses países tem mercado para uma boa comparação com o Brasil. A restrição à exportação do Wet Blue , no atual contexto, não tem sentido.

 

CB – Sem a taxação do Wet Blue haveria risco na oferta de couro para a indústria calçadista brasileira?

 

Emílio Bittar – Esse argumento nunca foi verdadeiro. E o que é pior, ele tem sido utilizado até hoje, insistentemente, e tem sido base para o governo manter a taxação. De tanto falar nele, a Associação que representa a indústria de calçados, mesmo sabendo que ele não é verdadeiro, convenceu técnicos e autoridades governamentais. Mas é uma falácia. O que a indústria não fala é que essa discussão começou quando 80% dos calçados exportados eram de couro. Em 2007, essa participação caiu para 42%. E cairá mais ainda ao final em 2008. Mas seja qual for a hipótese, apesar da exportação direta de couro (somente de couro) que rende US$ 2 bilhões/ano ao País, continua sobrando couro no Brasil. Nos anos de 2006 e 2007, por exemplo, para um abate da ordem de 44 milhões de unidades, acrescido ao couro importado pelos calçadistas, menos a exportação direta de couro e a exportação de couro via calçados, o resultado é uma sobra não utilizada (perdida) entre 3 e 4 milhões de couros. São perdas efetivas depois do total atendimento da demanda das indústrias de calçados. Dizer que a exportação de couro prejudica as oferta interna é um argumento falso de quem já não tem como defender a idéia que levou o governo federal ao equívoco de taxar a exportação de Wet Blue .

 

CB – O Senhor se apresentou em reunião do CNPC – Conselho Nacional da Pecuária de Corte, no mês de dezembro, como Coordenador do Fórum Nacional de Estudos e Pesquisas da Competitividade do Couro. Esse Fórum é uma nova Entidade setorial?

 

Emilio Bittar – Absolutamente, não. O Fórum congrega empresas e entidades de todo o Brasil e de outros segmentos de uma maneira ampla e democrática , interessados em abrir um debate franco sobre a competitividade do couro nacional, incluindo a taxação do Wet Blue , para oferecer subsídios e informações aos formuladores da política pública setorial. Muitas das empresas e entidades são e continuarão filiadas ao Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil, mas não se sentem representadas em outros ambientes como, por exemplo, pela Frente Parlamentar que atua em nome do setor no Congresso Nacional. O Fórum é uma iniciativa positiva.  

 

Revista Courobusiness, Edição 61 – Nov/dez 2008.

 

 

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