“O QUE DÁ PRA RIR, DÁ PRA CHORAR”
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Waleska Santos, médica por formação profissional, tornou-se, nos últimos 25 anos numa respeitada empresária da promoção comercial. Vice-presidente do Grupo Couromoda/Hospitalar/HairBrasil, com sede em São Paulo, Waleska Santos dirige a Feira HOSPITALAR – Feira Internacional de Produtos, Equipamentos, Serviços e Tecnologia para Hospitais, Laboratórios, Clínicas e Consultórios, já na 13ª edição, e a ODONTOBRASIL, Feira Internacional de Produtos, Equipamentos, Serviços e Tecnologia para Odontologia. Viaja mundo afora, e através do grupo do qual faz parte já promoveu um sem número de eventos de promoção comercial no exterior.
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Sua Opinião, abaixo transcrita, sobre a cultura brasileira de promoção, centrada nas características desse povo tropical, é daqueles momentos únicos em que cultura e conhecimento se somam à experiência para incitar a reflexão de quem de fato se interessa pelas coisas brasileiras. A tese que ela levanta – que poderia ser reduzida em ‘o comportamento que abre portas é o mesmo que as fecha' – deveria fazer parte dos manuais brasileiros de promoção comercial no exterior.
Talvez fosse o caso de entidades e órgãos que atuam na promoção comercial externa darem mais atenção às preocupações externadas por Waleska Santos, que tem mais de duas centenas de eventos dessa natureza em seu currículo profissional. Um dos pontos iniciais de sua opinião, quase entrelinha, caracteriza-se pela crítica a promoções comerciais à exportação de comodities . Diferentemente dos promotores que não se preocupam com o que promovem, Waleska Santos tem a consciência exata do que é bom para o País, enquanto milhões são gastos promovendo-se produtos de baixo ou nenhum valor agregado.
Mas a tese posta à reflexão é a que está antecedendo o texto, cuja síntese poderia ser outro toque quase imperceptível, quando ela se refere a conquista e perda. A conquista pela simpatia, riso fácil, samba, mulatas e caipirinha seria, pode-se inferir, uma conquista sem muita substância, que tenderia à perda pelos mesmos motivos. Teria a ver com o que Waleska Santos chama de “código de comportamento', encontrado também em letra de música popular: “o que dá pra rir, dá pra chorar, questão só de peso e medida, problema de hora e lugar, o que dá pra rir, dá pra chorar...”. O samba, o riso, a mulata, a caipirinha podem até ser, em determinadas circunstâncias, condições necessárias para abrir uma porta, mas não são suficientes para mantê-las aberta. Mas o mais grave, se a leitura de COUROBUSINESS estiver correta, não é a ocorrência desses quatro elementos, mas o comportamento que se situa em suas sombras, e negócios duradouros, parcerias consistentes e confiança recíproca precisam de luz.
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A cultura da promoção comercial brasileira. Qual é o "código de comportamento"?
Waleska Santos
Fazer-se presente no mercado internacional tem sido o grande desafio das empresas brasileiras bem sucedidas no âmbito doméstico. Considero as commodities fora deste quadro, pois o valor agregado dos produtos de exportação é a grande conquista a perseguir.
A sequência lógica das etapas fundamentais e o cumprimento das inúmeras “cartilhas do exportador” são necessários, mas não bastam para lograr sucesso neste grande e, paradoxalmente, também pequeno mercado global. Cumprir estas regras básicas tem sido, há muito tempo, o caminho normal para qualquer empresário brasileiro atento aos acontecimentos contemporâneos. Verdade seja dita: nosso povo é trabalhador, destemido, arrojado e empreendedor.
E por que tem sido tão difícil conquistar o mercado internacional a despeito de todo esse empenho, capacidade, preparo e profissionalismo do empresariado brasileiro?
Conhecer o campo do adversário não é suficiente. Necessitamos ultrapassar a barreira imperceptível representada pelo nível de respeito e de confiabilidade que o povo brasileiro enfrenta no inconsciente coletivo dos estrangeiros.
Que o povo brasileiro é talentoso e criativo, alegre e hospitaleiro, original e surpreendente são, sem dúvida, qualidades, características das quais nos orgulhamos e pelas quais somos lembrados sempre, porém unicamente. Essas qualidades, ressaltadas mundo afora, são também as grandes responsáveis pelo entrave de nossas empresas no mundo corporativo. É uma questão de cultura: “onde há muito riso, há pouco siso”.
Esta mesma imagem que fazemos questão de preservar sempre, sobrepondo-a aos quesitos necessários e fundamentais em uma mesa de negociações, enfraquecem, de antemão, qualquer esforço ou argumento empresarial. É esta imagem, que subjetivamente, está presente no inconsciente do interlocutor internacional. Esta é a percepção resultante de nosso trabalho ininterrupto de participação em mais de 200 feiras no exterior.
Reverter esse quadro e anular esta leitura errônea de nosso país e de nosso povo tem sido nosso maior empenho, nestas últimas três décadas. Investir na marca de origem e consolidar a imagem do fornecedor de produtos de qualidade, com muito valor agregado, vem sendo nossa política junto aos três setores nos quais estamos inseridos: moda, saúde e beleza.
Nosso grupo empresarial atua, há mais de trinta anos, pautado nas seguintes premissas: vender um Brasil que funciona e apresentar um país industrializado, que desfruta de prestígio internacional em inúmeros setores.
A presença em feiras internacionais é uma oportunidade muito especial para as empresas se mostrarem ao mercado e para atingir um público-alvo formado estritamente por profissionais altamente qualificados. É a melhor maneira de fazer marketing, tanto da empresa, como do País e também do cidadão brasileiro.
Mas, não adianta só “estar presente”. É necessário seguir também um “código de comportamento”. Mostrar que o brasileiro, além de fornecer produtos com qualidade, também é profissional e sabe fazer negócios.
O sucesso das feiras de negócios como ferramenta para internacionalização das empresas depende, portanto, da postura adotada por organizadores e expositores. Quando ambos partilham da mesma visão de trabalho, suas competências se somam e os resultados se multiplicam. Há todo um trabalho anterior, durante e posterior à feira que necessita ser bem planejado e executado. As feiras democratizam as oportunidades de contatos, aproximando todos os tipos de fornecedores e de clientes. Mas apenas quem tem uma visão abrangente de negócios consegue transformar estes contatos em relacionamentos. São estes relacionamentos que revertem em negócios com continuidade, com respeito de lado a lado e com o estabelecimento de uma política exportadora capaz de sobreviver aos soluços do mercado.
