O DESAFIO DE EXPORTAR
Júlio Redecker é Deputado Federal (PPS/RS),
Advogado, Professor Universitário e Empresário.
O Brasil encerrou 2002 com um ligeiro incremento em suas exportações. No último período, o país chegou a marca de US$ 60 bilhões em transações internacionais. Apesar do aumento registrado, os números ficaram muito aquém da meta-desafio apresentada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no início de seu segundo mandato, cuja proposta era chegar aos US$ 100 bilhões.
Um novo governo se inicia e, entre suas metas, também está o aumento do comércio internacional. O desafio de exportar mais, gerando mais divisas e empregos, uma vez que cada bilhão exportado representa 100 mil novos postos de trabalho, deve ser um esforço da sociedade brasileira e não apenas de governo.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, tem reiterado este compromisso e, na condição de homem de mercado e exportador, sabe que exportação não se faz apenas com vontade política, mas com a iniciativa privada.
Para exportar mais precisamos, também, de melhores condições de produção, resultando em um produto de maior qualidade e valor agregado. Neste esforço conjunto, de gerar divisas e especialmente empregos ao país, o setor coureiro-calçadista e de artefatos tem papel fundamental, pois é uma das áreas que mais absorve mão-de-obra e tem condições de expandir-se com apoio governamental.
Responsável pelo atendimento da demanda doméstica e com exportações para mais de cem países, o conglomerado brasileiro de calçados responde por cerca de um milhão de empregos, considerando-se que a cadeia produtiva envolve, ainda, indústrias de componentes, artefatos de couros, artigos de viagem, máquinas para calçados e couros.
O mais importante é que essa oferta de mão-de-obra e o incremento da produção ainda estão longe de se exaurirem. O setor e suas lideranças têm a convicção de que podemos ajudar ainda mais o Brasil a crescer. A Área de Livre Comércio das Américas (Alca), por exemplo, representa uma grande oportunidade, tendo em vista a existência de uma demanda estimada em três bilhões de pares/ano e sendo atendida, em sua maior parte, por produtores da Ásia.
Portanto, a formatação de uma política de governo específica, focada no setor produtivo, representará um grande avanço para que esses objetivos sejam alcançados. Neste sentido, tive a oportunidade de recepcionar o ministro Furlan com a bancada do PPB, em Brasília, quando sugeri a adoção do Programa ModerMáquina, destinado a reequipar e modernizar o setor. A proposta é baseada no Moderfrota, programa implementado durante a gestão do ministro Marcus Vinícius Pratini de Moraes à frente do Ministério da Agricultura, que modernizou e aparelhou o campo, oportunizando excelentes resultados para os produtores e o país.
A idéia é oferecer a calçadistas, curtidores, produtores de artefatos e de injetados, enfim a toda a cadeia produtiva, a oportunidade de adquirir equipamentos com juros entre 8,75% e 10,75% anual, com prazo de pagamento entre seis e oito anos (de acordo com o faturamento de cada empresa), e carência de dois anos.
O ministro se mostrou entusiasmado com a idéia e solicitou um estudo técnico à sua assessoria, reconhecendo a necessidade de estruturação das micro e pequenas empresas para o crescimento sócio-econômico do país. Reiterei, ainda, o convite para que Furlan possa conhecer o Vale dos Sinos "in loco", no primeiro semestre de 2003. Afinal, um setor que gera mais de R$ 2,5 bilhões em divisas merece esta distinção e o olhar atento de quem comanda e busca o desenvolvimento do país.
