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Brasil conquista espaço no mercado mundial  

Setor coureiro-calçadista é um dos destaques

De 2003 a 2006, o crescimento das exportações brasileiras bateu todos os recordes históricos. Mais do que um aumento das vendas, o que se verificou no período foi a propagação da cultura exportadora entre os empresários de todos os setores e de todos os portes. Hoje, os produtos brasileiros competem fortemente com mercadorias de todos os cantos do mundo. O Brasil partiu de exportações de US$ 60 bilhões em 2002 para atingir US$ 118,3 bilhões em 2005. De janeiro a novembro deste ano, as vendas externas do país já atingiram US$ 135 bilhões, mais do que em todo o ano passado. Da mesma maneira, quando são analisados os mercados de destino dos nossos produtos, verifica-se crescimento para todos os blocos econômicos, com destaques para os não tradicionais, como o Oriente Médio (+ 31,1%), África (+23,3%) e Ásia (+14,5%).

O mundo está descobrindo que o Brasil tem produtos de qualidade e preço competitivo em inúmeros setores da economia. Com isso, a nossa participação no bolo do comércio global vem crescendo: de 2002 a 2005, subiu de 0,93% para 1,14%. É um salto significativo para curto período.

Os resultados positivos são frutos do trabalho duro dos empresários nacionais e também do apoio que eles vêm recebendo do governo brasileiro. A Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX-Brasil) trabalha para fazer a promoção comercial dos produtos nacionais por meio de uma estreita parceria com mais de 70 entidades representativas do setor privado. Por meio de projetos setoriais, é possível especificar as necessidades, as deficiências e o potencial de cada setor e, a partir daí, adotar iniciativas para aumentar a visibilidade dos produtos brasileiros no exterior.

Um outro número que comprova a melhora do perfil exportador do Brasil é a evolução das exportações por fator agregado. Produtos semi e manufaturados correspondem hoje a quase 70% da pauta. Em 2002 o Brasil vendeu US$ 33,4 bilhões em manufaturados. Em 2005 superamos US$ 64 bilhões. De janeiro a novembro de 2006, as vendas desta categoria já chegaram a US$ 67,759 bilhões e foram destinadas principalmente a mercados como Estados Unidos, União Européia, Liga Árabe, América Latina e Tigres Asiáticos.

Com o apoio da APEX-Brasil, está havendo uma exposição agressiva dos produtos e da Marca Brasil internacionalmente. Todos os dias, as mercadorias brasileiras estão sendo apresentadas em algum lugar do mundo. De 2003 até agora, a Agência já apoiou a participação brasileira em quase 2 mil eventos em mais de 60 países.

A presença das empresas nacionais em grandes feiras setoriais ou em eventos organizados pela APEX-Brasil em redes varejistas e supermercados de todo o mundo contribui para fortalecer a imagem dos produtos nacionais e para aproximar o consumidor final da mercadoria brasileira. Feiras importantes como a Biofach (produtos orgânicos), a Cosmoprof (cosméticos), a Polagra Food (alimentos e bebidas), a GDS (calçados), entre tantas outras, contaram com pavilhões brasileiros nos últimos anos. A exposição das nossas mercadorias e marcas rende contratos significativos e também ajuda a agregar valor à nossa imagem, difundir conhecimento sobre o país e nos dar nova importância no mercado global.

Eventos especiais organizados pela Agência, como as temporadas nas sofisticadas redes de varejo francesas Galerias Lafayette e Printemps, na inglesa Selfridges ou na mexicana Palácio de Hierro, contribuem para despertar, no consumidor final, o desejo de consumo dos produtos nacionais. Em outros casos, como no Brasil Oggi – Paixão pelo Estilo, realizado na Itália, a imagem nacional é trabalhada por meio de um intenso programa de relações públicas, em que formadores de opinião são convidados a conhecer a qualidade e a originalidade da produção brasileira.

O setor coureiro-calçadista é um dos que é apoiado pela APEX-Brasil há vários anos, participa das ações organizadas pela Agência e, com isso, vem conquistando aumentos crescentes nas vendas ao exterior. Em junho deste ano, a Agência renovou os convênios com três entidades do setor: Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), Assintecal (Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos) e CICB (Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil). Somados, os três projetos garantiram recursos no valor de R$ 43,5 milhões para a execução de diversas ações promocionais. Os valores foram aportados em parceria pela Agência e pelas entidades.

Em todos os projetos do setor coureiro-calçadista, a estratégia tem sido a de agregar valor ao produto, buscando nichos de mercado mais especializados e descobrindo novos clientes em várias partes do mundo.
Por meio do Programa Brasileiro para Expansão da Exportação de Couro, também denominado Brazilian Leather, por exemplo, a APEX-Brasil e o CICB buscam reforçar a presença de empresas nacionais em feiras e exposições internacionais. O objetivo estratégico do programa é aumentar os embarques de couros do País, de US$ 1,5 bilhão apurados em 2005 para US$ 2,4 bilhões até 2008, em um negócio em que a cadeia coureiro-calçadista movimenta mais de US$ 44 bilhões no mundo, segundo dados da ONU de 2001. O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de couros do mundo e o programa busca abrir novos mercados, principalmente para produtos acabados.

O projeto com a Abicalçados, o Brazilian Footwear, busca conquistar novos destinos para os calçados brasileiros e aumentar as vendas de sapatos com maior valor agregado, design diferenciado e marca própria. A meta do projeto é que o volume de negócios das empresas participantes passe dos atuais US$ 43 milhões/ano para US$ 98 milhões/ano até junho de 2008.

Já o convênio com a Assintecal busca manter mercados já conquistados, como o de alguns países da América Latina, Itália e França, consolidar novos mercados, como países da África e a China e buscar a inserção em países ainda não atingidos, como Índia e Turquia. Um dos destaques das ações no setor de componentes é o investimento em moda, design e tecnologia. Com apoio da APEX-Brasil, o setor vem desenvolvendo diversos projetos que contribuem para qualificar e diferenciar os componentes brasileiros, o que alavanca as vendas no exterior, onde o setor passou a ser referência no assunto, caso da Colômbia, México e até mesmo na China, mais recentemente.

Conforme demonstram os números da balança comercial brasileira, o trabalho da APEX-Brasil de promoção dos produtos e marcas brasileiras tem rendido bons frutos. Ainda há um longo caminho a ser percorrido, mas já é possível dizer que o Brasil está no jogo. E jogando para vencer.

Revista Courobusiness Ed. Nº 49 – Novembro/dezembro 2006.

 
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