{ REVISTA COUROBUSINESS }
{ REVISTA COUROBUSINESS }
 

Couro de jacaré precoce chega ao mercado este ano
Desenvolvimento genético resulta em maior produtividade e agregação de valor.


 
A partir deste ano, o mercado irá conhecer o couro do Jacaré-do-Pantanal precoce. O produto foi desenvolvido ao longo dos últimos 18 anos e é fruto de um intenso processo de melhoramento genético. O primeiro lote com 300 peles será disponibilizado ainda neste semestre para processamento industrial.

A principal diferença em relação ao couro de jacaré já conhecido é que o animal foi desenvolvido geneticamente, é criado em confinamento, sem incidência de luz solar, o que reduz a calcificação da pele. O jacaré precoce é abatido com idade entre 12 e 15 meses.

O couro de jacaré precoce é desenvolvido pela fazenda Reino Selvagem – no Pantanal, distante 26 km de Miranda/MS -, a única que hoje produz o animal no Brasil. Inicialmente os lotes serão de 300 peles/mês, com previsão de atingir 1.500 peles/mês em 2009.
           

 

 

 

Mil utilidades

 O couro de jacaré precoce é livre de placas ósseas e 100% aproveitável. "Ele facilita o processo industrial pelas suas características como menor espessura, maior flexibilidade e resistência o que lhe confere um alto valor agregado, tanto para a indústria quanto para o consumidor final", afirma o proprietário da Reino Selvagem, o médico veterinário Gerson Zahdi.


 Responsável pelo processo de melhoramento genético e desenvolvimento com ausência de fator de crescimento hormonal, Zahdi desenvolveu o Jacaré-do-Pantanal precoce há pouco mais de dois anos. Com a previsão do aumento de seu rebanho de 12 mil (2007) para 26 mil cabeças até 2009, Zahdi decidiu disponibilizar lotes mensais do couro pronto para o processo de industrialização. "Além de bolsas, sapatos, jóias e carteiras este couro pode perfeitamente ser utilizado na confecção de roupas pela sua grande flexibilidade", garante o produtor.


 O criatório da Reino Selvagem foi implantado entre os anos de 1995 e 1996. No início, levava de dois a três anos para produzir um animal com três quilos/vivo. Com um ano de idade, um jacaré dificilmente passava de 1,5 quilo. Com o passar dos anos, a produtividade e a precocidade passaram a ser o diferencial. "Agora pelo menos 33% do rebanho leva apenas 12 meses para atingir seis quilos/animal/vivo e é abatido com esta idade", garantiu Zahdi. Para efeitos de comparação, a produção tradicional trabalha com uma idade média de abate em torno de 2,5 anos ou 30 meses.


O cultivo na Reino Selvagem é feito em células climatizadas onde os animais não sofrem incidência da luz solar. Este é um dos itens para a qualidade do couro do jacaré produzido na sua propriedade. "A luz do sol promove a síntese da vitamina D no animal, aumentando a calcificação da pele; esta calcificação gera um couro de segunda ou de terceira classes", explica.

 

Revista Courobuisness, Ed. 59 Jul/Ago 2008.
{ REVISTA COUROBUSINESS }