BALANÇA DO “BOI AO CALÇADO” REPRESENTOU 14,3% DO SALDO COMERCIAL BRASILEIRO EM 2005
Tradicionalmente, COUROBUSINESS apresenta os números da chamada Balança Comercial do Boi ao calçado, que em 2005 alcançou US$ 7,309 bilhões em exportação, e US$ 6,277 bilhões de saldo comercial. Projeção para 2006 é de US$ 8,5 bilhões.
A Balança Comercial do “Boi ao Calçado” de 2005 teve saldo positivo de US$ 6,3 bilhões, que corresponde a 14,3% do saldo da Balança Comercial Brasileira, cujo saldo foi US$ 44,7 bilhões, revelou estudo realizado pela Revista COUROBUSINESS. Em comparação com estudos anteriores, conclui-se que a participação da Balança do Boi ao Calçado no saldo brasileiro caiu cerca de 2 pontos percentuais, revelando que a cadeia produtiva mantém resultados bastante significativos no mercado interno. Na edição 38 (jan/ 2005) de COUROBUSINESS, a comparação mostra que a Balança do Boi ao Calçado de 2004 correspondeu a 16% do saldo da Balança Comercial Brasileira, que foi de US$ 33,6 bilhões. A redução percentual se deve ao crescimento mais que proporcional do saldo brasileiro em relação ao saldo da cadeia do “boi ao calçado”.
A respeito das variações do saldo final da Balança do Boi ao Calçado, se comparado a 2004, quando o saldo da Balança foi de US$ 5,3 bilhões, conclui-se que o ano de 2005 mostra crescimento de 18,8%, o que não deixa de ser um ótimo resultado, mesmo revelando uma pequena queda, já que entre os anos 2004 e 2003 o crescimento foi de 35,8%, levando em conta que o saldo de 2003 foi de US$ 3,9 bilhões. Mas há de se considerar que alguns itens foram inseridos na balança como, por exemplo, “componentes de calçado” que passou a figurar no cálculo da balança setorial.
Percebe-se, afinal, que os resultados da Balança do Boi ao Calçados de 2005 foram bons e continuaram a crescer, porém um pouco menos do que nos outros anos em alguns itens, enquanto a balança comercial brasileira segue, como dito acima, num ritmo mais que proporcional ao do setor.
A análise dos itens que a compõem
A respeito dos itens mais representativos e que mais contribuíram para o saldo de US$ 6,3 bilhões da balança do “Boi ao Calçado”, três mereceram destaque em 2005, tal como nas últimas análises apresentadas por COUROBUSINESS. Os três segmentos somam 87% do saldo total da Balança do “Boi ao Calçado” e juntos geraram um saldo comercial de US$ 5,46 bilhões.
O primeiro deles é o de “Carne de bovino in natura” (NCM 0201100 a 0202300), que compreende 37,1% do saldo total e teve um crescimento equivalente a 23,2% em relação ao ano anterior.
O segundo é o que abrange o segmento de “Calçados e suas partes” (Cap. 64 da NCM), que chega a 29,5% do total, e que em 2005 aumentou seu saldo em apenas 1,6%, já que a importação teve um aumento expressivo nesse item da Balança, de 69,4% a mais que em 2004.
E o terceiro setor é o de “Couro” (Cap. 41 da NCM), que em 2004 representou 20,2% do saldo total, crescimento de 12,3% em relação ao ano de 2004.
Os valores totais da exportação segundo os itens
Em relação à exportação do ano de 2005, o quadro I mostra o valor total de US$ 7,3 bilhões, que corresponde a um crescimento de 12,3% em comparação ao mesmo período de 2004, quando a exportação foi da ordem de US$ 6,5 bilhões (vide quadros I e II). Os três itens mais representativos somam R$ 4,5 bilhões, portanto, 61,6% do total da exportação.
Quando a análise do crescimento de exportação em 2005 é realizada em torno destes três itens, percebe-se que “Carne de bovino in natura” teve aumento de 26,3%. Em 2004, dentro desse mesmo item, o aumento foi de 70% em relação a 2003. A queda é explicada pela febre aftosa, que fez com que alguns dos principais países importadores suspendessem a compra de carne brasileira até que o problema fosse equacionado, e ainda há restrições.
Já o segmento “Calçados e suas partes” aumentou as exportações em 4,2%. Também um resultado distante do ano de 2004, quando esse número foi 17% a mais que no ano anterior. O “fenômeno China” é o principal responsável por esse resultado. Ainda assim, apesar da China e da questão cambial, a exportação de calçados em valor é recorde do setor. A quantidade exportada, que não faz parte desta análise, foi 22 milhões de pares a menos, ou seja, em 2004 exportou-se 212 milhões de pares e em 2005, 190 milhões de pares. A diferença se deu pela perda de mercado brasileiro para a China nos Estados Unidos. Mas o recorde de exportação em valor, com menor quantidade vendida, mostra que em 2005 o Brasil aumentou o valor médio do calçado exportado, e isso é positivo.
O segmento de “Couro” exportou 8,5% a mais que 2004. Porém essa mesma comparação entre 2004 e 2003 resultou num crescimento de 21,7%.
O item que teve o maior crescimento relativo na exportação em 2005 é o que tem a menor representatividade na Balança, o de “Bovinos vivos” (NCM 0102), com apenas 0,5%. Ele teve um aumento de 430%. E ele vem a cada ano ocupando mais espaço na Balança do “Boi ao Calçado”. Na análise dos resultados de 2004 e 2003, já se percebeu um significativo aumento na exportação deste segmento, cerca de 442%.
As importações da balança do “Boi ao Calçado”
Os números já apresentados evidenciam o que é de conhecimento geral, ou seja, a cadeia do “Boi ao Calçado” é essencialmente exportadora, e a relação exportação versus importação melhorou em 2005. Em 2004, a importação total representou 18,2% da exportação; em 2005, este percentual caiu para 14,1%. Outro dado: em 2004, para cada US$ 1,00 importado, exportou-se US$ 5,48. Em 2005, a relação melhorou: para cada US$ 1,00 importado, exportou-se US$ 7,089. Não há, portanto, dúvida: a cadeia é exportadora e tem enorme potencial de crescimento.
A análise das importações requer alguns cuidados, pois apesar ter o efeito objetivo de reduzir o saldo comercial, é importante para alavancar produção e exportação. O que mais se importa, em valores absolutos, dentro da cadeia do “Boi ao Balçado”, com base nos dados de 2005, são: “Componentes para calçados, US$ 601,1 milhões”; “Couro, US$ 128,7 milhões”; “Calçados e suas partes, US$ 122,3 milhões”. À exceção de “Componentes para calçados”, que merecem análise especial, as importações podem ser consideradas inexpressivas e dentro do contexto da relação de trocas entre países e das necessidades setoriais. A importação de “couro” é apenas 9,1% do total exportado e deriva da necessidade e da proximidade dos produtores com a Argentina. A exportação de “Calçados”, apesar de ter crescido em valor absoluto em 2005, também é inexpressiva em termos relativos. Em 2004 foram US$ 71,1 milhões; em 2005, US$ 122,4 milhões. Em termos relativos, apenas 3,7% e 6,1%, respectivamente, do total exportado.
“Componentes para calçados” externa uma situação diferente. O setor, por meio da ASSINTECAL (Associação que reúne os fabricantes brasileiros) vem desenvolvendo um trabalho extraordinário voltado para o aumento das exportações, em parceria com a APEX-Brasil. Em 2005 reverteu-se uma tendência histórica, resultado desse trabalho, e se exportou mais que importou. Em 2004, para uma exportação de US$ 739,6 milhões, importou-se US$ 813,7 milhões. Em 2005, para uma exportação de US$ 791,1 milhões, importou-se US$ 601,1 milhões. Inverteu-se a curva, e já se espera melhores resultados em 2006.
Outro item que merece comentário à parte é o que se refere a “máquinas e equipamentos”, especialmente para a indústria do couro, já que em relação à indústria de calçados a fabricação interna a atende satisfatoriamente. A indústria do couro tem maior necessidade de atualização tecnológica, e novas máquinas e equipamentos são lançados anualmente pelos principais fabricantes mundiais. A indústria do couro tem investido, em média, ao longo dos anos, cerca de US$ 10 milhões/anuais na aquisição de máquinas e equipamentos. O investimento acompanha o crescimento na exportação de couro de maior valor agregado. Em 2004, a importação de máquinas alcançou US$ 12,2 milhões; em 2005, US$ 8,2 milhões. Como a exportação de máquinas para a indústria do couro pode ser considerada incipiente, os saldos negativos se acumulam, mas eles devem ser vistos como investimentos e refletem o desempenho favorável da indústria curtidora. Na outra ponta, a exportação de máquinas para a indústria de calçados supera a importação.
Conclusão das análises e expectativa para 2006
Os números totais da “Balança Comercial do Boi ao Calçado” – que podem ser vistos nos quadros I e II a seguir – revelam, em si, um conjunto de segmentos em constante crescimento e que são detentores de um largo potencial de crescimento.
A expectativa neste início de 2006, em relação ao final do ano é de crescimento da balança comercial do “Boi ao Calçado”. A exportação total projetada para 2006 é da ordem de US$ 8,5 bilhões; com saldo de US$ 7,4 bilhão. Como se projeta um saldo comercial brasileiro da ordem de US$ 50 bilhões em 2006, a contribuição dos componentes da cadeia do “Boi ao Calçado” ao saldo comercial brasileiro ficará na faixa de 15%, um resultado expressivo tendo em vista a projeção de crescimento do saldo brasileiro.
QUADRO I - Balança Comercial do “Boi ao Calçado” / Janeiro a dezembro de 2005 - US$ 1,00
CLASSIFICAÇÃO NCM |
EXPORTAÇÃO |
IMPORTAÇÃO |
SALDO |
CAP. 41 – Couro |
1.401.128.993 |
128.719.765 |
1.272.409.228 |
CAP. 42 – Artefatos de couros (seleiro, malas, vestuário) |
138.942.099 |
87.747.172 |
51.194.927 |
CAP. 43 – Peleteria e suas obras |
18.013.649 |
804.703 |
17.208.946 |
CAP. 64 – Calçados e suas partes |
1.979.366.773 |
122.384.874 |
1.856.981.899 |
NCM 84531010 a 84531090 – Máquina e equipamento para a indústria do couro |
2.435.537 |
8.252.890 |
-5.817.353 |
NCM 84532000 - Máquinas e equipamentos para Calçados |
2.869.180 |
1.838.689 |
1.030.491 |
NCM 0102 – Bovinos vivos |
31.467.667 |
561.362 |
30.906.305 |
NCM 16025 – Carnes e Miudezas da espécie bovina (industrializada) |
524.703.617 |
516.321 |
524.187.296 |
NCM 02011000 a 02023000 – Carne de bovino “in natura” |
2.419.103.224 |
79.665.002 |
2.339.438.222 |
* Várias NCM's – Componentes para Calçados |
791.199.569 |
601.164.244 |
190.035.325 |
TOTAL |
7.309.230.308 |
1.031.655.022 |
6.277.575.286 |
Fonte dos dados brutos: MDIC-SECEX
* Fonte: Assintecal
Organização: Revista COUROBUSINESS
QUADRO II - Balança Comercial do “Boi ao Calçado”
Janeiro a dezembro de 2004 - US$ 1,00
CLASSIFICAÇÃO NCM |
EXPORTAÇÃO |
IMPORTAÇÃO |
SALDO |
CAP. 41 – Couro |
1.293.146.254 |
162.591.737 |
1.130.554.517 |
CAP. 42 – Artefatos de couros (seleiro, malas, vestuário) |
132.603.678 |
50.931.060 |
81.672.618 |
CAP. 43 – Peleteria e suas obras |
13.241.506 |
451.378 |
12.790.128 |
CAP. 64 – Calçados e suas partes |
1.898.816.643 |
72.138.805 |
1.826.677.838 |
NCM 84531010 a 84531090 – Máquina e equipamento para a indústria do couro |
1.510.250 |
12.207.286 |
-10.697.036 |
NCM 84532000 - Máquinas e equipamentos para Calçados |
3.705.366 |
2.482.327 |
1.223.039 |
NCM 0102 – Bovinos vivos |
7.338.966 |
306.734 |
7.032.232 |
NCM 16025 – Carnes e Miudezas da espécie bovina (industrializada) |
446.979.024 |
135.735 |
446.843.289 |
NCM 0201100 a 0202300 – Carne de bovino “in natura” |
1.963.065.617 |
71.923.007 |
1.891.142.610 |
* Várias NCM's - Componentes para Calçados |
739.673.186 |
813.750.078 |
-74.076.892 |
TOTAL |
6.500.080.490 |
1.186.918.147 |
5.313.162.343 |
Fonte dos dados brutos: MDIC-SECEX
* Fonte: Assintecal
Organização: Revista COUROBUSINESS
OBS : Nesta edição inclui-se nas tabelas o item “Componentes para calçados”, que compreende várias NCM's, dentre elas: solas, palmilhas e saltos de calçados, fivelas de metais para calçados e vestuários, moldes para moldagem, produtos como colas, adesivos. Maiores informações sobre esse segmento podem ser obtidas no site da Assintecal (www.assintecal.com.br).