AICSul tem tradição de pioneirismo
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A atividade coureira nasceu no Rio Grande do Sul, no século 17, a partir da disponibilidade de peles bovinas, gerada pela introdução da criação de gado nas reduções jesuíticas. No século 18, ganham importância as charqueadas e começa a fabricação de artigos de couro nas estâncias. Porém, foi com a chegada dos imigrantes alemães, na primeira metade do século 19, que ela ganhou importância econômica. Os germânicos detinham o conhecimento da fabricação de manufaturados em couro e passam a agregar valor ao couro gaúcho. E a produção deixou de ser limitada ao auto consumo, passando a ser comercializada. |
De geração para geração, a indústria coureira gaúcha se destaca pela tecnologia, desenvolvendo-se no estado o maior pólo curtidor da América. Este avanço tecnológico tem um referencial importante com a criação da Escola de Curtimento, em 1965, gerando profissionais qualificados. Estes técnicos foram fundamentais para que o couro produzido no Rio Grande do Sul atendesse às necessidades da indústria calçadista brasileira, que buscava espaço no mercado internacional, e também permitisse que o nosso produto alcançasse os mais exigentes clientes em todos os continentes.
Neste caminho, a indústria coureira do Rio Grande do Sul também foi pioneira no tratamento de resíduos. Nenhum outro segmento industrial do Estado investiu tanto em meio ambiente. Embora ainda exista preconceito na sociedade em relação a nossa atividade, temos um ativo ambiental inigualável, do qual nos orgulhamos muito. E a AICSul teve participação forte neste movimento, coordenando projetos como o de aproveitamento de resíduos sólidos de curtume na atividade agrícola.
O pioneirismo da AICSul se manifesta, também, na promoção comercial no exterior. Foi a nossa entidade que nos anos 90, pela primeira vez dentro da cadeia produtiva do couro e do calçado, levou empresas para uma feira internacional. Começou com a Expocouro, em Portugal, e ganhou relevância com as participações na Feira de Paris e Hong Kong.
A AICSul também abrigou fatia da preocupação social das nossas indústrias. Foi ela que criou a Fundacouro, em 1980, permitindo que adolescentes de famílias de baixa renda tivessem acesso à formação como técnicos em couro.
Todas estas conquistas se devem aos dirigentes que a entidade teve em seus 31 anos de história. E isto dá uma dimensão da grande responsabilidade que estou assumindo, como novo presidente da entidade. A AICSul teve grandes lideranças. E recebo este cargo das mãos de uma destes grandes valores, que é o meu amigo Cezar Müller.
O setor coureiro gaúcho tem 223 empresas, que geram mais de 15 mil empregos diretos, produzindo 15 milhões de couros e com um faturamento em torno de R$ 2 bilhões, com a metade indo para o exterior. Defender este patrimônio é a tarefa histórica da AICSul.
Vivemos dias difíceis. As nossas empresas operam com margens muito baixas em razão da questão cambial. Convivemos com a incerteza diante da ausência de uma política industrial para o país. A atividade produtiva é desestimulada por uma tributação elevadíssima. As necessárias reformas tributária e trabalhista são eternamente adiadas.
Mas devemos ter esperança. Acreditamos que as frentes parlamentares de deputados nos âmbitos nacional e gaúcho resultem em ações que viabilizem a nossa atividade, ajudando na geração de empregos tão necessários à melhoria da qualidade de vida de nossa gente. Nós estaremos trabalhando para isto. Em nosso Estado, o setor coureiro opera fundamental processo de integração, com os nossos sindicatos passando a atuar em conjunto com a AICSul. Assim, otimizamos recursos e reforçamos a nossa representatividade. Com esta unidade, poderemos realizar mais pelo setor. Agiremos com transparência e agilidade no repasse de informações. Focaremos na geração de oportunidade para que todas as empresas sejam globais, independentemente de seu tamanho. Estimularemos a formação de novas lideranças. Aprofundaremos a integração com as demais entidades da cadeia. E isto será alcançado graças à tradição de nosso setor de unir-se para vencer desafios.
É com o apoio de todos que poderemos alcançar os resultados almejados.
Currículo de Francisco Gomes
Francisco Gomes é técnico curtidor, formado na primeira turma da Escola de Curtimento de Estância Velha. Atuou por 38 anos no curtume Kern-Mattes, sendo 23 anos como diretor. Foi presidente da ABQTIC, vice-presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de São Leopoldo e diretor da Abicalçados. Sócio fundador da Câmara de Indústria e Comércio e Serviços de Portão, foi diretor na Fiergs e do Sindicato de Curtimento de Portão. Membro do Conselho Consultivo do Centro Tecnológico do Couro/ Senai e do Conselho do Sesi/ Portão. Atua como consultor do curtume Nimo, de Montenegro, e é sócio-diretor da Courofag Indústria, Comércio e Representações, cuja sede fica em Portão.
Revista Courobusiness, Ed. 51 – março/abril 2007.