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MERCADO MUNDIAL: CONJUNTURA E PERSPECTIVAS

Arnaldo José Frizzo Filho, pecuarista, curtidor e calçadista. Foi Presidente do CICB - Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil, atual Vice-Presidente de Comércio Exterior, Gerente do Programa Especial de Exportações do Couro - CAMEX e Diretor Superintendente da Braspelco Indústria e Comércio Ltda, a maior exportadora de couro nos últimos cinco anos.

Nos últimos 20 anos, temos assistido a uma estabilização quantitativa no abate mundial de bovinos. As estatísticas oficiais situam o abate mundial em 215 milhões de bovino/ano. O Brasil participa com 32 milhões, sendo que há 1.5 anos a participação era 50% menor. A participação relativa do Brasil no mundo da matéria-prima couro, portanto, duplicou. Infelizmente, a mesma coisa não aconteceu na indústria de couro acabado, calçados e demais manufaturados de couro.

No mercado mundial de Wet-Blue o Brasil é, hoje, um dos países de maior importância, um dos líderes do mercado. Exporta quase 12 milhões de couros por ano e é o líder disparado no extrato de média qualidade. O primeiro degrau, portanto, foi superado. Nosso couro, nos últimos anos, passou a ser aceito em todos os países do mundo para as mais diferentes finalidades, como revestimento de móveis e automóveis, mercados que há cinco anos era inatingível para nós.

Neste momento 2001 - temos pela frente a perspectiva da ALCA, para iniciar-se daqui a quatro ou cinco anos.

Duas situações muito favoráveis poderão ser desenhadas:

1 - Os EUA, maiores importadores mundiais de móveis de couro e calçados, sempre usaram a importação desses manufaturados como extensão de seus interesses exteriores de Nação.

Inicialmente, o Brasil foi transformado em grande produtor e exportador para os EUA, até a visita do presidente Nixon à China, quando este país passou a ser fomentado pelos EUA. Hoje, a China exporta aproximadamente 1 bilhão de pares de calçados por ano para os EUA, em valor superior a US$ 6 bilhões. Em números de pares de calçados e em pregos, quase 10 vezes mais do que o Brasil.

É bem possível que, com a ALCA, mude-se o interesse dos EUA para produzir estes calçados e manufaturados em certas regiões do Brasil e da América Central.

2 - A implantação da ALCA, necessariamente implica na obrigatoriedade de serem implantadas as reformas estruturais, especialmente a tributária, indispensáveis para tornar o Brasil competitivo. A escolha do Brasil é fazer as reformas e ser competitivo, ou não fazê-las e retroagir como Nação.

Os acontecimentos dos últimos anos estão mostrando, ainda que lentamente, que estamos mudando para melhor.

 

A ESTRATÉGIA COMPETITIVA  DE NAÇÃO

Neste contexto, de aumento da nossa importância como detentor da matéria-prima couro, de oferta inelástica e, portanto, estratégica, é da maior relevância o amadurecimento empresarial, trabalhando realmente em parceria com o governo, no sentido de criarse uma política industrial moderna, baseada em estratégias competitivas factíveis e inteligentes.

O Brasil pode vir a ser, nos próximos cinco anos, o país mais importante no cenário mundial do couro - não só como produtor/exportador de matéria-prima, mas principalmente como produtor/ exportador de couro acabado, calçados e manufaturados.

A cadeia produtiva coureiro-calçadista é a que requer os menores investimentos para gerar empregos e divisas, quando comparada a qualquer outra da economia brasileira. É também onde o país dispõe de vantagens competitivas naturais e estruturais .Além disso, temos fábricas, tecnologia e conhecimento do mercado.

A cadeia produtiva necessita de um sistema tributário - mesmo antes de qualquer reforma - inteligente, que propicie, ao país, alcançar o patamar possível e condizente com seu potencial. Nada tão difícil ou tecnicamente complicado. Parece que agora o governo terá de agir, pressionado pelas novas condições macroeconômicas. Também necessitamos da capitalização responsável e inteligente e que se situa em níveis muito abaixo da requerida por outros setores.

O momento atual apenas acelera todo o processo. A derrocada da pecuária européia pode ser transformada em vantagem para nós. Um marketing inteligente da nossa carne poderá, por decorrência, multiplicar a disponibilidade de couros no Brasil.

Estamos assistindo a uma redução mundial da disponibilidade do couro e sua conseqüente valorização, mesmo em momento de redução da demanda mundial. Alguns querem a valorização de uma só vez, em níveis muito elevados, esquecendo-se de que, apesar de tudo, o consumidor tem a palavra final.

De qualquer modo, teremos menos couros nos próximos anos, elevação do valor de seus artigos e menos pessoas no mundo usando os produtos derivados desta nobre matéria-prima.

É um momento crucial para o Brasil decidir se será um produtor/exportador de matéria prima, ou se usará seu poder de produtor de uma matéria-prima que todos desejam e passar a vendê-la na forma de produtos acabados, gerando mais divisas e empregos, duas coisas que os países produtores atuais necessitam menos do que nós brasileiros.

 
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