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Crise Americana x Exportação Brasileira de Calçados

Ainda que os Estados Unidos venham reduzindo drasticamente o volume de compras do calçado brasileiro, a crise de crédito que se instala no país, sem dúvida, deve “respingar” nas exportações brasileiras. Os exportadores de calçados estão em estado de alerta, visto que foram penalizados ao longo de 2007 por conta da valorização do real frente ao dólar, que impede a formação de preços competitivos. Por seu caráter conservador, a expectativa é que o mercado americano apresente retração no consumo e o calçado está entre os itens cujas vendas devem diminuir imediatamente ao início da anunciada recessão. Isso, sem dúvida, abalará ainda mais o nosso esforço para continuar neste mercado.

Atualmente, os Estados Unidos absorvem a maior fatia dos embarques verde-amarelos. Foram 49 milhões de pares em 2007, o que equivaleu a 28% do total exportado. Esta estatística, porém, não se compara às operações da década de 90, quando os americanos compravam 90% do total embarcado. Em um mercado onde o preço é fator determinante na compra, devido à prática de subcontratação – a rede atacadista vende sapatos com marca própria, produzidos em outros países – a concorrência chinesa transformou-se na principal dificuldade.
 
Os embarques destinados aos EUA vêm caindo gradativamente desde 2004, como podemos observar pelos dados dos últimos dez anos. O volume comercializado em 1998, de 82,3 milhões de pares, manteve-se nos mesmos patamares em 1999 (85,9 milhões de pares), subindo um pouco a partir de 2000 (99 milhões de pares), 2001 (98 milhões), 2002 (102 milhões), 2003 (103,9 milhões). Já em 2004, esse número caiu para 97,7 milhões de pares, reduzindo em 2005 (75,4 milhões) e seguindo a mesma trajetória em 2006 (65,3 milhões). As estatísticas deixam claro o motivo da apreensão dos fabricantes nacionais: uma retração maior no consumo dificultaria ainda mais a tentativa de manter o mercado norte-americano como principal comprador do nosso calçado.

Mesmo na posição de terceiro maior produtor e quarto maior exportador de calçados, e com todo o potencial da indústria nacional, responsável por aproximadamente 300 mil empregos diretos, o fabricante brasileiro ainda alimenta incertezas quanto a seus negócios internacionais. A principal estratégia hoje é a exportação com marca e design próprios e a fidelização de clientes – o que já é bem aceito na Europa Central.
 
A abertura de novos mercados também continua no foco dos exportadores, que procuram cada vez mais comercializar produtos com valor agregado. A conquista de novos clientes tem sido viabilizada pelo Brazilian Footwear, um programa de apoio às exportações de calçados, desenvolvido pela Abicalçados em parceira com a Apex-Brasil. É um trabalho que visa principalmente a promoção comercial, como a participação em feiras, e que está consolidando a imagem positiva do calçado brasileiro no exterior.

 

Por Heitor Klein
Diretor-executivo da Abicalçados 

Revista Courobusiness, Ed. 56 – Jan/Fev 2008

 

 
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