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Couro tipo exportação: destino Brasil
Mercado interno absorve mais couro acabado, porém dificuldades com tributos e com exportação ainda emperram o pleno desenvolvimento do setor.

Não faltam vilões para atrapalhar o crescimento da indústria coureira. Um dos mais temidos pelos empresários hoje em dia é o crescimento vertiginoso da produção de calçados sintéticos com baixo valor agregado.  Entretanto, dados divulgados pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) mostram um cenário animador: o consumo interno de peles aumentou. Entre 2006 e 2007, a absorção da produção pelo próprio país passou de 11,9 para 13,18 milhões de peças.

Entre os motivos que levam a essa configuração, está um fator pleiteado há muito pelos principais atores do setor: a necessidade de agregar maior valor à produção nacional, pela forma de couro acabado ou de calçado. Em escala nacional, um dos motivos que levam a essa valorização é o crescimento e especialização da indústria da moda no país. Fatores externos - como a voracidade asiática e a defasagem cambial -, e internos – entenda-se o aquecimento da economia – também influenciam para esse resultado.

Apesar de sentida por todos os tipos de curtumes, as principais beneficiadas com a novidade são as médias e pequenas empresas, que sempre destinaram parte significativa da produção ao mercado nacional. Quanto aos grandes, não é difícil encontrar curtumes que há apenas dois anos exportavam quase a totalidade de suas produções e que hoje não embarcam sequer metade delas. E isso em todo o território nacional. Em alguns casos, os empresários confessam que, não fosse a maré boa no mercado nacional, muitas portas já estariam fechadas.

Entretanto, especialistas alertam que os calçadistas brasileiros ainda não conseguem absorver toda a produção, o que acaba gerando enormes prejuízos ao segmento. Além disso, vale lembrar que uma das causas do focalização no mercado interno vem das dificuldades com o mercado externo, quando o ideal é se ganhar pelos dois lados.


Diferenciação é a saída
Enquanto muito tempo é perdido com discussões sobre o desafio chinês, muitos empresários do setor coureiro-calçadista estão apostando na qualidade e investindo no diferencial para conquistar o mercado internacional. "A indústria calçadista opta pelo couro quando quer fugir da concorrência predatória da China e criar um diferencial de qualidade ao produto", avalia Flávio Krumenauer, do curtume gaúcho Krumenauer.

Além do investimento na produção do couro semi-acabado e acabado, os curtumes estão investindo na exclusividade, como os couros exóticos de rã, cobra e jacaré. Junte-se a isso o investimento em alta tecnologia, novas técnicas e estampas e tem-se um quadro do que está atraindo olhares exigentes para o país. Um exemplo da aprovação internacional é a escolha do Brasil para Focus Country da feira francesa Première Classe, referência de moda em assessórios para todo o mundo.

Mas qualidade não precisa significar preços não-competitivos. "O nosso couro está mais caro. Vale mais a pena importar peles pelo dólar baixo e pelos abatimentos com draw back (isenção de imposto para importação feita com o objetivo de industrializar o produto no país e exportá-lo posteriormente)", observa o presidente do CICB, Luis Bittencourt. No primeiro bimestre de 2008, o índice de importação de couro cresceu 46% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Fonte: Revista Lançamentos Indústria 

Revista Courobusiness, Ed. 58 – Mai/Jun 2008.

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