FEIRAS COMERCIAIS: INSTRUMENTO DE APOIO E PROMOÇÃO DE EXPORTAÇÃO
Francisco Santos
Presidente da COUROMODA
Oitenta milhões de pessoas circulam todos os anos nos milhares de eventos - comerciais, turísticos, industriais que se realizam no país, promovidos pelas mais de 400 empresas que atuam no segmento. Nesse universo de eventos, as feiras comerciais ocupam lugar de destaque: geram mais de 3 milhões de empregos diretos, indiretos e temporários, movimentam cerca de R$ 37 bilhões/ano e contribuem com mais de R$ 4 bilhões em tributos federias, estaduais e municipais. Trata-se de uma moldura extraordinariamente ampla, diversificada e altamente profissional. Das primeiras iniciativas do empreendedor Caio de Alcântara Machado, no início da década de 60, aos dias atuais, o salto tecnológico das feiras brasileiras transformou o Brasil num dos mais importantes atores no mundo da promoção comercial.
As feiras comerciais são o mais eficaz instrumento de promoção comercial. Reúnem num só ambiente produtores, lojistas, atacadistas, distribuidores, agentes de exportação, designers, prestadores de serviços diversos, publicitários, decoradores, mídia especializada, consumidores. Esse leque de profissionais de matizes diferentes produz o maravilhoso espetáculo da interação de objetivos comuns, onde a palavra de ordem é business.
Alguns segmentos empresariais como a indústria de calçados comercializam praticamente toda a sua produção anual nas feiras comerciais. A COUROMODA, feira que inaugura o ano empresarial desta cadeia produtiva, é um dos exemplos dentre as dezenas que consagram as feiras como o mais importante e eficiente instrumento de ação coletiva dos grandes negócios.
O momento atual marca o início de uma nova gestão política que tem como um de seus objetivos econômicos "a ampliação do superávit comercial a partir da exportação de produtos de maior valor agregado". Casar objetivos e ações governamentais com o instrumento da promoção comercial privada via feiras é o que os promotores desejam. Esse imenso conjunto de eventos está a disposição dos agentes públicos e privados comprometidos com a exportação.
Há vinte anos o Brasil encontrava-se na mesma situação de hoje no que se refere à necessidade de gerar significativo superávit comercial. Uma ação conjunta dos promotores de feira e das autoridades governamentais comprometidas com a exportação deu início a um programa de atração de visitantes estrangeiros compradores, formadores de opinião às grandes feiras realizadas no país. O resultado foi considerado, à época, acima do inicialmente projetado.
Em 2003, a APEX Agência Brasileira de Exportação dará seqüência ao programa "comprador", iniciado nos últimos dois anos, que tem o mesmo objetivo do programa do início da década de 80. A APEX cujo orçamento deriva da mesma fonte do SEBRAE - faz um trabalho competente e sério na seleção dos "convidados". Pequenas e médias empresas no esforço da exportação estimuladas pelos projetos da APEX. Grandes empresas, tradicionais exportadoras, podem ser utilizadas como veículo para inserção desses novos atores no comércio exterior. APEX, entidades associativas, órgãos governamentais e promotores de feiras se interagem no esforço coletivo que já apresenta resultados significativos. Os promotores de feira, privados, que investiram anos e anos na consolidação de uma marca e na credibilidade dos eventos que realizam, se orgulham dessa parceria e de seu papel no interesse nacional.
Alguns dos maiores eventos nacionais já estão na terceira década, e lá chegaram assumindo riscos empresariais, construindo uma agenda interna e externa. São esses anos todos de muito trabalho e perseverança que os promotores de feira colocam à disposição dos agentes públicos e privados que têm como atividade e responsabilidade a promoção das exportações brasileiras.
O ano de 2003 promete ser um ano de mudanças. Comportamentais e políticas. A UBRAFE União Brasileira de Promotores de Feiras pretende debater com as autoridades brasileiras, em evento programado para início de maio, em Brasília, um modelo de promoção comercial para o Brasil. Representantes do Mercado Comum Europeu e dos Estados Unidos trarão ao país suas experiências. As feiras comerciais como instrumento de apoio e promoção do comércio exterior é um dos principais focos do debate. O uso das feiras comerciais já existentes, como instrumento auxiliar no processo de exportação, reduz o esforço dos demais agentes, que não necessitam investir em novo evento, nem correr riscos empresariais, menos ainda se sujeitar às obrigações legais inerentes à atividade.
Com 100% de convergência de interesses, só resta estreitar relações e otimizar os resultados. Isso além de possível, é absolutamente necessário.
