Brasileiros demonstram competitividade em Milão
A Micam Shoe Event deste ano, aconteceu de 26 a 29 de março em Milão na Itália, e recebeu 38.773 visitantes. Destes, 20.903 foram de outros países com destaque para compradores da Rússia, ex-República Soviética, Japão e Norte da Europa.
Em quatro dias, 1.665 expositores, dos quais 526 empresas estrangeiras apresentaram suas coleções de outono-inverno 2008/ 2009. Além do Brasil, a Micam também contou com uma grande participação de expositores da Espanha, Portugal, França e Turquia.
Do Brasil, 33 empresas calçadistas estiveram presentes, coordenadas pelo Brazilian Footwear - Programa de Promoção às Exportações desenvolvido pela Abicalçados em parceria com a ApexBrasil.
Segundo a assessoria da Abicalçados, a indústria calçadista brasileira busca mais espaço no mercado mundial. E somente com serviços que transcendem o simples ato de vender podem fazer do Brasil o grande fornecedor de sapatos em nível global, lado a lado com países como Itália e Espanha.
Com coleções cada vez mais adaptadas ao consumidor europeu, as empresas brasileiras que participaram da mostra avaliam que o lojista internacional deve ser contemplado com uma série de serviços, como auxílio no desembaraço da mercadoria, acompanhamento na entrega e controle da qualidade final do produto. São itens que parecem simples, mas que não eram uma prática comum até bem pouco tempo atrás, quando os importadores se encarregavam de todo o processo, inclusive na definição do preço de produção.
Em geral, as empresas detectaram que os lojistas italianos são muito exigentes. Prevendo isso, muitas delas, na procura de diferenciais, apostaram na mudança do design, modernizando o visual do calçado sem alterar os componentes de conforto. E, assim, vem tendo grandes resultados.
A Piccadilly, por exemplo, implantou o sistema de infra-vermelho na palmilha, que capta a energia solar e transfere para o bem-estar da pessoa. “Quanto mais a pessoa usa, mas ela se beneficia”. A empresa investiu três anos de pesquisa junto a uma empresa européia para utilizar a tecnologia. Com ações como estas, o preço do calçado - que vem sendo seriamente afetado pela consecutiva defasagem cambial - deixa de ser o principal argumento de venda. “Nós não podemos mais trabalhar com preço, e sim com valor”, define Eraldo Hoeper, da Miezko (Campo Bom/RS). Ele coordena o escritório da marca na Holanda, que aposta no sofisticado nicho de sapatos femininos de conceito.
“Estamos desmistificando a imagem de que o Brasil não tem a qualidade de design e de matérias-primas para fazer um calçado igual ao da Itália. E, além disto, nossos preços ainda são melhores”, comenta Hoeper, reconhecendo que a mudança é um trabalho lento e de persistência, mas que trará um novo olhar sobre o calçado produzido no País.
Resultados propícios: ANCI propõe parceria
Vito Artioli, presidente da ANCI, - Associação Italiana de Fabricantes de Calçados -, que promove a feira, solicitou à Abicalçados uma parceria para ampliar as relações bilaterais entre Brasil e Itália no segmento calçados. Na Micam, marcou uma reunião com o consultor de Inteligência Comercial da Abicalçados, Enio Klein e com o presidente da Francal Feiras, Abdala Jamil Abdala, quando destacou que o Brasil tem espaço para comprar calçado italiano assim como a Itália pode aumentar as importações dos manufaturados procedentes do Brasil. “Para isto, temos que fazer um acordo para reduzir os impostos de importação entre ambos os países”, disse. Atualmente, o Brasil cobra uma taxa de 35% e a Itália, oito por cento. Klein levará o assunto à diretoria da Abicalçados, mas adiantou que o tema é de âmbito governamental.
Participaram as marcas Albanese, Anatomic Gel, Bettarello, Bibi, Bical, Biondini, Cappelli Rossi, Cristófoli, Dakota, Democrata, Di Cristalli, Dilly, Ferrucci, Góoc, Grendene, GVD, Kidy, Klin, Luiza Barcelos, Malu, Miezko, Monacci, Pampili, Radamés/ Sândalo, Siboney, Stéphanie Clássic, Studio Tmls, Tarragona, Via Uno, Villione, Vizzano/ Toccado e Werner.
Fotos cedidas pela Abicalçados e a assessoria de imprensa da Micam.
Revista Courobusiness, Ed. 57 – mar/abr 2008.
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